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Líder histórico do PT quebra o silêncio, crava derrota de João Campos e diz que Lula não subirá em palanque no 1º turno em Pernambuco

by Redação CN
agosto 12, 2026
in Politica
Líder histórico do PT quebra o silêncio, crava derrota de João Campos e diz que Lula não subirá em palanque no 1º turno em Pernambuco

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Liderança histórica do Partido dos Trabalhadores (PT) em Pernambuco, presidente licenciado do diretório municipal da legenda no Recife e atualmente em seu sexto procuração na Câmara Municipal, Osmar Ricardo Cabral Barreto concedeu uma longa entrevista exclusiva ao Conexão Política, na qual abriu os bastidores de décadas de atuação política e partidária e falou sobre a relação entre petistas e socialistas no estado.

Em conversa com o jornalista Raul Holderf Promanação, Osmar Ricardo afirmou que Lula não deve subir no varanda de João Campos no primeiro vez da disputa pelo governo de Pernambuco e fez uma série de relatos sobre as tensões que atravessam a relação entre PT e PSB. Entre os pontos revelados, contou que o ex-prefeito do Recife tentou expulsá-lo do partido e expôs a insatisfação existente entre setores petistas com a transporte política dos socialistas.

Ao longo da entrevista, o dirigente também fez duras críticas à gestão municipal do Recife, abordou conflitos marcantes de sua trajetória dentro do PT e analisou o atual cenário político pernambucano. Na avaliação de Osmar, uma eventual guião do PSB na disputa estadual pode mudar a interdependência de forças da esquerda e repor ao PT um papel de maior protagonismo político em Pernambuco.

Foto: Câmara do Recife

Lula fora do varanda no primeiro vez

Um dos principais relatos apresentados por Osmar Ricardo envolve diretamente a estratégia eleitoral de Lula em Pernambuco. Integrante do Diretório Pátrio do PT e sabedor das discussões internas da legenda, o dirigente afirmou que o presidente não estará presencialmente no varanda de João Campos no decurso do primeiro vez.

Segundo ele, a decisão política não estaria restrita a Pernambuco e alcançaria também outros estados nos quais a formação das alianças impõe maior cautela ao núcleo vernáculo petista.

Osmar disse que existe uma movimentação recorrente do grupo de João Campos para aproximar a imagem do socialista à de Lula e citou, uma vez que exemplo, a participação do logo presidente vernáculo do PSB em um evento petista. Na avaliação do vereador, porém, a forma uma vez que Lula apresentou Campos naquela ocasião não correspondeu ao endosso eleitoral que os socialistas buscavam transmitir naquele momento.

O petista chamou atenção para o veste de Lula ter apresentado João uma vez que presidente vernáculo do PSB, sem, segundo sua leitura, fazer uma sintoma explícita apresentando-o uma vez que seu candidato ao governo pernambucano. “Ele não vem a Pernambuco. Afirmo isso”, declarou Osmar durante a entrevista.

Na avaliação do dirigente, existe uma pressão política do campo socialista para associar João à candidatura presidencial de Lula. Osmar lembrou ainda a gravação de material em que Lula manifesta, sim, pedestal ao socialista, mas sustenta que isso não significa necessariamente a presença física do presidente no varanda pernambucano durante o pleito de até 4 de outubro.

A fala tem peso maior porque Osmar não fala uma vez que um personagem extrínseco ao PT. Além de comandar o diretório municipal do Recife, ele integra o Diretório Pátrio e construiu sua trajetória política dentro das estruturas partidárias e sindicais da legenda.

“João Campos força toda hora esse embate para que Lula venha cá. Inclusive tentou ir lá antes, porque foi a convenção do PSB lá. E até o Lula referenciou ele lá, o rebento de Eduardo, presidente vernáculo do PSB, mas não é o veste esse. O veste é que Lula não vem no primeiro vez para Pernambuco. Pode proferir que ele não vem a Pernambuco. Afirmo isso. Ele não vem a Pernambuco. O João Campos fez ele gravar um vídeo dizendo que ele estava apoiando o João Campos. Porque é um desespero grande, é uma pressão grande em cima disso. Ele foi para lá, agora mesmo você viu, teve a convenção do Lula, domingo. Ele foi para lá e o Lula falou: ‘Está cá o presidente vernáculo do PSB’. Mas em nenhum momento ele diz assim: ‘É um jovem pernambucano, o presidente do PSB, que é o nosso candidato lá em Pernambuco’. Ele não disse isso. Ele só apresentou ele uma vez que presidente do PSB. Na convenção do Lula, domingo agora. Logo veja, a convenção dele estava marcada para domingo também, ele desmarcou e botou para sábado, para domingo estar na do Lula.”

Rompimento com João Campos

A entrevista também expôs em detalhes o processo que levou Osmar Ricardo a romper politicamente com João Campos. O dirigente deixou evidente que sua posição não representa qualquer tipo de encolhimento do PT. Pelo contrário. Reafirmou sua permanência na legenda e disse não ter intenção de abandoná-la. A pausa, segundo ele, é com a transporte política do PSB e, particularmente, com João Campos.

