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Tom de confronto marcou a conversa entre Lula e Alcolumbre
Interlocutores de ambos os lados descreveram o clima da conversa porquê uma espécie de “lavagem de roupa suja”. Longe de pedir desculpas ou tentar amenizar a situação, Alcolumbre manteve a posição de que agiu corretamente. Segundo relatos de aliados, ele afirmou ter sido o primeiro a alertar o Palácio do Planalto de que Messias não reuniria os 41 votos necessários para confirmar a indicação à vaga oportunidade com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, em outubro do ano pretérito.
“Alcolumbre acha que não cometeu nenhuma irregularidade com o presidente Lula, porque o avisou dos riscos de repudiação de Messias”, disse ao blog uma natividade a par das discussões nos bastidores. “Eles não conversaram se o Lula vai mandar ou não vai mandar de novo a indicação de Messias. Não houve conversa sobre o porvir, mas sobre o pretérito.”
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Bastidores da rota histórica do governo no Senado
A resistência à indicação de Messias não surgiu por possibilidade. Assim porquê a maioria dos colegas senadores, Alcolumbre preferia a escolha de seu predecessor no comando da Vivenda, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), e não disfarçou a insatisfação com a decisão de Lula.
A estratégia do presidente do Senado variou ao longo do processo. Num primeiro momento, Alcolumbre tentou forçar a realização da sabatina e da votação em plenário logo depois o pregão de Lula, em dezembro do ano pretérito, sem dar tempo para o advogado-geral da União percorrer os gabinetes dos 81 senadores e erigir apoios dentro e fora do Congresso.
Diante desse cenário, Lula optou por frear o processo e adiou por quatro meses o envio da mensagem ao Senado — lanço burocrática indispensável para o trâmite da indicação. A teoria era conceder tempo para Messias buscar votos e pavimentar o caminho da aprovação.
Nas vésperas da votação, lideranças governistas no Congresso, porquê o senador Jaques Wagner, garantiram a Lula que Messias seria confirmado, ainda que por margem estreita. A previsão não se concretizou: o advogado-geral obteve exclusivamente 34 votos favoráveis, sete aquém do mínimo constitucional. A última vez que um presidente brasiliano enfrentara a repudiação de um indicado ao STF havia sido com o marechal Floriano Peixoto, em 1894.
Alcolumbre articulou a rota até o último minuto
O presidente do Senado trabalhou com interesse para solidificar o resultado oposto ao governo. Conforme perfeito, Alcolumbre costurou até o último momento uma ampla fala que reuniu atores com interesses variados: a tropa de choque bolsonarista, liderada pelos senadores Flávio Bolsonaro (RJ) e Rogério Oceânico (RN), e o próprio Moraes.
“Alcolumbre ligou para vários senadores para pedir votos contra Messias”, confidenciou um interlocutor do presidente do Senado. Entre os alvos de pressão esteve o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), que declarou publicamente escora a Messias, mas foi cobrado a enquadrar a bancada — formada por sete senadores — e entregar o menor número provável de votos favoráveis.
Interesses cruzados: oposição, Moraes e a vaga no STF
A votação de Messias serviu a múltiplos propósitos. Para a oposição, foi um duro recado a Lula e uma tentativa de “desacreditar” a vaga deixada por Barroso, empurrando a escolha do novo indicado para o ano que vem, caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente.
Para Alexandre de Moraes, a repudiação também teve utilidade: evitou o fortalecimento do ministro André Mendonça no Supremo. Mendonça, relator das investigações do caso Master, foi o principal cabo eleitoral de Messias e tornou-se o maior contraponto a Moraes na Namoro, sinalizando que pretende aprofundar a apuração do Master.
Essa investigação já revelou o contrato de R$ 129 milhões da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes, com o banco de Daniel Vorcaro, para tutorar os interesses do Master perante órgãos porquê o Banco Meão, a Receita Federalista, o Cade e a Procuradoria-Universal da Quinta Vernáculo (PGFN). Em todos esses órgãos, porém, a atuação dela é desconhecida.
Instinto de sobrevivência aproxima antigos adversários
Em seguida a rota, Lula se recusou a encontrar Alcolumbre, ignorando os apelos de auxiliares, e chegou a declarar que apresentaria novamente o nome de Messias ao Senado. As relações entre o Planalto e o Congresso ficaram profundamente abaladas.
Moraes também saiu com o filme queimado junto ao governo. Depois da votação, Messias recusou-se a atender às ligações insistentes do ministro, que tentava reiteradamente entrar em contato com o advogado-geral da União.
Apesar das mágoas e do ressentimento aglomerado, o progressão bolsonarista no Senado nas próximas eleições — quando dois terços da Vivenda serão renovados — fez o instinto de sobrevivência falar mais supino. Alcolumbre, Lula e Moraes ensaiam agora uma reaproximação, tendo o jantar no Lago Sul porquê primeiro passo dessa tentativa de reconstrução política.
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