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Enquanto Lula gasta capital político, tempo de entrevista e vontade retórica atacando o ocupante da Lar Branca, Trump segue tocando sua agenda — tarifas, designação de organizações terroristas, cobranças sobre rotas marítimas — sem parecer minimamente preocupado com o que dizem em Brasília.
E é aí que a história complica.
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O levantamento do Poder360 mostra que a primeira sátira de Lula a Trump veio em 18 de janeiro de 2023, quando o republicano sequer estava na Presidência. Joe Biden governava os Estados Unidos. Mesmo assim, Lula sentiu urgência de ir à GloboNews avisar que “a gente não pode voltar à anormalidade que o Trump criou nos EUA”.
Trump nem era presidente. E já era o vilão preposto do petista.
A escalada dos números é grandiloquente. Em 2025, com Trump de volta à Lar Branca, Lula fez ao menos 15 críticas públicas ao americano. Nos seis primeiros meses de 2026, esse número saltou para 42. Quase uma sátira a cada três dias.
A pergunta que ninguém faz é simples: isso funciona?
Porque os resultados concretos dessa estratégia de confronto verbal são, no mínimo, questionáveis. As tarifas americanas sobre produtos brasileiros não recuaram — aumentaram. O Departamento de Estado classificou o PCC e o Comando Vermelho uma vez que organizações terroristas, decisão que irritou profundamente o Itamaraty. E o Escritório do Representante de Transacção dos EUA sugeriu uma novidade tarifa suplementar sobre exportações brasileiras, cuja decisão final pode trespassar a qualquer momento.
Cada sátira pública de Lula a Trump foi seguida não por concessões americanas, mas por novas pressões. O padrão é evidente: Lula fala, Trump age.
Mas há um pormenor.
A sintoma mais recente do presidente brasílico veio na segunda-feira, 13 de julho, quando Lula chamou de “pirataria” a cobrança anunciada pelos EUA para embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz. “Antigamente, isso se chamava pirataria”, disse, acrescentando que “não é geral, normal, democrático” lucrar com a segurança de rotas marítimas.
Pirataria. Vindo do presidente de um país que não consegue impedir que duas facções criminosas — agora classificadas uma vez que terroristas pela maior potência do planeta — controlem presídios, rotas de tráfico e territórios inteiros.
Agora compare.
Lula dedica 62 pronunciamentos públicos para criticar o presidente de uma pátria com a qual o Brasil mantém relações comerciais vitais. Mas quantas vezes dedicou a mesma vontade retórica para criticar Maduro? Para desaprovar o regime cubano? Para questionar as violações de direitos humanos na Nicarágua de Ortega?
A seletividade é o cartão de visitante dessa política externa. Trump é atacado porque é politicamente profíquo atacá-lo. Ditadores aliados recebem o tratamento diplomático reservado a parceiros respeitáveis.
O problema de fundo não é diplomático — é estratégico. Um presidente que transforma o líder da maior economia do mundo em seu oponente retórico predilecto não está fazendo política externa. Está fazendo política interna para a sua base, com dispêndio cobrado em dólar, em tarifas e em isolamento mercantil.
A diplomacia séria se faz nos bastidores, com pragmatismo e resultados mensuráveis. A diplomacia de tribuna se faz com frases de efeito que agradam militantes e irritam parceiros comerciais.
Lula escolheu a segunda opção. Sessenta e duas vezes.
E a conta, uma vez que sempre, não chega ao Palácio do Planalto. Chega ao exportador, ao produtor, ao trabalhador brasílico que depende de um mercado que o próprio presidente insiste em provocar.
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https://www.contrafatos.com.br/62-criticas-e-contando-a-obsessao-de-lula-por-trump-que-o-republicano-nem-se-da-ao-trabalho-de-retribuir//Natividade/Créditos -> CONTRA FATOS
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