Osmar contou que já acumulava divergências com a gestão municipal em assuntos ligados aos servidores públicos e à transporte da Prefeitura do Recife. Sindicalista e ligado historicamente à representação dos trabalhadores municipais, ele apontou a política de concursos e convocação de aprovados uma vez que uma das principais fontes de desgaste.

Segundo o vereador, concursos realizados para preencher determinado número de vagas terminariam com exclusivamente uma parcela dos aprovados sendo chamada inicialmente, enquanto o restante permaneceria aguardando durante a validade dos certames. Para Osmar, essa política é, de veste, a falta de valorização do funcionalismo e dos candidatos que se submetem aos processos seletivos.

Foto: Reprodução/Instagram

Mas houve, segundo ele, um caso que ultrapassou as divergências administrativas e se transformou na “pingo d’chuva” da relação. Osmar se referia ao escândalo que ficou sabido uma vez que “Fura-Fileira”, uma ação envolvendo um concurso público da Prefeitura do Recife e uma vaga destinada a pessoa com deficiência (PcD). A medida lugar ganhou repercussão em todo o país depois que um candidato que originalmente não concorria pela lista de PcDs passou a integrar essa modalidade e acabou nomeado para uma vaga que, pela classificação anterior, seria destinada a Marko Batista, autenticado pela quota e que enfrentava problemas de saúde. A visibilidade aumentou ainda mais quando veio a público que o candidato beneficiado pela mudança era rebento de um juiz que havia atuado em uma decisão relacionada a uma investigação envolvendo a gestão municipal.

Para Osmar, aquela foi o basta para o seu rompimento definitivo. A partir dali, as críticas deixaram de se restringir aos bastidores e passaram a integrar sua atuação política de maneira ocasião.

“O meu pedestal a Raquel Lyra é porque o PSB cá é um partido que persegue as pessoas. Não há espaço para contraponto. Não há. Ou tem que obedecer ou é perseguido por ele. Eu sou um face que sou sindicalista. Tenho seis mandatos de vereador, não sou qualquer um. E eu digo que, na política, o pai dele tinha diálogo. Tinha diálogo. É dissemelhante. Muito dissemelhante do pai.

Botou uma juventude dentro da prefeitura para comandar a prefeitura, que hoje tem muitos problemas. Uma prefeitura que hoje… Por exemplo, a gente defende concurso público, eu sou daqueles que defendem o concurso.

Quando ele pega o rebento de um juiz para passar na frente de uma pessoa que tem um problema já, tira o sonho das pessoas. Isso aí, para mim, foi o limite. Para romper com ele foi quando a gente cá preparou uma CPI. E o presidente da Câmara tem articulado esse processo. Logo, essa foi a pingo d’chuva. Foi a pingo d’chuva. Já tínhamos alguns problemas com ele, públicos, com a não valorização aos trabalhadores. Uma vez que eu te falei, eu sou o presidente do Sindicato dos Servidores do Recife. E ele não, na verdade, valoriza os trabalhadores. Concurso que os caras fazem, ele só labareda… É de milénio, ele labareda século. E fica, entendeu? Quando chega perto de terminar o prazo do concurso, dois anos, ele vai e renova. Mas aí, bicho, não é isso. O face fez o concurso, o face diz que é 400 vagas, labareda século, labareda duzentos. Logo, a valorização para o trabalhador não existe.”

‘Prefeito do aditivo’

A saudação da gestão municipal, Osmar elevou o tom. O petista criticou a duração de obras, a qualidade de intervenções realizadas pela Prefeitura e a utilização de aditivos contratuais. Em uma das expressões mais duras da entrevista, chamou João Campos de “prefeito do aditivo”. Segundo a sua avaliação, determinadas obras atravessam longos períodos entre o proclamação, a realização e a entrega, acumulando alterações contratuais no processo. Ele também questionou a qualidade de acabamentos e disse enxergar uma gestão fortemente orientada pela construção de uma imagem eleitoral.

Osmar recordou que João Campos atravessou seu primeiro procuração praticamente sem uma oposição numericamente expressiva na Câmara Municipal. O apesar da frente inicial, segundo ele, mudou completamente.

Hoje, afirmou, um grupo de 13 vereadores atua na oposição direta ao prefeito. Na tradução do dirigente petista, a formação desse conjunto permitiu ampliar a fiscalização da gestão municipal e apresentar à população um contraponto à imagem construída pelo prefeito. Osmar liga esse movimento também às mudanças vistas no reduto político estadual. Para ele, a exposição mais aguerrida à Prefeitura contribuiu para que uma parcela dos eleitores passasse a ver João Campos sob outra perspectiva.

