A Polícia Federalista (PF) instaurou 57 inquéritos entre 2023 e 2025 para apurar supostos crimes contra a honra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento, concluído em dezembro do ano pretérito, aponta propagação progressivo no número de investigações: 20 em 2023, 12 em 2024 e 25 em 2025.
Os casos envolvem situações diversas, que vão desde pessoas que gritaram “Lula ladrão” em locais públicos até episódios considerados inusitados, uma vez que o de um militar que nomeou uma rede de wi-fi com a mesma frase. Todos os procedimentos tramitam sob sigilo, conforme prevê a legislação aplicável a esse tipo de investigação.
Em nota, o Ministério da Justiça informou que analisa a “conveniência e a oportunidade de se requisitar a promoção da ação penal” antes de encaminhar os pedidos à Polícia Federalista. Segundo a pasta, a requisição ministerial tem a função de “autorizar o livre desempenho das competências constitucional e permitido das instituições do Sistema de Persecução Penal”.
Montagem de “Zé Pilantra” e rede “Lula Ladrão”
Entre os casos analisados, um dos mais peculiares envolveu montagens que circularam nas redes sociais nas quais Lula era chamado de “Zé Pilantra”, em referência à entidade Zé Pilintra, associada a religiões de matriz africana. A investigação tramitou por diferentes órgãos entre julho de 2024 e dezembro de 2025, quando acabou arquivada.
A apuração teve início a partir de uma denúncia feita pelo ducto virtual do Disque 100, inicialmente enquadrada uma vez que provável intolerância religiosa. A imagem mostrava uma pessoa ajoelhada diante de uma figura com o rosto de Lula, acompanhada da frase: “Não cobre o IPVA do meu celta, Zé Pilantra”.
Em Mato Grosso do Sul, a PF ouviu o varão que compartilhou a imagem. Ele se declarou conservador e crítico da esquerda, mas negou intenção de ofender religiões. O Ministério Público Federalista (MPF) decidiu pelo arquivamento, sustentando que o presidente da República está sujeito a maior exposição pública e, portanto, deve ter maior tolerância a críticas e cobranças.
Outro incidente ocorreu em agosto, durante uma reunião na 17ª Brigada de Infantaria de Selva, em Porto Velho (RO), quando a equipe de segurança presidencial identificou uma rede wi-fi denominada “Lula Ladrão”. O sinal partia do celular de um policial militar, que foi convidado a se retirar do sítio por conta da “conotação ofensiva e potencialmente atentatória à imagem” do presidente.
Abordagens depois xingamentos
Em pelo menos três episódios, o governo federalista determinou a início de investigações depois pessoas supostamente gritarem “Lula ladrão” nas proximidades do veículo presidencial ou em locais onde o presidente estava presente.
Em São Paulo, agentes da PF identificaram a placa de um veículo e foram até a residência de uma mulher que teria xingado o presidente com o uso de um microfone, de dentro de um carro. Ela compareceu à delegacia e afirmou que agiu “por impulso”, dizendo não imaginar que a situação teria consequências legais.
Já em Escrutínio (MG), um varão foi abordado pela segurança presidencial e orientado à Superintendência da PF, réu de invocar Lula de “ladrão”. Em prova, ele negou a ofensa e afirmou que unicamente reclamava do congestionamento causado pelo comboio presidencial.
Outros casos e arquivamentos
O próprio presidente solicitou investigação depois o envio de um áudio em grupo de WhatsApp no qual uma mulher ameaçava “pegar um revólver e furar ele todo na projéctil”. Em outro caso, uma mulher foi investigada depois se aproximar da residência de Lula, em São Paulo, em dezembro de 2024, portando cartazes críticos ao presidente e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federalista (STF). Durante a abordagem, ela teria ofendido um policial com frase de cunho racial, resultando em denúncia do MPF por injúria racial.
Diversos inquéritos acabaram arquivados pela Justiça Federalista. Em um deles, o influenciador Pablo Marçal declarou que Lula teria desviado mais de R$ 1 trilhão. O MPF entendeu que se tratava de sátira política, distinguindo-a de atos destinados a caluniar ou difamar.
Outro arquivamento ocorreu em outubro, envolvendo seis integrantes do MBL, que gritaram “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão” durante evento em Osasco (SP). Na decisão, o MPF ressaltou o contexto de potente polarização política e a urgência de observância da proporcionalidade.
Entre as investigações ainda em curso, há uma que tem uma vez que cândido o ex-presidente Jair Bolsonaro, por supostamente compartilhar mensagem em grupo de WhatsApp associando Lula ao ex-ditador sírio Bashar al-Assad e à realização de pessoas LGBTQIA+.
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