Os preços dos provisões deram uma trégua inesperada ao bolso das famílias brasileiras em 2025, contrariando até mesmo aumentos sazonais, característicos dos últimos meses do ano, período em que há demanda aquecida no varejo e temperaturas elevadas no campo.
A safra agrícola recorde no Brasil e boas colheitas em outros países produtores ajudaram a reduzir o preço de itens importantes na cesta de consumo. A desvalorização do dólar na presença de o real foi outro fator que teve papel preponderante.
Para 2026, entretanto, essa ensejo tão favorável não deve se repetir, preveem especialistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Continua depois da publicidade
Se, por um lado, a expectativa de uma novidade safra de grãos volumosa poderia ajudar a sofrear os preços de alguns provisões, o conforto via câmbio não deve se manter, principalmente por se tratando de um ano eleitoral no Brasil.
“Oferecido que as condições de exportação e as relações com os Estados Unidos melhoraram muito, e a nossa moeda vai seguir desvalorizada sem nenhuma previsão de mudança drástica no câmbio no ano que vem, isso pode ajudar a aumentar o volume de exportação. Portanto nem sempre uma supersafra se materializa em oferta que abra espaço para novas quedas de preços cá no Brasil”, explicou André Braz, coordenador dos Índices de Preços do Instituto Brasílio de Economia da Instalação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
LEIA TAMBÉM:
Segundo Braz, o envolvente de corrida eleitoral é mais propício a uma desvalorização do real na presença de o dólar, em meio às desconfianças sobre a política fiscal.
“Se a gente colher no ano que vem uma valorização cambial, isso pode limitar o desenvolvimento das exportações e sustentar uma oferta doméstica maior, a ponto de manter esses movimentos de quedas no preço dos provisões. Mas eu acho que não vai ocorrer isso. Até porque é um ano eleitoral, e a questão do gasto público não deve ser prioridade em 2026. (…) Normalmente é um ano de maior incentivo e isso deve manter esse sonido em torno da política fiscal, evitando uma valorização cambial mais poderoso”, completou Braz.
O conforto inflacionário dos últimos meses partiu, sobretudo, da desvalorização do dólar, que influenciou reduções tanto de preços de provisões quanto de bens industriais, corroborou Claudia Mulato, economista do C6 Bank.
Continua depois da publicidade
“A gente teve uma queda do dólar que foi significativa ao longo do ano, de uns 10%. Isso trouxe um conforto muito grande à inflação”, disse Mulato. “Para o ano que vem, acho que a safra deve ser boa. Por outro lado, a gente vê uma desdoiro do câmbio. A desdoiro do câmbio deve pegar na segmento de provisões também”, previu Mulato, que espera um aumento de custos de 7% na alimento para consumo no habitação em 2026.
Com a ajuda do dólar em queda e da produção agrícola recorde, os preços dos provisões para consumo em moradia recuaram nos últimos sete meses consecutivos, de junho a dezembro deste ano, segundo os dados da prévia da inflação solene no País, o IPCA-15, delicado pelo Instituto Brasílio de Geografia e Estatística (IBGE).
No indicador, o dispêndio da alimento no habitação subiu 1,94% no ano de 2025, mas houve quedas de dois dígitos no arroz (-26,04%) feijoeiro preto (-31,82%), batata-inglesa (-27,70%), laranja-lima (-35,33%), limão (-29,64%), leite longa-vida (-10,42%), óleo de oliva (-20,90%) e alho (-12,24%).
Continua depois da publicidade
“A gente sabia que provisões iam ser melhores neste ano por conta de safra, mas ninguém imaginava que ia ter ajuda do câmbio. Mais do que safra, o câmbio ajuda muito a inflação de provisões”, disse Maria Andreia Parente Lameiras, técnica de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Segundo a pesquisadora, o dólar mais barato beneficia toda a cárcere produtiva, além de desestimular as vendas externas de produtos agrícolas brasileiros.
“Além de você ter o insumo que fica mais barato, o fertilizante, tem até a compra de máquina mesmo, para promover a produtividade da cultura. Esse câmbio mais desvalorizado desestimula a exportação. Portanto você está produzindo mais e você não está com aquele fomento de botar esse excesso de produção para fora, porque o câmbio está mais plebeu. Portanto, acaba botando no mercado doméstico. E aí, realmente, tem uma queda de preço de provisões impressionante nesses últimos meses”, explicou Lameiras.
Continua depois da publicidade
O Ipea foi surpreendido pelo comportamento dos preços dos provisões no último trimestre deste ano. Em setembro, o instituto projetava uma subida de 4,4% para a alimento no habitação no IPCA fechado de 2025, mas a previsão foi cortada à metade, e agora a elevação esperada é de 2,1%. Para 2026, o Ipea espera um aumento de 4,2% nos preços dos provisões para consumo em moradia, sob pressão de aumentos nas carnes, devido ao abate recente de fêmeas para reprodução.
Com as carnes mais caras, a demanda do consumidor deve transmigrar e pressionar os preços também dos demais tipos de proteína bicho.
“No que vem, a gente espera alguma aceleração de provisões, mas muito por conta de uma pressão de carnes e porque dificilmente a gente vai ter o câmbio ajudando uma vez que ajudou neste ano. A gente deve ter um câmbio mais ou menos firme, que, se não atrapalha, também não ajuda”, estimou a técnica do Ipea, que prevê o dólar cotado a R$ 5,40 ao término de 2025, fechando 2026 a R$ 5,35.
Agro,Mantimentos,Eleições,Inflação
https://www.infomoney.com.br/economia/safra-favorece-mas-cambio-deve-impedir-nova-tregua-de-alimentos-a-inflacao-de-2026//Manancial/Créditos -> INFOMONEY