“É muita fantasia. É o prefeito do aditivo. É o prefeito da política, da eleição. Ele começa uma obra na eleição, só termina na outra eleição. E, durante isso, tem vários aditivos. Logo, a gente não pode manter isso em Recife. Obras mal acabadas, remate ruim. Qualidade péssima do que ele faz. João Campos, na verdade, governou o primeiro procuração dele, de 2020 a 2024, fazendo isso. E agora ele tem oposição em Recife. Ninguém fazia oposição a ele. E hoje tem 13 vereadores fazendo oposição a ele cá no Recife. E ajudou muito na queda das pesquisas. Ajudou muito a transfixar os olhos do povo pernambucano em quem é João Campos de verdade.”

Licença da presidência e resistência dentro do PT

A decisão de Osmar de não escoltar a coligação formal do PT com o PSB produziu consequências dentro da própria legenda. Presidente do diretório municipal petista, ele optou por se licenciar da função diante da impossibilidade, segundo explicou, de comandar uma estrutura partidária envolvida em uma campanha na qual pessoalmente não acredita.

“Eu não vou coordenar a campanha de quem eu não confio”, resumiu. Osmar fez questão de estabelecer uma saliência: licenciou-se da presidência, mas não deixou o PT. Ele continua filiado e reafirma sua identidade política com o partido. Sua divergência está concentrada na coligação com o PSB em solo pernambucano.

Na reunião partidária que deliberou sobre a formação, o grupo contrário à coligação foi derrotado. De pacto com Osmar, 12 dos 57 votos foram contrários à aproximação com os socialistas. O resultado sinalizou que a posição defendida por ele é minoritária dentro da instância que tomou a decisão, mas não isolada. E, segundo o vereador, a resistência vai muito além dos votos formais registrados na reunião.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

“Eu pedi licença do PT. Eu sou o presidente do PT da capital do Recife. Resolvi não estribar ele. Na reunião da Executiva, a gente votou contra. Foram 12 votos contra. De 57, 12 foram contra a coligação com o PSB. Fui vencido. Continuei dentro do PT e estou no PT. Sou do PT e não pretendo transpor. Só não concordo com a política do PSB. Por isso que eu me licenciei, porque eu não vou coordenar a campanha de quem eu não confio.”

Petistas que caminham com Raquel Lyra

Osmar afirmou que existe um conjunto de lideranças, filiados, vereadores e integrantes históricos do PT que, mesmo diante da coligação partidária formal, enxerga com simpatia a perenidade de Raquel Lyra no governo. Na entrevista, ele mencionou nomes ligados à história do partido e afirmou que prefeitos e vereadores petistas de diferentes regiões também estão politicamente próximos da governadora.

Segundo ele, figuras lulopetistas não fazem campanha ocasião por estarem diretamente envolvidas no processo eleitoral e precisarem observar as regras partidárias e eleitorais. Osmar, por não disputar um função, considera ter maior liberdade para tornar pública sua posição.

O dirigente também afirmou perceber uma parcela do próprio eleitorado de Lula inclinada a votar em Raquel, lance que, em sua tradução, demonstra que a disputa estadual não reproduz involuntariamente as alianças nacionais. Para ele, o sufragista pernambucano consegue separar o voto presidencial das escolhas estaduais.

“Dentro do PT tem muitas pessoas que hoje estão com Raquel, vão votar com Raquel. Não têm uma vez que fazer campanha nesse tempo uma vez que eu estou fazendo. O meu problema com João Campos é enfrentamento político de verdade. Os outros também são. Os outros entendem que o melhor papel hoje é Raquel Lyra. Pelas entregas, pela política que ela vem fazendo, pelo diálogo com todo mundo. Ela não procura ver quem é de outro partido. Logo, eu acho que as entregas do governo Raquel Lyra, a relação dela com o diálogo com as pessoas, é muito importante.

Deputados, vereadores, prefeitos e outras lideranças petistas no Estado de Pernambuco, apoiam a reeleição da governadora Raquel Lyra. João Paulo também. O Doriel, que foi o presidente do PT estadual, também apoia a Raquel Lyra. Eles não estão fazendo campanha explícita, porque eles são candidatos, podem se prejudicar. Uma vez que eu não sou candidato, eu não vou me prejudicar. Mas todo mundo sabe, no Estado, inclusive, isso é descerrado. Vários vereadores do PT da Metropolitana do Estado estão com a Raquel Lyra e outras pessoas.

Existe pesquisa, inclusive, que diz que 40%, 52% dos eleitores de Lula hoje já votam em Raquel. E é esse o meu papel, de mostrar ao povo o que a governadora está fazendo, o que o PSB já fez com o PT a nível vernáculo e a nível Estado. Totalidade incoerência.”

Em resguardo de Raquel

Ao explicar por que decidiu estribar Raquel, Osmar colocou o diálogo político no meio de sua argumentação. Ele afirmou enxergar na governadora uma capacidade de conversar com prefeitos, parlamentares e lideranças de campos políticos diferentes. Conforme o petista, essa particularidade vai na contramão do comportamento que atribui a João Campos.

