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A deputada federalista Erika Hilton (PSOL-SP) manifestou-se neste domingo (18) para esclarecer a polêmica envolvendo um oração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocorrido na última sexta-feira. Dissemelhante do que foi amplamente compartilhado em redes sociais, a parlamentar afirmou que não foi escopo de tratamento por pronome masculino e que sequer estava presente no evento realizado na Mansão da Moeda, no Rio de Janeiro.
O mal-entendido começou posteriormente a circulação de um vídeo em que Lula alertava o público feminino sobre os riscos da Perceptibilidade Sintético (IA) na manipulação de imagens (deepfakes). Na ocasião, o presidente disse:
“E vocês mulheres tomem zelo com essa tal de perceptibilidade sintético. […] Ele [o sistema] é capaz de tirar uma foto da Erika, vestidinha do jeito que ele tá, com a perna cruzada, e amanhã desabrochar no celular a Erika sentada, pelada cá.”
“Outra Erika”
Segundo a assessoria da deputada e sua enunciação solene, o uso do pronome “ele” por secção de Lula referia-se a uma outra pessoa chamada Erika que compunha a plateia ou a organização do evento no momento, e não à parlamentar trans paulista.
“Eu não estava presente no evento, portanto o presidente se referia a uma outra Erika”, garantiu Hilton. A enunciação põe termo às especulações de que teria havido um incidente de misgendering (uso proposital do gênero inverídico) por secção do petista contra a aliada.
Confira a íntegra da enunciação de Erika Hilton
Não, o presidente Lula não me chamou de “ele” durante um evento no Rio de Janeiro.
Isso porque eu literalmente não estava nesse evento. Há dias estou no interno de São Paulo.
Outrossim, Lula conversava com uma pessoa da plateia. Eu não sou a única mulher chamada Erika no mundo.
A fixação dos bolsonaristas com a minha figura — e o pavor que o meu propagação provoca — os leva a um comportamento quase animalesco ao ouvirem alguma coisa que acreditam ser uma referência a mim.
Para eles, é intolerável que uma mulher travesti não exclusivamente exista, mas seja uma política que produz mais e é mais útil à sociedade brasileira do que todos os ídolos bolsonaristas somados.
O que, convenhamos, não é difícil. Enfim, qualquer político que não roube, não atropele e não mate ninguém já se torna melhor do que as grandes lideranças bolsonaristas.
O ressentimento bolsonarista é profundo. A simples citação do nome “Erika” — mesmo sem sobrenome ou qualquer indicativo de que se trate de mim — já é suficiente para erradicar todas as funções cerebrais dessa horda de fracassados.
Em quadrilha, passam portanto a gerar narrativas completamente fictícias, que reforçam seus preconceitos pessoais e alimentam sua agenda política de ódio.
Eles viram Lula falar com alguma Erika e concluíram que só podia ser eu. Depois, ouviram Lula manifestar “ele” — e isso bastou para iniciar uma novidade vaga de ataques.
Mas, para mim, o mais grave é o contexto. Lula fazia um alerta duro e importantíssimo sobre o risco de inteligências artificiais produzirem pornografia sem consentimento ou até mesmo divulgarem pornografia infantil.
Para os bolsonaristas, isso não parece ser um problema.
Para eles, o problema é gente trans viver.






