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Esculachado pelos seus pares quando votou pela remissão de Jair Bolsonaro no julgamento da “trama golpista”, o ministro Luiz Fux deu o troco ontem, em meio ao clima de trinchar com faca no STF.
Durante o julgamento que definirá se a eleição para o mandato-tampão de governador do Rio de Janeiro será direta ou indireta, sucederam-se comentários de Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Flávio Dino a reverência da situação degradante da política fluminense, na qual não há governador recente que não tenha sido recluso ou forçado a transpor do função.
O decano chegou a declarar que o diretor da PF o informou de que “32 ou 34 parlamentares da Tertúlia (Legislativa fluminense) recebem mesada do jogo do bicho”. E ele completou: “Estamos vivendo esses episódios a toda hora; Deus tenha piedade do Rio de Janeiro”.
Carioca com muito orgulho, muito sotaque e muitas amizades na sua cidade natal e no estado do qual ela é capital, Fux sentiu-se na obrigação de tomar as dores dos políticos fluminenses — e aproveitou para fazê-lo atirando areia no ventilador.
O ministro disse que as falas dos ministros comentaristas foram “revelação de profundo descrédito em relação ao Rio de Janeiro de forma generalizada” e prosseguiu:
“Eu até credito que muitos assim o fizeram, porque ingressaram no Supremo Tribunal Federalista em estação ulterior, mas essa perplexidade não seria tão grande se colegas tivessem participado do julgamento do mensalão, do julgamento da Lava Jato, desse julgamento agora do INSS e do Banco Master, porque os escândalos não são concentrados no estado do Rio de Janeiro. Há bons políticos no estado do Rio de Janeiro, que representam o estado na Câmara Federalista. São excelentes políticos. De sorte que se esses políticos tiverem que ir para o inferno, eles vão acompanhados de altas autoridades.”
A leste colunista cabem somente duas observações.
A primeira é que, de vestimenta, não deixa de ser pitoresco que um ministro enredado com Daniel Vorcaro e que faz de tudo e muito mais para salvar a própria pele, muito uma vez que colegas que o defendem com unhas, dentes e canetas que ultrapassam as linhas do Poder Judiciário sintam ter espírito pura o suficiente para tecer considerações escandalizadas sobre a imoralidade alheia.
A segunda reparo é uma constatação prosaica, mas nem por isso desimportante: o troco de Fux, ontem, indica que ele será mesmo favorável à aprovação da preâmbulo de investigações contra Moraes e Dias Toffoli, no contextura do caso Master, se o plenário do STF for chamado a determinar sobre o objecto. Aparentemente, a depender de Fux, o inferno não serão somente os outros para os excelentíssimos companheiros de tribunal.
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