Osmar também fez uma resguardo da gestão estadual. Citou investimentos e ações em áreas uma vez que infraestrutura, creches, hospitais, segurança pública e concursos para as forças policiais. Na leitura do vereador, a reorganização das contas estaduais e a capacidade de obtenção de recursos permitiram ao governo ampliar as entregas.

O petista também criticou a oposição enfrentada por Raquel na Plenário Legislativa de Pernambuco. Houve, diz ele, tentativas de dificultar remanejamentos e operações necessárias para a realização de políticas públicas. Ainda assim, argumentou, o governo conseguiu progredir. Na avaliação de Osmar, a governadora conseguiu erigir uma imagem baseada na realização administrativa e, ao mesmo tempo, ampliar sua pronunciação política.

Foto: Reprodução/Instagram

“A gente entende também que ela pegou um desgoverno do PSB, da idade de Eduardo Campos e de Paulo Câmara. Um desgoverno. Tanto é que Paulo Câmara disse que pegou o governo anterior com problemas. O governo anterior era o governo de Eduardo Campos. Foram oito anos de Eduardo Campos e oito anos de Paulo Câmara. O desgoverno era do PSB. E ele esteve na Rancho também. Logo, veja, é isso. O povo de Pernambuco cansou do PSB.

A gente tem uma governadora, uma pessoa que é mulher. Há um preconceito, de veste, inclusive deles, quando falam da mulher. E que está trabalhando. Ela tem uma termo que é muito importante. Quando ela diz: ‘Me deixe trabalhar, que eu vou fazer as entregas’. E ela está fazendo isso. Eles articularam a oposição na Alepe, na Plenário Legislativa do Estado, para não poder fazer as emendas e alocação de recursos de um lugar para outro. Mas, veja, eles fizeram isso o tempo todo. Mas, no final, ela conseguiu autenticar isso. E as obras estão na rua. Estão sendo as entregas, as creches, as estradas, os hospitais. A segurança pública não se fala. Colete, armamento, concurso público. Mais de três milénio policiais foram chamados em menos de oito meses. Logo, isso mostra que tem responsabilidade com o Estado. Eu entendo que o PSB não faz isso.”

‘Raquel mais próxima de Eduardo Campos que o próprio João’

Um dos momentos mais simbólicos da entrevista surgiu quando Osmar comparou os estilos políticos de Raquel Lyra, João Campos e Eduardo Campos. Mesmo fazendo críticas ao período de governos do PSB, o dirigente petista preservou uma diferença fundamental em relação a Eduardo: a capacidade de diálogo.

Osmar lembrou que o ex-governador conseguia erigir pontes com forças da esquerda, do meio e da direita. Para ele, Eduardo compreendia a política uma vez que um processo de formação, negociação e convívio com as divergências.
Foi justamente nesse ponto que apresentou uma confrontação particularmente dura para João.

Na avaliação pessoal de Osmar Ricardo, Raquel Lyra estaria hoje politicamente mais próxima do estilo de Eduardo Campos do que o próprio rebento do ex-governador. De pacto com ele, Eduardo Campos conversava com prefeitos, construía alianças amplas e conseguia reunir diferentes segmentos em torno de seus projetos eleitorais. Osmar alega não identificar a mesma particularidade em João.

No entendimento do petista, a capacidade de olhar para adversários e aliados, conversar e estabelecer relações políticas foi uma das marcas de Eduardo e constitui atualmente um dos pontos mais fortes da governadora.

“Eduardo era do diálogo. Eu, particularmente, no meu olhar pessoal, vejo que Raquel Lyra está em uma risca muito mais próxima do que foi Eduardo do que o próprio rebento. Porque Eduardo, quando fazia política, independentemente do lado político dele, ele dialogava e as pessoas votavam em Eduardo pelos feitos, digamos assim. As pessoas enxergavam Eduardo pelas construções que ele fazia com os prefeitos, inclusive. Eduardo juntou a esquerda, centro-direita, a direita na campanha dele de governador. E ele não consegue fazer isso, tá evidente? Ele não consegue dialogar com as pessoas olhando no olho e falando a verdade.”

Críticas ao perfil político de João Campos

Osmar relaciona segmento de suas divergências com João à própria trajetória política do socialista. Durante a conversa, recordou que Campos chegou muito jovem aos principais cargos eletivos. Foi deputado federalista e, posteriormente, prefeito do Recife, sempre amparado, nos dizeres do petista, por uma estrutura política consolidada anteriormente pelo PSB.

O vereador contrapôs esse trajectória à própria história. Osmar construiu sua militância a partir do movimento sindical e das estruturas de base do PT. Está ligado ao diretório municipal desde sua formação, presidiu a legenda no Recife em diferentes períodos, integra o Diretório Pátrio e acumula seis mandatos de vereador.

É dessa perspectiva que ele critica o que considera uma dificuldade de João em mourejar com o contraditório.
Para Osmar, falta ao socialista a disposição para o diálogo encontrada em lideranças políticas de gerações anteriores.

