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A economista Jucelia Lisboa, da consultoria Siegen, especializada em regeneração de empresas, identificou três sinais inequívocos de que o Brasil se aproxima de uma novidade crise econômica. Não são projeções pessimistas. São dados. Números. Fatos que o governo prefere não comentar enquanto o presidente Lula percorre o país em campanha pela reeleição prometendo mais gasto, mais Estado, mais misericórdia com o quantia alheio.
Primeiro sinal: a dívida pública fora de controle.
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Quando Lula tomou posse do terceiro procuração, em 2023, a dívida bruta do governo federalista equivalia a 72% do PIB. Em questão de meses, saltou para 82%. É o maior patamar da história em tempos de normalidade — só superado pelos 88% atingidos no auge da pandemia de Covid-19, quando o mundo inteiro estava parado.
Mas há um pormenor.
Em 2020, havia uma pandemia. Agora, não há. Há exclusivamente um governo que gasta mais do que arrecada e se recusa a fazer o ajuste fiscal que qualquer economista sério recomenda. A própria equipe econômica de Lula — aquela que deveria ser o freio de mão — já admite que a dívida pode chegar a 87% do PIB em 2029. E isso no cenário otimista.
Os efeitos práticos já são visíveis. A escassez de recursos obriga o governo a contingenciar despesas discricionárias. Agências reguladoras reduzem expediente, fiscalização e emissão de licenças. Sem licença ambiental, sem autorização sanitária para medicamentos, sem zero que permita a engrenagem econômica remoinhar. O Estado, inchado e faminto, começa a lamber o próprio funcionamento.
E é aí que a história complica.
Segundo sinal: a inadimplência batendo recordes históricos.
Mesmo com geração de serviço e desenvolvimento da renda — dois indicadores que o governo exibe com orgulho em toda oportunidade —, o número de brasileiros e empresas incapazes de honrar suas dívidas não para de crescer. Segundo a Serasa Experian, julho registrou quase 84 milhões de consumidores inadimplentes. É o maior número de toda a série histórica. São 84 milhões de pessoas que devem e não conseguem remunerar.
No mundo corporativo, o cenário é também desolador: 9,1 milhões de empresas estão sem condições de quitar seus compromissos financeiros. Também um recorde.
A pergunta que ninguém faz é simples: se a economia vai tão muito quanto o governo diz, por que tanta gente está quebrada?
Terceiro sinal: a explosão das recuperações judiciais.
Segundo a consultoria RGF, o Brasil contava com 6.341 empresas em recuperação judicial em junho — um aumento de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior. Empresas que recorrem à Justiça para não fechar as portas. Empresas que, em tese, deveriam estar surfando a vaga do desenvolvimento econômico alardeado pelo Planalto.
Não estão.
Uma vez que observa Jucelia Lisboa, “os indicadores mostram uma economia que continua crescendo, porém sustentada por vetores que apresentam fragilidades crescentes”. Em linguagem direta: o desenvolvimento é de frontaria. Por inferior, as fundações estão rachando.
Volver essa trajetória, segundo a economista, depende de estabilidade fiscal, trajetória dos juros, evolução do crédito e da capacidade das empresas de operar num envolvente de capital mais custoso. Ou seja, depende de tudo aquilo que o governo atual não está fazendo — e não demonstra a menor intenção de fazer.
Lula não quer trinchar gastos. Não quer reformar. Não quer ouvir o mercado. Quer gastar, repartir e colher votos. O ajuste fiscal, esse vilão impopular, fica para o próximo governo. Ou para o próximo sinistro.
Delfim Netto também dizia que, sempre que está à margem do barranco, o Brasil dá um passo detrás. Pode ser. Mas desta vez, com a dívida a 82% do PIB, 84 milhões de inadimplentes e milhares de empresas implorando à Justiça para sobreviver, convém perguntar: ainda há espaço para esse passo?
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https://www.contrafatos.com.br/o-abismo-fiscal-se-aproxima-e-lula-finge-nao-ver//Manancial/Créditos -> CONTRA FATOS
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