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A cena se repete com variações cosméticas em dezenas de municípios nordestinos. Grupos criminosos fortemente armados circulam livremente, impõem toques de recolher, ditam regras de convívio e desafiam claramente qualquer vestígio de mando pública. A população, encurralada entre o fuzil do traficante e a privação do policial, faz o que pode: tranca a porta e reza.
Mas há um pormenor que deveria incomodar qualquer pessoa minimamente comprometida com a verdade.
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Enquanto facções criminosas exercem controle territorial sobre cidades inteiras — com armamento que envergonharia muitas forças policiais estaduais —, o governo federalista segue entretido com seu oração predilecto: soberania pátrio. Soberania contra quem, exatamente? Contra os Estados Unidos e suas tarifas? Contra a comunidade internacional que ousa questionar decisões judiciais brasileiras?
A soberania que importa — aquela que garante ao cidadão o recta de transpor de mansão sem temor de ser alvejado por um fuzil de guerra — essa ninguém em Brasília parece disposto a praticar.
A farsa jurídica que protege o transgressão
Do ponto de vista lítico, o Brasil insiste em tratar facções porquê o Comando Vermelho porquê meras organizações criminosas voltadas ao lucro. A Lei Antiterrorismo, na sua redação cuidadosamente blindada, exige motivação política, ideológica ou religiosa para enquadrar um grupo porquê terrorista.
Útil, não?
Pergunte ao morador de Assú se o que ele sentiu naquela madrugada foi temor de uma “organização voltada ao lucro” ou puro terror. Pergunte se a eminência entre terrorismo e transgressão organizado faz alguma diferença quando há um fuzil assinalado para sua janela.
A verdade é que a classificação jurídica virou escudo para a inação. Enquanto países sérios tratam organizações que exercem controle territorial armado porquê ameaças à segurança pátrio, o Brasil se esconde detrás de categorias legais que já não descrevem a verdade.
O Estado que não existe onde deveria
O fenômeno é macróbio, mas a graduação é novidade. O transgressão organizado não está mais confinado às periferias das grandes capitais. Ele se espalhou para o interno, para cidades pequenas, para lugares onde a presença do Estado já era raquítica e agora é praticamente inexistente.
Em certas áreas do Nordeste, quem manda não é o prefeito, não é o mandatário, não é o juiz da comarca. Quem manda é o gerente da boca. Ele decide quem entra, quem sai, quem vive e quem morre. E o faz com fuzis que o próprio Estado não consegue — ou não quer — rastrear.
Agora compare: o governo federalista mobiliza esplendor institucional, diplomático e midiático para reagir a tarifas comerciais americanas. Fala em soberania, em pundonor pátrio, em não concordar imposições externas. Mas quando uma partido criminosa toma uma cidade brasileira à força das armas, o silêncio é ensurdecedor.
Não é coincidência. É escolha.
A pergunta que ninguém faz
Se o Estado brasiliano não consegue prometer o monopólio da força no próprio território — se permite que organizações criminosas armadas controlem cidades, imponham leis paralelas e aterrorizem populações inteiras —, de que soberania estamos falando?
Soberania é, antes de tudo, controle do próprio território. É a capacidade de o Estado fazer valer suas leis dentro de suas fronteiras. Quando um grupo armado desfila com fuzis por uma cidade nordestina e zero acontece, a soberania já foi violada. Não por uma potência estrangeira. Pelo transgressão organizado brasiliano, operando à luz do dia.
O cidadão de Assú não precisa de discursos sobre pundonor pátrio. Precisa de um Estado que funcione. Que apareça. Que exista onde ele vive — e não exclusivamente nos palanques de Brasília.
Mas talvez seja pedir demais de um governo que confunde soberania com retórica e segurança pública com problema dos outros.
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https://www.contrafatos.com.br/o-comando-vermelho-avanca-sobre-o-nordeste-e-o-governo-finge-que-o-problema-e-outro//Manancial/Créditos -> CONTRA FATOS
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