Uma reportagem publicada pelo O GLOBO nesta sexta-feira (25) traz novos questionamentos sobre contratos e fornecedores ligados a obras da Secretaria Estadual das Cidades durante a gestão de Douglas Ruas.
Segundo o levantamento, a Mineração Santa Edwiges, ligada à família do deputado federal Altineu Côrtes, forneceu cerca de 300 mil toneladas de saibro e granito para obras vinculadas à secretaria no período em que Ruas comandava a pasta. Entre os projetos estão o MUVI, em São Gonçalo, obras na Avenida 22 de Maio, em Itaboraí, e a pavimentação do bairro Bom Retiro.
As três obras citadas na reportagem já consumiram, juntas, cerca de R$ 766 milhões em recursos públicos, segundo notas técnicas da própria Secretaria das Cidades. O levantamento também aponta que, durante a gestão de Ruas, ocorreram a maior parte dos pagamentos e aditivos dos contratos.
Mas o ponto que chama ainda mais atenção é outra informação revelada anteriormente: a Santa Edwiges contratou a Saur Construção, empresa ligada a Douglas Ruas, para transportar agregados minerais. De acordo com os documentos citados pelo O GLOBO e pelo Metrópoles, a empresa recebeu pelo menos R$ 1,5 milhão entre 2024 e 2025 por esse serviço.
Os envolvidos negam irregularidades. A Santa Edwiges afirma que os materiais foram fornecidos por preços abaixo da tabela da Emop e que não houve exclusividade. A defesa de Douglas Ruas afirma que a escolha dos fornecedores cabia às empresas vencedoras das licitações e nega interferência na definição dos fornecedores.
O que a reportagem coloca em discussão, portanto, é a necessidade de transparência sobre as relações comerciais entre empresas ligadas a aliados políticos e fornecedores de obras públicas. Não se trata, por si só, de uma comprovação de irregularidade, mas os vínculos financeiros descritos na investigação jornalística justificam que os contratos sejam analisados pelos órgãos de controle e que todas as relações comerciais sejam devidamente esclarecidas.






