As negociações para a delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, começaram a lucrar contornos de uma perigosa chantagem institucional. Através de “recadinhos” plantados na prelo, o banqueiro tenta gerar uma narrativa para blindar poderosos, mas a vocábulo final sobre o conformidade cabe ao ministro André Mendonça.
De conformidade com informações publicadas na poste da jornalista Mônica Bergamo, Vorcaro teria confidenciado a interlocutores que não pretende incluir ministros do Supremo Tribunal Federalista (STF) em sua delação, a não ser que “seja inevitável”.
A Confissão Oculta
A enunciação vazada é uma confissão velada. Ao declarar que só falará de ministros do Supremo “se for inevitável”, Vorcaro admite publicamente que possui informações comprometedoras sobre a subida cúpula da Incisão, mas que está disposto a omiti-las no conformidade.
Vale lembrar que os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes estão no meio de seríssimas suspeitas e apurações envolvendo o caso do Banco Master.
A Tentativa de “Delação Seletiva”
O jogo duplo de Vorcaro não é novidade. A poste do jornalista Mário Sabino, do portal Metrópoles, revelou um incidente que escancara a audácia dos envolvidos. Antes de ser substituída, a antiga equipe de advogados de resguardo do banqueiro teve a ousadia de apresentar uma proposta espantosa ao ministro André Mendonça (relator do caso).
A proposta consistia em uma “delação parcial”, desenhada sob medida para poupar alvos específicos. O conformidade sugeria atingir um ministro do Supremo e poupar outro. A equipe de resguardo acabou sendo trocada logo em seguida essa investida.
A Missão de Mendonça e da PF
A notícia via prelo tem sido a tática preferida pelo “sistema” para mandar recados, inclusive por ministros do próprio STF. No entanto, o ministro André Mendonça e a Polícia Federalista não podem ceder à pressão de uma delação seletiva.
A lei é clara: a obrigação do colaborador é entregar todos os fatos criminosos e todos os envolvidos, sem exceções. Uma “delação amputada”, que blinde a Rossio dos Três Poderes, desfiguraria o instituto da colaboração premiada e transformaria a Justiça em um balcão de negócios seletivos.
Se Vorcaro não estiver disposto a entregar tudo e todos os responsáveis pelas fraudes bilionárias de seu banco, Mendonça tem a obrigação moral e jurídica de recusar o conformidade e deixá-lo colher os frutos de seus crimes detrás das grades.
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