A técnica de deepfake — recurso de lucidez sintético capaz de manipular fotos, vídeos e áudios para produzir conteúdos falsos, mas com aspecto extremamente realista — é a principal instrumento utilizada pelos fraudadores. Além das imagens, eles chegam a usar poemas de autoria do próprio xeique para ocupar mulheres de diversas nacionalidades e idiomas.
A história de Maria: um ano de economias perdido
Uma trabalhadora doméstica filipina identificada porquê Maria foi uma das vítimas. Ela conheceu o suposto príncipe de Dubai em um site de namoro e, em nenhum momento, questionou o que um bilionário membro da realeza estaria fazendo naquele tipo de plataforma.
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A conversa rapidamente migrou para um aplicativo de troca de mensagens instantâneas. O contato era incessante. “Ele continuava me enviando mensagens mesmo quando eu estava dormindo”, afirmou Maria à dependência France Presse. “Parecia possuir um manipanço de paixão conectando nossas mentes”, acrescentou ela.
As mensagens eram carregadas de afeto e atingiam em referto a filipina. “Olá, minha namorada. Agradeço muito pelo seu paixão e suporte”, dizia o falso príncipe em uma delas. Completamente envolvida, Maria se tornou vulnerável à manipulação.
Prejuízo financeiro e a invenção da fraude
O golpista convenceu Maria a remunerar US$ 1.625 (muro de R$ 8.425) por uma suposta diploma de matrimónio e um “cartão de membro da realeza”, que supostamente a ajudariam a conseguir um tarefa em Dubai. O valor representava o equivalente a um ano inteiro de suas economias.
O romance figurado começou a ruir quando o criminoso propôs um encontro presencial e solicitou mais US$ 975 (aproximadamente R$ 5.055) para custear uma suplente de hotel. A suspeição levou Maria a investigar a origem das mensagens — e ela descobriu que vinham da Nigéria, um dos principais polos mundiais de geração e operação de golpes cibernéticos e financeiros.
Arrasada e envergonhada, a vítima encerrou o contato de forma direta: “Vá para o inferno, golpista!”.
Alcance internacional da fraude
O esquema não se limita a uma única vítima ou a um único país. Golpistas vêm aplicando o chamado “golpe do falso príncipe de Dubai” em vários países, comunicando-se em diferentes línguas para ampliar o número de potenciais alvos. A combinação entre a notabilidade real de Hamdan bin Mohammed e o uso sofisticado de deepfake torna a fraude mormente perigosa e difícil de identificar à primeira vista.
O verdadeiro príncipe herdeiro de Dubai, Hamdan bin Mohammed (ao meio) — Foto: AFP
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