O que parecia impossível aconteceu. Pressionado pela ação incisiva da Polícia Federalista e pela repercussão negativa do pedido de suspeição protocolado ontem, o ministro Dias Toffoli admitiu, nesta quinta-feira (12), que houve, de traje, repasses financeiros de investigados do Caso Banco Master para contas ligadas ao seu entorno.
Porém, o que deveria ser um justificação virou motivo de piada — e de mais indignação — nos bastidores do poder. Em nota solene divulgada por sua assessoria, o ministro apresentou uma justificativa que juristas e opositores classificaram imediatamente porquê uma “desculpa esfarrapada” e um “malabarismo retórico”.
A “Justificativa” do Ministro
Segundo a nota, os valores milionários identificados pela PF não seriam propina ou venda de sentença, mas sim referentes a um suposto “empréstimo pessoal entre amigos de longa data” e à “venda de um imóvel familiar” que, curiosamente, nunca teve a escritura formalizada em cartório.
“Os valores citados tratam-se de transações privadas, devidamente declaradas, referentes à desvario de um muito imóvel e a mútuos financeiros realizados em caráter pessoal, sem qualquer relação com a atividade jurisdicional”, diz o texto insensível da resguardo.
Por que a desculpa não cola?
A explicação de Toffoli tem mais furos que uma tamis. Fontes da Polícia Federalista ouvidas sob suplente pela nossa reportagem apontam contradições gritantes:
Datas Coincidentes: As transferências do tal “empréstimo” ocorreram exatamente nas semanas que antecederam decisões monocráticas do ministro que beneficiaram o banco investigado.
Imóvel Fantasma: O suposto imóvel vendido não aparece nas declarações de bens dos envolvidos na estação da transação.
Mensagens no Celular: O texto das conversas encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro não fala em “venda” ou “empréstimo”, mas usa termos em código e celebra “vitórias” no tribunal logo em seguida os pagamentos.
“Tentativa Desesperada”
Para a oposição no Senado, a nota de Toffoli é uma confissão de culpa travestida de resguardo. O senador Rogério Marítimo (PL-RN), líder da oposição, foi taxativo:
“O ministro subestima a perceptibilidade da pátria. Expressar que recebeu verba de investigado a título de ‘empréstimo’ sem contrato, às vésperas de julgar a desculpa desse mesmo investigado, não é resguardo. É batom na cueca. O Senado não pode mais se omitir diante de tamanho vaia.”
O Cerco se Fecha
A “desculpa esfarrapada” de Toffoli parece ter surtido o efeito contrário. Em vez de acalmar os ânimos, a recepção do recebimento do verba deu à Polícia Federalista a munição que faltava para pedir a quebra do sigilo bancário e fiscal de pessoas ligadas ao ministro.
A estratégia de “regularizar” o inadmissível falhou. O ministro admitiu o traje (o verba), mas não conseguiu explicar o motivo (a contrapartida). Brasília está em chamas, e a pergunta que ecoa na Rossio dos Três Poderes é: até quando o STF sustentará um de seus membros diante de evidências tão robustas?
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