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Noventa dias. Três meses para “investigar melhor” um caso que o país inteiro acompanha em tempo real.
Mas há um pormenor — ou vários.
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O conflito nasceu quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório policial com mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, possuidor do Banco Master. A resposta de Moraes não foi institucional. Foi pessoal. Acusou o colega de usar o incumbência para fins políticos e pediu que ele também fosse investigado por supostas falhas em processos ligados ao mesmo banco e ao INSS.
Dois ministros do Supremo Tribunal Federalista trocando acusações mútuas, em público, diante de câmeras. Isso não é crise institucional. É colapso.
E é aí que a história complica.
Gilmar Mendes propôs unir os dois casos, argumentando que compartilham as mesmas bases factuais. O relator Edson Fachin votou contra, e foi seguido por outros três ministros. Antes que o placar fosse definido, Dino pediu vista. E tudo parou.
A pergunta que ninguém faz é simples: se os casos envolvem os mesmos fatos, a mesma instituição financeira e o mesmo contexto, por que a resistência furiosa em julgá-los juntos? A quem interessa a separação?
Agora compare com o que aconteceu nas margens do julgamento.
Kássio Nunes Marques se declarou impedido. A justificativa solene: evitar conflitos por ocupar a presidência do TSE. A justificativa que paira nos corredores: surgiram informações sobre pagamentos do Banco Master a um familiar seu — o que ele nega ter qualquer relação com seus votos. Profíquo.
Dias Toffoli também se declarou impedido, por “renda íntimo”. Traduzindo: preferiu não manifestar por quê. Investigações apontaram que ele teve sociedade com irmãos em um resort que negociou com fundos ligados a operadores do Banco Master. Mais profíquo ainda.
Dois impedidos. Um pedido de vista. Acusações cruzadas. E o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pedindo a extinção da investigação contra Moraes, alegando falta de elementos jurídicos válidos.
Não é coincidência. É padrão.
Durante a sessão, Gilmar Mendes chamou a postura de André Mendonça de “leviana”. O clima pesou. A cúpula do Judiciário se dividiu entre quem defende o rito tradicional — que, na prática, significa postergar indefinidamente — e quem vê premência de apurar a rede de influência de Vorcaro sobre a Namoro.
Mas apurar de verdade? Com ministros se impedindo por conveniência, o PGR pedindo arquivamento e o julgamento gélido por trimestres?
O que temos cá é um tribunal que foi convocado a julgar a si mesmo — e respondeu porquê qualquer corporação de poder responde quando a luz se acende: adiou, dividiu, impediu e, quando zero mais funcionou, pediu vista.
Quem conhece a história do STF sabe porquê esse roteiro termina. A tensão esfria. As manchetes mudam. Os autos se acumulam. E quando o julgamento finalmente voltar à tarifa — se voltar —, o contexto já terá mudado o suficiente para que a Namoro encontre uma saída técnica elegante que não responsabilize ninguém.
Isso tem um nome no vocabulário popular brasílico. Um nome que rima com a tradição mais sólida da nossa vida institucional.
Pizza. Uma vez que sempre, pizza.
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https://www.contrafatos.com.br/o-stf-julga-o-stf-e-ninguem-apostava-que-isso-terminaria-diferente-de-pizza//Manadeira/Créditos -> CONTRA FATOS
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