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O incêndio supera os grandes eventos de 2022 na mesma região e é classificado uma vez que o mais devastador em meio século. Desde o início do ano, a França já perdeu quase 98 milénio hectares para incêndios florestais — um recorde histórico, segundo o ministro do Interno, Laurent Nuñez.
Mobilização militar e resposta do governo
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu declarou que o país enfrenta uma situação sem precedentes e determinou o envio de um avião militar de transporte para concordar as operações de combate. Na sexta-feira (24), o presidente Emmanuel Macron — que já demonstrou tanta preocupação com a floresta amazônica brasileira, mas agora vê seu próprio território em chamas — ordenou que as Forças Armadas reforcem ao supremo as operações da Resguardo Social. O Corpo de Bombeiros de Paris anunciou o envio de equipes adicionais, em uma mobilização muito superior à observada durante os incêndios de quatro anos detrás.
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Curioso uma vez que Macron, que em 2019 questionava a soberania brasileira sobre a Amazônia, tratando-a uma vez que patrimônio da humanidade que o Brasil não saberia cuidar, agora se vê diante de um sinistro ambiental em solo gálico que bate todos os recordes do país. A ironia parece evadir do Palácio do Eliseu.
‘É o apocalipse’: o desespero nos abrigos
O Parque de Exposições de Bordeaux foi transformado às pressas em meio de guarida. Nos enormes galpões adaptados, famílias inteiras dividem espaço com idosos, crianças pequenas e moradores que chegaram somente com alguns pertences pessoais. “É o apocalipse”, resumiu ao site Franceinfo um dos moradores recebidos no lugar.
Milhares de pessoas passaram a noite no meio posteriormente novas ordens de retirada preventiva emitidas pelas autoridades. O fluxo de chegada foi ininterrupto ao longo da noite e da manhã, à medida que novas áreas eram incluídas nas zonas de evacuação.
As camas improvisadas se esgotaram rapidamente. Muitos passaram a noite em colchões espalhados pelo pavimento. Outros tentaram resfolgar sentados em cadeiras ou apoiados sobre mesas. O calor dentro dos galpões aumentava o desconforto, e filas se formavam diante dos pontos de distribuição de vitualhas, enquanto voluntários trabalhavam sem interrupção para receber novos grupos.
Relatos de exaustão e incerteza
Odile, de 90 anos, deixou sua residência acompanhada da filha. No caminho, elas recolheram um varão de 99 anos, que vive sozinho e tem deficiência visual. “Estamos completamente exaustas”, relatou a aposentada, explicando que o grupo não conseguiu resfolgar durante a noite porque já não havia mais camas disponíveis quando chegaram ao meio de guarida.
A principal manadeira de angústia, porém, é a incerteza. Muitos moradores ainda não sabem se suas casas foram atingidas nem quando poderão voltar às áreas evacuadas. Na sexta-feira (24), uma chuva de resíduos das queimadas cobriu partes de Bordeaux, reforçando a sensação de proximidade do sinistro. Em vários pontos da região metropolitana, a fumaça e a queda de cinzas já se tornaram secção da rotina.
Ameaço à economia vinícola
A Gironda abriga alguns dos vinhedos mais prestigiados do planeta, responsáveis por rótulos que fizeram de Bordeaux uma referência mundial na produção de vinho. Além da ameaço à população e às áreas florestais, o progressão das chamas preocupa uma região cuja economia depende fortemente da viticultura, do turismo e das atividades associadas ao setor.
Espanha decreta emergência pátrio inédita
Do outro lado dos Pireneus, a Espanha também enfrenta uma crise sem paralelo. Pela primeira vez, o país decretou emergência pátrio por razão do progressão das chamas. Na região de Madri, tapume de 63 milénio pessoas foram retiradas de suas casas ou receberam ordem para permanecer confinadas. Aproximadamente 5 milénio turistas foram evacuados de um camping em El Escorial, ao noroeste da capital.
O cheiro de queimado já alcançou áreas centrais de Madri, enquanto bombeiros continuam enfrentando incêndios descritos por autoridades locais uma vez que extremamente difíceis de controlar.
Segundo a porta-voz do Greenpeace na Espanha, Celia Ojeda, os incêndios atuais pertencem à categoria dos chamados incêndios de “sexta geração”, fenômeno associado à combinação entre calor extremo, seca prolongada e vegetação altamente ressecada. Ela afirmou à RFI que a quantidade de pujança produzida por esses incêndios é tão elevada que os próprios especialistas encontram dificuldades para prever seu comportamento e sua velocidade de propagação.
Ojeda destaca ainda que as sucessivas ondas de calor registradas nos últimos anos, associadas ao aumento das temperaturas noturnas e à redução da umidade do solo, criam condições favoráveis para incêndios cada vez mais intensos e difíceis de controlar.
Retiradas preventivas dividem opiniões
Uma parcela dos moradores questiona a premência das evacuações realizadas nas últimas horas. Em algumas localidades, o lume ainda estava distante quando a ordem foi emitida pelas autoridades. Odile admite que teve dificuldade para compreender a decisão — segundo ela, as chamas não pareciam simbolizar ameaço imediata para sua cidade quando recebeu a lei para transpor.
Mesmo assim, a aposentada afirma entender a lógica adotada pelas equipes de emergência. “É melhor excesso de prudência do que prudência insuficiente”, resume. Sua principal sátira recai sobre a organização do guarida: a concentração de milhares de pessoas em um único meio acabou produzindo dificuldades adicionais para quem já chegava fragilizado posteriormente horas de deslocamento e congestionamentos.
As autoridades defendem a estratégia de antecipar as retiradas para evitar situações de emergência caso os ventos alterem repentinamente a direção das chamas. Especialistas destacam que incêndios de grande intensidade podem mudar de comportamento em questão de minutos, tornando evacuações tardias muito mais arriscadas.
Alerta supremo mantido nos dois países
Os bombeiros seguem mobilizados em várias frentes da Gironda. Com uma novidade vaga de calor prevista para os próximos dias, tanto França quanto Espanha mantêm o estado supremo de alerta. As equipes de emergência permanecem mobilizadas para tentar sofrear uma crise que já se tornou uma das mais graves já registradas no sul da Europa.
As autoridades afirmam que o meio de Bordeaux não corre risco inopino, mas novas retiradas preventivas foram ordenadas durante a madrugada. O progressão das chamas em direção à extensão metropolitana levou milhares de pessoas a deixar suas casas, muitas delas sem saber quando poderão retornar.
Com informações da RFI, AFP e Franceinfo.
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https://www.contrafatos.com.br/franca-vive-apocalipse-com-maior-incendio-em-50-anos-141-mil-pessoas-retiradas-e-abrigos-lotados//Manadeira/Créditos -> CONTRA FATOS
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