Foto: Reprodução/Instagram

O petista também fez críticas à ênfase de João nas redes sociais. Disse que a notícia do dedo, os vídeos e a construção de uma imagem popular não podem substituir o debate político e a interlocução direta com a sociedade. Ao tratar da questão, explicou que governar e disputar posições de maior dimensão exige mais do que popularidade nas plataformas digitais.

“Ele nunca fez um concurso público. Ele foi eleito deputado federalista com 20 anos, 21 de idade. E o mais votado de Pernambuco, entendeu? E depois se elege prefeito do Recife. E o sonho dele é fazer o que o pai dele tentou: ser presidente da República. Mas ele tem que passar pelo processo democrático popular, que é o voto, e respeitando as pessoas. Não perseguindo.

Zero mais, zero menos do que mostrar a outra face, a outra face de João Campos. Não é aquele face que se diz que gosta de diálogo, que ele não gosta de diálogo com ninguém, tá evidente? Ele é de pouca conversa, gosta de redes sociais, logo ele faz a dancinha, o passinho, né? O face do óculosinho. Mas ele tem que levar a política séria, porque a política com o socialismo que ele diz que defende, com a democracia que tem que proteger, é com o debate político, com a sociedade de veste.

O PP reivindicou a vice dele […] e ele botou o colega dele de faculdade, tirou do PSD, filiou ao PCdoB o Victor Marques […] e é o vice dele que está assumindo a prefeitura hoje, um colega de escola, de faculdade, entendeu? Não é a política, não foi uma pessoa que construiu na política o reconhecimento do povo.”

João pediu a cabeça de Osmar

Foi ao falar dos bastidores nacionais da divergência que Osmar apresentou uma das revelações mais fortes de toda a entrevista. Segundo ele, João Campos procurou a direção vernáculo do PT para pedir sua expulsão da legenda. Osmar reagiu duramente à investida.

Para o líder histórico do PT, a iniciativa demonstrou falta de saudação à sua trajetória dentro do partido e comprovou a tentativa de resolver uma divergência política por meio do ‘tapetão’, com a procura de encolhimento de uma liderança que decidiu fazer oposição.

Ao relembrar sua própria história, dimensionou o peso que possui dentro da estrutura petista. Osmar listou ter presidido o PT municipal do Recife por mais de quatro mandatos, de estar ligado à direção desde a instalação do diretório municipal e de integrar o Diretório Pátrio. Também recordou uma breve saída da legenda anos detrás, mas seguida de retorno poucos meses depois. “Não sou qualquer pessoa, sou um militante”, afirmou.

O relato não se trata de uma divergência entre João Campos e um oponente tradicional do PT. Osmar pertence à história do partido em Pernambuco e construiu décadas de atuação dentro da própria legenda que hoje mantém uma formação eleitoral com o PSB. Ao pedir sua expulsão em razão de uma divergência política, João deixou evadir a dificuldade de convívio com posições contrárias, comentou.

“Campos foi até o PT Pátrio pedir para me expulsar do PT, tá? O João Campos foi na direção vernáculo pedir para me expulsar do PT. Veja uma vez que pensa pequeno um face que é presidente de partido vernáculo. E falando com alguém que tem mais de seis mandatos. Reverência político zero. Eu saí do PT em 2012, em 2014, na verdade, por conta de uma disputa interna e tal. Depois voltei ao PT com menos de seis meses. Fui para outro partido e depois voltei ao PT. A minha volta eu discuti com a direção. Logo, não sou qualquer pessoa, sou um militante. Já fui presidente do PT, tive mais de quatro mandatos uma vez que presidente municipal do Recife. Sou dirigente desde quando fundou o Diretório Municipal do Recife. Sou membro do Diretório Pátrio.”

Relação com o PSB e acusações de perseguição

A constatação de perseguição atravessou diferentes momentos da entrevista. Osmar afirmou que sua experiência com o PSB o levou a enxergar um envolvente no qual haveria pouco espaço para contrapontos. Segundo ele, pessoas que discordam politicamente do grupo socialista terminam submetidas a pressões ou afastadas.

O dirigente também contestou a narrativa de integrantes do PSB de que o partido seria cândido de uma campanha coordenada de ataques.
Na avaliação dele, o que ocorre é, na verdade, o contrário.

Osmar citou ações judiciais e disputas envolvendo páginas, blogs, jornalistas e produtores de teor críticos ao grupo socialista e afirmou que existe uma tentativa de impedir a circulação de denúncias e questionamentos. Ao tratar desses acontecimentos, sustentou que as críticas direcionadas à gestão municipal devem ser analisadas a partir de documentos e investigações conduzidas por órgãos competentes, citando Tribunal de Contas, Ministério Público e estruturas policiais.

