Advocacia da Câmara emitiu parecer em 3 minutos sobre auditoria de 5 milénio páginas que investigava R$ 9 milhões em horas extras de servidores
Por ContraFatos 03/07/2026 Atualizado em 03/07/2026
Registros apontam que parecerista levou exclusivamente 180 segundos para receber e dar aval a documentação milionária envolvendo servidores do tá escalão
Um incidente que levanta sérias dúvidas sobre a diligência da Advocacia da Câmara dos Deputados veio à tona depois registros internos revelarem que um parecer sobre um processo de mais de 5 milénio páginas foi emitido em exclusivamente 3 minutos. A documentação tratava de uma auditoria envolvendo o pagamento de horas extras a 13 servidores da Morada, que acumularam muro de R$ 9 milhões sob essa rubrica desde 2016.
Cronologia revela velocidade incompatível com a complicação do caso
No dia 8 de junho, o volumoso material da auditoria foi formalmente recebido pela Advocacia da Câmara às 11h14. Segundo imagens dos logs de auditoria obtidas pela reportagem, o parecerista Arthur Batista Tavares registrou o recebimento do dedo dos autos naquele exato horário. Às 11h17 — exclusivamente 180 segundos depois — ele já havia anexado ao sistema um parecer no qual concluía pela regularidade das horas extras pagas aos servidores.
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Esse parecer serviu de base para o arquivamento sumário do caso, conforme confirmado em registro publicado no Boletim Administrativo da Câmara.
Procedimento sigiloso impediria estudo prévia
Por se tratar de um procedimento sigiloso, a Advocacia da Câmara não teria aproximação aos documentos antes que eles fossem vinculados formalmente ao sistema eletrônico. Ou seja, o corpo técnico dependia dessa formalização do dedo para iniciar qualquer avaliação do teor. Esse pormenor torna ainda mais questionável a rapidez com que o parecer foi produzido — uma estudo de 5 milénio páginas concluída em tempo recorde.
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Investigação do TCU e o esquema do ‘triplo aproveitamento’
A tramitação relâmpago na Advocacia está inserida em um contexto de crise interna na cúpula da Câmara dos Deputados. O ponto de partida foi a revelação de um suposto esquema de “triplo aproveitamento” de rubricas. Essa manobra teria permitido o pagamento de valores vultosos a um grupo reduzido de diretores, configurando o que ficou sabido porquê a ‘farra das horas extras’.
O caso está vinculado a uma investigação conduzida pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que apura as irregularidades nos pagamentos. A auditoria de mais de cinco milénio páginas faz segmento desse processo mais largo de fiscalização.
Pagamentos milionários concentrados em poucos servidores
Os dados revelam que 13 servidores do tá escalão da Câmara receberam, juntos, aproximadamente R$ 9 milhões em horas extras desde 2016. A concentração desses valores em um grupo restrito de funcionários reforça as suspeitas de que o mecanismo de remuneração extraordinária pode ter sido utilizado de forma irregular.
Apesar do parecer que atestou a regularidade dos pagamentos, a velocidade com que a estudo foi feita — 3 minutos para um processo de 5 milénio páginas — alimenta questionamentos sobre a profundidade e a seriedade da avaliação realizada pela Advocacia da Câmara.
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