A atuação da advogada Roberta Maria Rangel, ex-mulher do ministro Dias Toffoli, no STF e no STJ cresceu significativamente posteriormente a posse dele no Supremo, em 2009. O número de processos conduzidos por ela nessas Cortes saltou de 53 para 127 — aumento de tapume de 140%.
Levantamentos apontam que 70,5% das ações com participação da advogada começaram posteriormente a chegada de Toffoli ao STF. No Supremo, 9 de 35 processos tiveram início nesse período; no STJ, foram 118 de 145. O par se separou no primeiro semestre deste ano, marco considerado na estudo.
Rangel atua para grandes empresas, uma vez que J&F e CSN, além de companhias do agronegócio e da construção social. Entre os casos, estão disputas bilionárias no STJ e ações que chegaram ao STF, algumas encerradas por perda de objeto ou ainda pendentes de julgamento.
A legislação não proíbe familiares de ministros de defender no STF, mas impede que o magistrado julgue processos em que haja atuação de parentes, exigindo enunciação de impedimento. Em 2023, o Supremo flexibilizou regras ao permitir julgamentos quando a secção é cliente de escritório ligado a parente, desde que outra mesa seja a responsável formal.
Situações semelhantes já foram observadas com cônjuges de outros ministros. Toffoli e Rangel não comentaram. Empresas citadas também não se manifestaram.
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