Foto: Reprodução/Instagram

“Vários blogs estão sofrendo, blogs que acusam ele, blogs que seguem ele. Estão sendo bombardeados por eles nas redes sociais, para derrubar o Instagram das pessoas. Eles entram com ações contra as blogueiras, várias blogueiras cá no Estado de Pernambuco. Logo, quem é que persegue o povo? São eles. Eles não querem que seja divulgada a verdade contra eles. Porque ninguém fala patranha, tudo está no Tribunal de Contas, Ministério Público, Polícia Federalista, a DRACO, Polícia Estadual. Logo, não tem patranha, não tem invenção de ninguém. Tudo que é falado, tudo que está sendo denunciado, tem… Ele tem culpa no cartório, entendeu? Logo, ele tem que rematar com isso de estar botando no pescoço dos outros o que ele está fazendo contra as pessoas. Eu posso proferir: eu fui do lado de lá, conheço muito o PSB, sei quem são eles. Demorei a ajustar.”

Retiro de antigas lideranças socialistas

O líder histórico do PT também chamou atenção para o encolhimento de quadros históricos do próprio PSB.
Segundo ele, personagens que participaram da construção e do propagação político da {sigla} em Pernambuco perderam espaço nos últimos anos.

Osmar afirmou manter contato com algumas dessas lideranças e disse ouvir relatos de dificuldades de relacionamento e de falta de preâmbulo para debates internos. A renovação geracional, alega, não deveria resultar no desistência da experiência acumulada pelos personagens que ajudaram a erigir um partido.

Nesse paisagem, voltou a estabelecer uma diferença com a cultura política que diz ter sabido ao longo de décadas no PT pernambucano, marcada, segundo ele, pela presença do movimento sindical, pela militância de base e por intensas divergências internas, mas também pela discussão entre diferentes correntes.

“Todos os caras do PSB mais macróbio estão afastados do PSB. Porque ele afastou do governo, afastou da política, afastou de tudo. E agora invocar as pessoas antigas, que foram as caras responsáveis pelo propagação do PSB em Pernambuco, é um recta, tá? É o recta do PSB fazer isso. Mas eu escutei muitos relatos de vários companheiros históricos do PSB, que a gente tem no dia a dia, de que é difícil a relação com eles, tá? Não querem debater, não querem enfrentar a veras do Estado hoje, da política que ele está passando hoje.”

Feridas históricas entre PT e PSB

 

A atual formação eleitoral tampouco apaga, na avaliação de Osmar, um histórico de confrontos entre os dois partidos. Durante a entrevista, ele recuperou episódios de eleições anteriores e lembrou que PT e PSB já estiveram em lados opostos de disputas importantes.

O dirigente citou mormente a eleição municipal de 2012, quando Geraldo Julio venceu a Prefeitura do Recife em meio a uma potente crise interna petista. Na leitura de Osmar, Eduardo Campos teve participação decisiva naquele processo político, que encerrou um período de governos do PT na capital e abriu caminho para a longa sequência de administrações socialistas.

Também mencionou posicionamentos do PSB durante momentos de crise vernáculo envolvendo o PT, incluindo o processo de impeachment de Dilma Rousseff, para questionar a tentativa atual de apresentar a relação entre as duas siglas uma vez que uma coligação política originário e permanente.

No entender de Osmar, há uma incoerência entre determinadas posições adotadas historicamente pelo PSB e a aproximação atual com Lula. Ele interpreta o ato uma vez que resultado de uma premência eleitoral.

“Não podemos confrontar o tamanho do PT do Recife, o PT estadual, não querendo diminuir nenhum outro partido, mas tem uma história. O que fez a gente perder a eleição foi a eleição que Eduardo Campos fez dentro do PT. Conseguiu fazer e, numa disputa interna, sobrou para o PSB um soldado de Eduardo Campos, que foi Geraldo Julio em 2012.”

‘Soldado de Lula’ exclusivamente quando interessa

O vereador pernambucano questionou o esforço de João Campos para se apresentar uma vez que um coligado próximo de Lula. Osmar recordou embates eleitorais anteriores entre PSB e PT e disse enxergar oportunismo na tentativa atual de aproximar as duas imagens.

O oração de alinhamento com Lula é turbinado, na avaliação do dirigente, no timing exato em que João carece ampliar sua base eleitoral e dialogar com um eleitorado que ultrapassa os limites tradicionais do PSB.

É também por isso que Osmar atribui tanta influência à possibilidade de Lula não comparecer ao varanda socialista no primeiro vez. Para ele, a escassez impediria que a eleição estadual fosse reduzida a uma simples reprodução da disputa vernáculo e obrigaria os candidatos a serem avaliados principalmente por suas trajetórias e propostas em Pernambuco.

“É conformidade. Em 2020, ele rasgou o leque contra o PT. […] Revoltaram contra a Dilma, lá no impeachment. Logo, é uma política que, assim, quando eu preciso, eu sou soldado do Lula hoje. O maior patrono do Lula… Está se aproveitando hoje, porque não tem hoje onde buscar o voto, não tem uma vez que mentir para o povo de Pernambuco, porque a gente está esclarecendo para o povo quem é o PSB e quem é João Campos.”

