“Recentemente, o governador da Bahia afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores deveriam ‘ir para a vala’. Um exposição onusto de ódio, que em qualquer cenário urbano deveria gerar repúdio inesperado e ações institucionais firmes. Mas zero aconteceu.
Não houve sinceridade de sindicância, nem procura e mortificação, tampouco convocação da Polícia Federalista para apurar incitação à violência. Nenhuma nota de determinado do STF, nenhuma indignação de determinado ministro que se diz fervoroso interessado no objecto, nenhuma toga de jornal tratando o caso porquê ‘prenúncio à democracia’. Ao contrário: silêncio, cumplicidade ou até aplausos discretos dos mesmos que se dizem guardiões do Estado de Recta.
Agora imagine se um apoiador de Bolsonaro dissesse um tanto remotamente parecido, ou usasse a termo ‘vala’ em qualquer contexto. Seria manchete, seria prisão, seria processo por ‘exposição golpista’ e ‘incitação ao ódio’. O padrão é simples: só há violação quando convém ao sistema, só há repressão quando o escopo é a oposição.
Esse tipo de exposição, vindo de uma poder de Estado, não exclusivamente normaliza o ódio porquê incentiva o pior: a violência política, o homicídio moral e até físico de quem pensa dissemelhante. É a institucionalização da barbárie com o verniz de ‘liberdade de frase progressista’.
Quando se permite que se deseje a morte de opositores impunemente, o que mais pode ser permitido? O que mais pode vir à tona com a conivência de quem deveria moderar o extremismo, e não alimentá-lo?
A verdadeira prenúncio à democracia não está em frases de WhatsApp ou em manifestações populares. Está no eminente da ergástulo de poder, onde os que gritam por ‘tolerância’ e ‘combate às fake news’ são os mesmos que, na prática, incitam o ódio, mentem descaradamente e permanecem blindados por um sistema que escolheu lado.”
Jornal da cidade
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