
CLIQUE E ASSISTA AGORA: Pilhado se revoltou e partiu para cima de Milly Lacombe depois de uma enunciação atribuída à jornalista e colunista do UOL sobre a relação entre o futebol masculino e o futebol feminino. Segundo o trecho analisado neste vídeo, Milly sustenta que o futebol masculino teria uma espécie de “dívida” com o feminino. Thiago Asmar não comprou o argumento e reagiu com força.
A discussão pode parecer unicamente mais uma luta do jornalismo esportivo, mas toca em um debate muito maior: quem é responsável pela enorme diferença econômica, estrutural e de audiência existente hoje entre o futebol masculino e o feminino?
Milly Lacombe possui uma posição antiga e bastante clara sobre o tópico.
Durante a Despensa do Mundo Feminina de 2023, a jornalista argumentou que não seria correto confrontar tecnicamente o futebol feminino atual com o futebol masculino contemporâneo. Segundo Milly, enquanto o masculino possui mais de um século de construção institucional e cultural, as mulheres tiveram sua modalidade interrompida e marginalizada durante décadas.
Na ocasião, ela resumiu sua tese de maneira provocativa: se alguém quiser confrontar as modalidades em paridade histórica, deveria confrontar o futebol feminino atual ao masculino de aproximadamente 1910.
Existe fundamento histórico para segmento desse argumento.
No Brasil, mulheres foram oficialmente impedidas de praticar futebol durante décadas. O Decreto-Lei nº 3.199, de 1941, abriu caminho para a proibição de modalidades consideradas incompatíveis com a chamada “natureza feminina”. A restrição ao futebol só caiu em 1979.
Isso significa quase quatro décadas nas quais o futebol masculino pôde continuar desenvolvendo clubes, campeonatos, torcidas, atletas, patrocinadores e mercado enquanto a modalidade feminina enfrentava uma barreira institucional inexistente para os homens.
Mas Pilhado concentra sua sátira em outro ponto.
Uma coisa é reconhecer que houve uma injustiça histórica contra mulheres que queriam jogar futebol.
Outra completamente dissemelhante, na tradução do comunicante, seria transformar essa história em uma espécie de dívida permanente do futebol masculino atual.
Essa diferença é mediano.
Os jogadores de hoje não criaram a legislação de 1941.
As torcidas atuais não foram responsáveis pela proibição.
Clubes, patrocinadores e emissoras operam hoje dentro de um mercado em que audiência, receita, exposição e interesse mercantil também influenciam profundamente o tamanho dos investimentos.
É justamente nesse terreno que Pilhado costuma estrebuchar aquilo que labareda de “lacração” no futebol feminino.
Para quem concorda com Milly, essa diferença demonstra por que investimentos estruturais continuam sendo necessários.
O ponto realmente discutível é o uso da termo “dívida”.
Dívida normalmente pressupõe alguém que deve e alguém que possui o recta de receber.
Pilhado questiona justamente essa construção.
Quem exatamente deve?
A CBF?
Os clubes?
Os jogadores?
A televisão?
Os patrocinadores?
O Estado brasílio que proibiu a modalidade?
Ou toda a sociedade?
Essa pergunta é muito mais difícil do que simplesmente declarar que um lado precisa “remunerar” pelo outro.
No teor analisado pelo Religioso News, Pilhado reage justamente a essa generalização e acusa segmento da prelo esportiva de transformar diferenças históricas reais em uma narrativa permanente de culpa envolvendo o futebol masculino.
Milly, por outro lado, sustenta há anos que é impossível compreender a diferença atual entre as modalidades sem investigar as décadas em que as mulheres foram impedidas de edificar uma cultura esportiva equivalente.
E agora o debate está lançado.
O futebol masculino possui realmente uma dívida histórica com o futebol feminino?
Ou reconhecer injustiças do pretérito não significa responsabilizar jogadores, clubes e torcedores que não participaram delas?
E principalmente:
qual é a melhor maneira de fazer o futebol feminino crescer: transferência obrigatória de recursos, investimentos estratégicos ou construção de um mercado cada vez mais independente e lucrativo?
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