Osmar crava vitória de Raquel Lyra

Foto: Reprodução/Instagram

Quando a conversa avançou para a projeção eleitoral, Osmar não demonstrou indecisão. Afirmou ter fé na vitória de Raquel Lyra e disse enxergar totais condições para que a governadora vença ainda no primeiro vez. O petista mencionou levantamentos eleitorais que já indicariam vantagem crescente da governadora e avaliou que o início efetivo dos debates tende a ampliar essa diferença.

Para Osmar, Raquel chegará aos confrontos eleitorais munida das entregas realizadas pelo governo, enquanto João terá de responder aos questionamentos sobre sua má gestão no Recife. O dirigente aposta que o embate direto entre os candidatos será determinante para a materialização de uma vitória governista.

A campanha permitirá ao sufragista, diz ele, confrontar a imagem pública construída nas redes sociais com o histórico administrativo de cada candidato.

“Eu acho que isso hoje é o suficiente para a gente derrotar ele. Eu não tenho incerteza que Raquel vai lucrar essa eleição. O Datafolha já dá 6%, outras pesquisas já dão 9%, outras pesquisas já dão 12%. Eu não tenho incerteza que Raquel vai lucrar a eleição no primeiro vez. Eu não tenho incerteza que ela vai derrotar ele no debate. Ela está preparada, ela está em uma risca política com muita conformidade com as pessoas de Pernambuco. Logo, eu acho que isso está fazendo ela valorizar muito mais as entregas, a participação dela no movimento do povo. E eu acho que isso vem grande. Muita gente acha que a eleição vai ser apertada. Não vai ser. Tem gente que aposta nesse negócio. Eu aposto que, nas entregas da governadora, quando debutar a campanha de veste, a partir do dia 16, e começarem os debates, ele vai ser derrotado. Derrotado.”

Horizonte do PT passa pela guião do PSB

Mais do que uma preferência eleitoral circunstancial, o pedestal de Osmar a Raquel está associado a um conta sobre o porvir do próprio PT em Pernambuco. Essa, talvez, seja uma das consequências políticas mais profundas apontadas por ele ao longo da entrevista.

Osmar reconhece que existe uma coligação vernáculo entre PT e PSB e não tenta minimizar sua influência. Ainda assim, avalia que uma vitória de João Campos poderia reduzir ainda mais o espaço político dos petistas no estado pernambucano.

Segundo sua leitura, com o PSB novamente no comando do governo estadual e mantendo uma relação privilegiada com um eventual novo governo Lula, o PT-PE poderia ocupar uma posição secundária dentro de seu próprio campo político. Por isso, Osmar vê uma guião socialista sob outra perspectiva.

Para ele, um revés de João pode ser politicamente positivo para a militância, para os filiados e para a reconstrução da autonomia petista em Pernambuco. O dirigente foi formal ao declarar a guião do socialista João Campos abriria uma novidade lanço para o partido.

“O PT tem uma coligação vernáculo com o PSB, tá? A gente não pode proferir que isso não é real, isso é real. Agora, tem muitas pessoas hoje que vão votar em Raquel, que fazem política para não ver o PSB novamente no poder. Vamos proferir que Lula se reeleja, que eu tenho certeza que vai se reeleger, e vamos supor que ele ganha essa eleição. O PT Pernambuco não ia valer zero, porque ele ia estar lá, junto do governo, tendo as informações privilegiadas e passando para o segundo partido dos trabalhadores. Eu tenho certeza que a guião dele vai fazer muito aos militantes filiados do PT, simpatizantes do PT e ao povo pernambucano também. A guião dele vai ser a melhor coisa para Pernambuco, porque ele não vai poder perseguir ninguém. Eles se tornam de vítima. A vítima cá é o povo de Pernambuco. E eu acho que isso vai ser demonstrado logo, logo, quando debutar de veste a campanha.”

PT pode voltar a ter candidatura própria no Recife

Foto: Reprodução/Instagram

A reorganização imaginada por Osmar não se limita ao cenário estadual. Ele acredita que o resultado da atual disputa poderá influenciar diretamente as próximas eleições municipais na capital Recife. Caso João não consiga chegar ao governo de Pernambuco, Osmar avalia que o PT poderá restaurar espaço para discutir uma candidatura própria à Prefeitura recifense.

O Partido dos Trabalhadores já governou o Recife, mas perdeu o comando municipal para o PSB em 2012 e nunca mais retornou ao poder.
Osmar defende um PT novamente disposto a apresentar diretamente à população seu projeto de cidade.

Na visão dele, isso recuperaria características que considera fundamentais na história petista: diálogo com os bairros, participação popular, valorização dos trabalhadores e discussão pública sobre a emprego dos recursos arrecadados. Ele também defende que a população tenha maior participação na definição das prioridades orçamentárias.

