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Recebia visitas políticas porquê quem despacha de um gabinete. Escrevia cartas sem repreensão. Designou Fernando Haddad porquê candidato à Presidência da República — do xilindró.
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Jair Bolsonaro, recluso, foi impedido de ver o próprio rebento Flávio por 90 dias.
A pergunta que ninguém faz é simples: qual critério jurídico transforma a quartinho de um recluso em escritório político e a de outro em confinamento solitário?
O desfile na quartinho de Curitiba
A lista de visitantes que passaram pela quartinho de Lula em Curitiba é um retrato da fala política que nunca parou. Ao menos 15 aliados tiveram aproximação ao recluso, segundo os registros disponíveis.
Nomes do PT: Gleisi Hoffmann, Wellington Dias, Camilo Santana, Jaques Wagner, Rui Costa, Fátima Bezerra. De fora do partido: Manuela d’Ávila (PCdoB), Guilherme Boulos (PSOL), Renan Calheiros (MDB), Roberto Requião (MDB), Jandira Feghali (PCdoB). Até políticos argentinos, porquê Alberto Fernández e Pérez Esquivel, desfilaram por ali com autorização judicial.
E quem abriu as portas para esse vai-e-vem? O ministro Ricardo Lewandowski, que anos depois seria recompensado com o Ministério da Justiça no governo Lula.
Não é coincidência. É padrão.
E há um pormenor que merece destaque privativo: Flávio Dino, hoje ministro do STF, visitou Lula na prisão em maio de 2019, quando era governador do Maranhão. O mesmo Flávio Dino que agora integra a golpe que define os limites da Justiça no país. A toga muda, mas as lealdades parecem permanecer intactas.
Motta e a cenoura que Lula recolheu
Enquanto o pretérito expõe a seletividade no tratamento dos presos, o presente revela a engenharia política que Lula opera com maestria — mesmo sem precisar de uma quartinho para isso.
A suposta “neutralidade” do Republicanos na disputa pelo Planalto tem nome e sobrenome: Hugo Motta. O presidente da Câmara, filiado ao partido, foi convicto por Lula a arrancar essa posição do Republicanos em troca de uma promessa — suporte ao pai de Motta para o Senado.
O objetivo era simples: dar um “tiro de inquietação” em Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e filiado ao Republicanos.
Funcionou. Lula conseguiu o que queria.
E a promessa? Recolhida. O pai de Motta ficou sem o suporte. A cenoura cumpriu sua função e voltou para o bolso.
Deputados do PL chamam a jogada de “rasteira”. Políticos do próprio Republicanos confirmam o papel de Motta na manobra. Mas o presidente da Câmara segue navegando entre as acusações de submissão a Lula e sua relação com o deputado Marcos Pereira, presidente do Republicanos — o mesmo Pereira que tirou Motta do grave clero quando percebeu que não teria suporte de Lula para suceder Arthur Lira.
O padrão se repete: quem se aproxima do poder petista sobe. Quem se afasta, some.
Dois presos, duas medidas
A frase de Rogério Marítimo sintetiza tudo: “O contraste é evidente.”
Evidente demais, na verdade. Evidente a ponto de ser constrangedor para quem insiste que a Justiça brasileira opera com uniformidade. Lula recluso escrevia cartas, recebia candidatos, articulava alianças e definia os rumos de uma campanha presidencial. Bolsonaro recluso não pode abraçar o rebento.
Se existe um critério técnico, jurídico e objetivo que explique essa diferença, ele permanece escondido detrás de decisões opacas e conveniências políticas travestidas de legitimidade.
A lei, dizem, é igual para todos. No Brasil, porém, essa paridade parece depender do lado em que você está — e de quem assina a autorização judicial.
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https://www.contrafatos.com.br/lula-preso-mandava-no-pt-da-cela-bolsonaro-nao-pode-nem-ver-o-filho//Nascente/Créditos -> CONTRA FATOS
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