Moraes ataca Mendonça por investigação de ofício no caso Banco Master, mas já defendeu prática semelhante no Questionário das Fake News
Por ContraFatos 15/09/2026 Atualizado em 15/09/2026
Incoerência no Supremo: ministro que defendeu Questionário das Fake News agora contesta atuação do colega no caso Banco Master
Uma aparente incoerência marcou a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federalista (STF) nesta terça-feira, 15 de setembro. O ministro Alexandre de Moraes atacou duramente o colega André Mendonça por ter determinado medidas investigatórias por conta própria no escândalo envolvendo o Banco Master, sem que houvesse solicitação prévia da Polícia Federalista (PF) ou da Procuradoria-Universal da República (PGR). Segundo Moraes, essa conduta fere o sistema acusatório — princípio constitucional que estabelece a separação entre as funções de investigar, acusar e julgar.
Posicionamentos passados de Moraes destoam da sátira atual
O argumento utilizado por Moraes contrasta com suas próprias posições anteriores. Em 2020, perante o plenário do STF, ele sustentou a validade do chamado Questionário das Fake News, investigação ocasião sem provocação do Ministério Público. Mais recentemente, em janeiro deste ano, o ministro também instaurou de ofício uma apuração sobre o vazamento de dados de integrantes da Namoro, sem que houvesse pedido extrínseco para tanto.
Leitura
Revelação de 44 páginas contra Mendonça
Antes mesmo da sessão desta terça-feira, Moraes já havia guiado ao presidente do STF, Edson Fachin, uma peça de 44 páginas na qual contestava a atuação de Mendonça. No documento, o ministro alegou que o colega determinou diligências sem provocação da PGR ou da PF e sem autorização prévia do plenário do tribunal. Moraes classificou as medidas uma vez que um “ilícito direcionamento da investigação contra ministro do STF” e rotulou a decisão de Mendonça uma vez que “inconstitucional, totalmente irregular e nula”.
Acusações durante o julgamento
No plenário, Moraes reforçou o ataque. Sustentou que as investigações instauradas de ofício por Mendonça violaram princípios constitucionais e o sistema acusatório. Na visão dele, o colega extrapolou os limites da atuação de um magistrado ao ordenar diligências voltadas a produzir supostos elementos contra um integrante do próprio Supremo. Moraes também classificou uma vez que “farsa” os desdobramentos conduzidos por Mendonça no caso Banco Master.
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Origem do Questionário das Fake News e o papel de Moraes
O Questionário 4.781, sabido uma vez que Questionário das Fake News, foi instaurado em março de 2019 pelo portanto presidente do STF, Dias Toffoli, por iniciativa própria. Não houve qualquer pedido da PGR para sua buraco. Toffoli justificou a medida com base no item 43 do regimento interno do tribunal, que prevê a instauração de interrogatório pelo presidente da Namoro diante de infrações penais ocorridas na sede ou nas dependências do STF. Ou por outra, Toffoli designou Moraes diretamente para a relatoria do caso, sem sorteio.
Uma incoerência difícil de conciliar
A postura atual de Moraes ao criticar investigações de ofício choca-se frontalmente com sua trajetória recente. Em pelo menos duas ocasiões — o Questionário das Fake News em 2020 e a apuração sobre vazamento de dados em 2025 — o ministro validou ou praticou exatamente o tipo de conduta que agora denuncia uma vez que inconstitucional. O incidente expõe um impasse dentro do próprio STF sobre os limites de atuação dos ministros em procedimentos investigatórios.
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