“Dialogar com o povo, ouvir o povo, valorizar o povo”, mencionou ao justificar o padrão que gostaria de ver novamente protagonizado pelo PT.

“A gente está firme. Eu acho que a gente vai poder ter candidatura própria se João Campos não se escolher governador, que ele não vai se escolher. Logo o PT no Recife pode ter candidato a prefeito e disputar uma eleição, mostrando o que a gente, o PT, sabe fazer. Dialogar com o povo, ouvir o povo, valorizar o povo, para que o povo opine onde vai gastar o moeda que é arrecadado por eles, que é pago por eles, onde deve ser gasto. Não de forma aleatória, com aditivos, obras inacabadas. Isso aí é que não pode ocorrer mais nem no Recife e nem mais em Pernambuco.

Em Pernambuco isso foi oferecido um basta três anos e meio detrás, quando Raquel assume e toma essa liderança, organiza o Estado, as contas do Estado, bota as coisas em dia para poder ter empréstimo. Tem que botar as contas em dia. Logo não é qualquer coisa. Ela trabalhou muito, a gente sabe disso. O projeto não sai do papel andando. Sai porque tem ideias, tem diálogo com as pessoas, com os prefeitos, com os deputados, e assim anda. Logo eu acho que a guião dele vai ser muito importante.”

Disputa que vai além da eleição

Ao final de uma conversa que percorreu a relação de Lula com o varanda pernambucano, a gestão do Recife, a subida de Raquel Lyra, os conflitos internos do PT e décadas de convívio entre petistas e socialistas, Osmar deixou evidente que enxerga a atual disputa uma vez que um pouco maior do que uma simples escolha entre dois candidatos.

Pernambucano, nascido na dez de 1960 e formado politicamente em uma geração que acompanhou de perto a reorganização da esquerda no estado, a consolidação do PT e as diferentes fases de subida do PSB, Osmar entende que está em jogo também uma novidade interdependência de forças na terreno dos altos coqueiro.

De um lado, o PSB tenta restaurar o comando estadual depois de um longo período de preeminência, interrompido pela eleição de Raquel Lyra. De outro, setores petistas representados por Osmar enxergam justamente em uma guião a possibilidade de o PT restaurar autonomia, musculatura e protagonismo próprios no estado.

Mesmo permanecendo no PT e na estrutura vernáculo, ele procura manter as raizes no estado e, por consequência, reivindica uma trajetória que foi construída ao longo de décadas dentro da legenda. Ao mesmo tempo, decidiu se contrapor publicamente à coligação firmada pelo próprio partido em Pernambuco, sustentando que a preservação dos interesses históricos do PT não necessariamente passa pela perenidade do projeto estadual do PSB.

Sua aposta é que o partido pode transpor politicamente maior caso deixe de orbitar em torno do ‘projeto amarelo’ no estado. Logo, uma guião de João Campos não encerraria exclusivamente uma disputa eleitoral, mas tenderia a transfixar caminho para uma reorganização mais profunda do campo político pernambucano e, particularmente, do espaço ocupado pelo PT dentro dele.

Osmar Ricardo acredita que esse novo ciclo permitiria ao partido restabelecer um projeto próprio, inclusive no Grande Recife, retomando uma tradição de candidaturas competitivas e de governos municipais que marcou a presença petista na política pernambucana antes de o PSB assumir o comando da capital.

No fechar da entrevista, voltou a proteger uma política baseada no diálogo, na participação popular e na capacidade de construção com prefeitos, parlamentares, trabalhadores e diferentes setores da sociedade. Dentro desse tabuleiro político, situam suas principais diferenças em relação a João Campos e, ao mesmo tempo, sua aproximação circunstancial com Raquel Lyra.

Depois de décadas de militância no PT, seis mandatos na Câmara do Recife, sucessivas passagens pela direção municipal e participação no Diretório Pátrio, a posição assumida por Osmar pode ser entendida menos uma vez que uma ruptura com sua trajetória e mais uma vez que resultado dela. Sua resistência à coligação com João Campos carrega também uma disputa pelo espaço que o próprio PT construiu em Pernambuco e que, ao longo dos anos, acabou reduzido diante dos preeminência alcançada pelo PSB e pelas forças políticas reunidas em torno das famílias Arraes e Campos.

A sua escolha, oferecido a isso, ultrapassa o pedestal a Raquel Lyra ou a oposição a João Campos, por almejar o lugar que o PT pretende ocupar no porvir político de Pernambuco para as próximas gerações, e ver se a {sigla} continuará uma vez que segmento de uma formação liderada pelos socialistas ou se voltará a disputar, em nome próprio, o protagonismo que já exerceu no estado e, sobretudo, na capital.

https://www.conexaopolitica.com.br/restrito/exclusivo-lider-historico-do-pt-quebra-o-silencio-crava-derrota-de-joao-campos-e-diz-que-lula-nao-subira-em-palanque-no-1o-turno-em-pernambuco//Manadeira/Créditos -> CONEXÃO POLÍTICA

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