A própria Roberta detalhava a estrutura do trio em conversas com terceiros. Em 2024, disse a um empresário: “Fui das poucas pessoas q o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer permanecer. (…) Eu disse: aonde eu tô. Na minha sociedade com Fábio e Fernando. (…) Tô em missão nenhum e ando onde quero”. Em outro trecho, reforçou a união do grupo: “Fefe (Fernando Bittar), Fábio e eu somos uma coisa só. Se um fala vai, tds (todos) vão. A gente é mesmo irmão”.
Sobre o papel exercido por Lulinha, ela foi direta: “Fábio não faz zero. Ele só entra em campo qdo (quando) precisa. Tem q se preservar”. O trio se comunicava por um grupo de WhatsApp chamado “Musaranhos” — nome de um mamífero semelhante a um rato. Nele, Lulinha e Fernando Bittar eram chamados de “Musos”, enquanto Roberta era a “Musa”.
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Canabidiol, contratos bilionários e a “costura política” no Ministério da Saúde
Entre os alvos centrais do esquema estava a regulamentação do canabidiol e a viabilização de um contrato superior a R$ 1 bilhão no Ministério da Saúde, envolvendo empresa ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, espargido porquê “Careca do INSS”. Roberta, contratada porquê consultora dele, explicava seu método de trabalho: “Eu trabalho a política via Palácio. Eu sou boa de costura política”.
Em 23 de janeiro de 2025, ela escreveu: “Ontem eu disse para Fábio: Antonio tá pressionando e acho bom vc se mexer”. Para viabilizar encontros estratégicos, o portanto director de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), agendou reunião entre Roberta e Swedenberger Barbosa (Berge), à quadra secretário-executivo da Saúde. A agenda só saiu posteriormente mediação direta de Lulinha.
No dia 6 de março de 2024, Roberta avisou: “Pousei. Vou lá no Berge”. A resposta de Lulinha foi: “Que ótimo. Vai com tudo. Manda bjo (ósculo) pro Berge e fala que não fui pq vc não chamou”. Ela ainda acrescentou: “Precisamos 100% do Berger”. Depois a reunião, Marcola recebeu a minuta de um documento que autorizava a produção de medicamentos à base de canabidiol.
No mesmo pausa de tempo, a investigação apurou que Roberta arcou com despesas pessoais de Marcola — muro de R$ 217 milénio entre fevereiro e novembro de 2024, incluindo pagamentos de cartão de crédito, boletos, financiamento de veículo e até joias de diamantes.
Dataprev, Telebras e outros tentáculos do esquema
O alcance da rede de influência não se limitava ao Ministério da Saúde. As mensagens demonstram atuação também junto à Dataprev. Roberta indagou a um empresário: “Ta indo tudo ok na Dataprev ou preciso apoucar Gabas?” — uma referência a Carlos Gabas.
Na Telebras, a lobista reclamou diretamente a Lulinha que Kalil Bittar, irmão de Fernando Bittar, estaria “vendendo vc e a grande influência dele p (para) o presidente da Telebras. Quase fechando um negócio gigante”. Diante da informação, Lulinha orientou que a versão fosse desmentida.
Malas de numerário vivo, viagens e finanças controladas por Roberta
O interrogatório também aponta circulação expressiva de numerário em espécie. Roberta dava ordens ao motorista para realizar entregas de malas com numerário vivo a diferentes destinatários, entre eles Fernando Bittar.
Durante a organização de uma viagem à África, custeada por Roberta ao dispêndio de US$ 20 milénio por pessoa, Lulinha questionou: “A gente tem grana pra bancar essas coisas?” e completou: “Vc que cuida das minhas finanças”. Em outro momento, empolgado com a perspectiva de lucro em determinado negócio, escreveu: “coisa boa paporra”.
A Polícia Federalista suspeita que valores recebidos pela empresa RL Consultoria, de Roberta, tinham porquê rumo final o próprio Lulinha. O “Careca do INSS” teria se referido ao beneficiário dos repasses porquê “o rebento do Rapaz”.
Planos de lhaneza de contas no exterior e fuga do Brasil
O relatório aponta ainda interesse em constituir empresas e contas bancárias em jurisdições de difícil rastreamento. Em janeiro de 2025, Roberta escreveu que precisava destravar negócios porque “As coisas irão suceder pq eu tenho q tirar o Fábio e família do país até junho”. De traje, Lulinha se mudou posteriormente para Madri.
Em outro diálogo, a lobista sintetizou sem meias palavras o risco envolvido na empreitada: “Ou a gente vai permanecer milionário ou vamos nos f… grande”.
Resguardo nega envolvimento; investigação segue
O interrogatório da PF aponta indícios de depravação e tráfico de influência. Por meio de seu jurista, Lulinha nega qualquer envolvimento com negócios ligados à governo pública e atribui as suspeitas ao “peso do sobrenome”. Roberta Luchsinger, Fernando Bittar e os demais citados seguem sendo investigados.
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https://www.contrafatos.com.br/lobista-socia-de-lulinha-queria-r-100-milhoes-em-um-ano-e-debochava-sou-modesta//Natividade/Créditos -> CONTRA FATOS
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