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A empresa explicou que o desempenho negativo resultou de uma combinação de fatores: falta de alguns produtos nas prateleiras, um efeito tributário de natureza temporária, consumo mais fraco e mudanças em regras comerciais e contratos de franquia que impactaram as vendas durante o período.
Lucro líquido desmorona e decepciona analistas
No consolidado, o lucro líquido da Natureza entre abril e junho ficou em somente R$ 35 milhões — uma queda de 92% frente aos R$ 196 milhões registrados um ano antes. O resultado também ficou muito aquém dos R$ 137 milhões projetados pelo Citi.
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A receita totalidade acompanhou a tendência de baixa. A companhia faturou R$ 5,17 bilhões no trimestre, o que representa uma retração de 9,1% em relação ao segundo trimestre do ano anterior. O peso do mercado brasílico, que responde por parcela relevante dos negócios, foi determinante para esse recuo.
Desempenho operacional surpreende positivamente
Se o lucro decepcionou, o resultado operacional trouxe qualquer refrigério. O Ebitda (resultado antes de juros, impostos, desdoiro e amortização) somou R$ 620 milhões. Embora tenha recuado 5,9% em um ano, o número superou a estimativa de R$ 557 milhões feita pelo Citi.
A geração de caixa também se manteve saudável: foram R$ 342 milhões no trimestre. Aliás, a relação entre dívida e resultado operacional caiu ligeiramente, atingindo 2,06 vezes.
Na prática, a Natureza demonstrou capacidade de controlar despesas e preservar recursos financeiros mesmo diante de vendas em queda. No entanto, essa eficiência não foi suficiente para ressarcir a poderoso retração da receita, o que resultou na expressiva redução do lucro.
América Latina de língua espanhola compensa secção das perdas
Fora do Brasil, o quadro foi consideravelmente mais favorável. Nos mercados latino-americanos de língua espanhola, a receita alcançou R$ 2,1 bilhões — praticamente inabalável em reais, mas com incremento de 7,2% quando desconsiderada a variação cambial.
A rentabilidade da região impressionou ainda mais. O resultado operacional subiu 92,7%, chegando a R$ 160 milhões. A margem operacional, que indica quanto da receita se converte em resultado, saltou de 4% para 7,6%.
Esse progressão está ligado principalmente à redução de despesas administrativas e à reorganização das operações regionais. A melhora é estratégica para a Natureza, que nos últimos anos vem simplificando sua estrutura corporativa, concentrando esforços na América Latina em seguida vender ativos e desistir operações consideradas menos prioritárias.
Próximos passos definirão o rumo da companhia
O balanço escancara um cenário dúbio: de um lado, uma empresa mais enxuta e eficiente; de outro, um Brasil que ainda não voltou a entregar incremento. A companhia precisará resolver os gargalos de aprovisionamento, ajustar sua novidade política mercantil e, ao mesmo tempo, reconquistar um consumidor visivelmente mais cauto nos gastos.
O terceiro trimestre será decisivo para indicar se a queda nas vendas brasileiras foi somente um tropeço pontual ou sinaliza uma dificuldade estrutural mais persistente. Por ora, o retrato é de uma Natureza menor, capaz de gerar caixa, mas ainda à procura de uma trajetória consistente de incremento.
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