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A conferência inicial entre Abelardo de la Espriella e o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, não partiu da oposição colombiana. Partiu do próprio Espriella, que ao longo da campanha declarou pasmo pelo dirigente salvadorenho e transformou a semelhança num argumento de voto: se Bukele reduziu os homicídios de El Salvador dos patamares mais altos do mundo para níveis comparáveis aos da Europa Ocidental em menos de três anos, o protótipo poderia funcionar na Colômbia, dizia o jurisconsulto e empresário.
Bukele construiu a maior prisão das Américas, com capacidade para 40 milénio detentos, e governou com maioria absoluta no Congresso depois as eleições de 2021, o que lhe permitiu concentrar poderes de forma inédita na região. Espriella, por sua vez, chegará ao Palácio de Nariño com um Congresso fragmentado onde seu movimento, Defensores da Pátria, tem bancada reduzida, o que torna qualquer reforma estrutural dependente de negociação com partidos que não o apoiaram nas urnas. O protótipo Bukele pressupõe uma arquitetura de poder que Espriella ainda não tem e precisará erigir.
Narco e Farc
O problema de segurança colombiano é qualitativamente dissemelhante do salvadorenho. El Salvador enfrentava gangues urbanas, o MS-13 e o Barrio 18, sem estrutura territorial rústico e sem capacidade militar sofisticada. A Colômbia convive com o Tropa de Libertação Pátrio, o ELN, que opera no noroeste do país com vínculos ativos com o governo venezuelano de Nicolás Maduro, e com dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc, organizações com décadas de presença territorial, rotas de narcotráfico e capacidade de resistência militar que nenhum presídio, por maior que seja, resolve sozinho.
Ainda assim, o que Espriella pode replicar com eficiência é o diagnóstico político que catapultou Bukele, uma vez que a teoria de que negociação com grupos criminosos é capitulação e que resultado visível em segurança gera capital político rapidamente. Sob Petro, a “silêncio totalidade” produziu o efeito inverso. Acordos descumpridos, violência em disparada em departamentos que deveriam estar pacificados e uma população que foi às urnas com a percepção de que a estratégia de negociação havia falhado. Durante toda a agenda de campanha, Abelardo capitalizou exatamente esse fracasso.
Milei na economia
No campo econômico, a referência é Javier Milei, não Bukele. Espriella propõe trinchar até 40% da máquina pública, varar impostos sobre investimentos e retomar o fracking, política que Petro havia encerrado uma vez que secção de sua agenda ambiental. O petróleo representa mais de 35% das exportações colombianas, segundo o Fundo Monetário Internacional, e a restrição ao setor agravou o desequilíbrio fiscal que o novo governo herda.
https://www.conexaopolitica.com.br/internacional/por-que-abelardo-e-chamado-de-bukele-da-colombia//Manadeira/Créditos -> CONEXÃO POLÍTICA
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