Estadão publica editorial criticando Gilmar Mendes por testilhar colegas do STF durante entrevista ao Roda Viva e violar regras da magistratura
Por ContraFatos 25/06/2026 Atualizado em 25/06/2026
Entrevista ao Roda Viva gerou reação dura do periódico paulista, que vê violação das regras da magistratura
A conduta do ministro Gilmar Mendes no programa Roda Viva, da TV Cultura, provocou uma resposta contundente do jornal O Estado de S. Paulo. Em editorial publicado nesta quinta-feira, 25, o periódico classificou a participação do decano do STF na atração televisiva uma vez que um desserviço republicano que reforça a urgência de um código de moral interno na Incisão.
Durante quase 90 minutos de entrevista, o magistrado direcionou ataques públicos a colegas do Supremo Tribunal Federalista. O ministro André Mendonça, relator do caso Master, foi o objectivo principal. Gilmar Mendes acusou Mendonça de cometer um “erro crasso” e uma “improprivalidade” ao participar de conversas para a costura de um concórdia de delação premiada com advogados envolvidos no escândalo financeiro do Banco Master.
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Decano também mirou em Fachin e Nunes Marques
As críticas do decano não se limitaram a André Mendonça. Gilmar Mendes também questionou a gestão do presidente do Supremo, Edson Fachin, e atacou uma decisão liminar proferida por Nunes Marques no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O editorial do Estadão avalia que esse comportamento feriu a pundonor e a imagem do STF justamente no momento em que a Incisão enfrenta sua pior crise de credibilidade perante a sociedade brasileira.
Editorial aponta violação direta à Lei Orgânica da Magistratura
O jornal paulista fundamentou suas críticas com base no item 36 da Lei Orgânica da Magistratura Vernáculo (Loman). A norma proíbe expressamente que qualquer juiz emita opiniões em meios de notícia sobre processos pendentes de julgamento. A legislação também veda juízos depreciativos sobre despachos e votos de outros magistrados.
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O texto editorial ainda reforça que a longa permanência no incumbência não confere ao decano nenhuma superioridade funcional sobre os demais integrantes da Incisão. Para sustentar esse ponto, o jornal recorreu às palavras do jurista Wálter Maierovitch, que afirmou que Gilmar “não é o juiz dos juízes”.
Acusações contra Mendonça elevam tensão institucional
A investida mais agressiva de Gilmar Mendes teve uma vez que foco a atuação de André Mendonça no caso do Banco Master. O decano insinuou que o colega estaria aceitando uma proposta de colaboração seletiva, invadindo prerrogativas que pertencem exclusivamente ao Ministério Público e à Polícia Federalista.
Suspeitas de blindagem política entram no debate
O posicionamento público do ministro gerou suspeitas no mercado político. Analistas passaram a questionar se as declarações de Gilmar Mendes não representariam uma tentativa de blindagem política e de construção de um envolvente favorável à impunidade no contexto do escândalo financeiro que envolve o Banco Master.
Para o Estadão, o incidente escancara a premência de que o STF estabeleça mecanismos internos mais rígidos de autorregulação, mormente no que diz saudação à exposição midiática de seus integrantes e às manifestações públicas sobre processos em tramitação.
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