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Na terça-feira, os dois desempenharam papéis centrais — e complementares — na estratégia que impediu que Alexandre de Moraes se tornasse investigado por supostos crimes envolvendo negócios milionários com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Não é coincidência.
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Zanin passou por cima do presidente da Galanteio. Antes mesmo do julgamento principiar, atropelou Edson Fachin e ordenou que a Polícia Federalista entregasse ao seu gabinete os arquivos do celular de Vorcaro. Uma vez em suas mãos, os dados sigilosos — que também chegaram a Gilmar Mendes e ao próprio Moraes — foram parar na internet, constrangendo ministros que se inclinavam a investigar o colega.
Não se pode declarar que os magistrados tenham participado diretamente dos vazamentos. Mas é vestimenta inegável que o material sigiloso, cirurgicamente direcionado aos aliados de Moraes, ganhou a rede na esteira do movimento de Zanin.
E é aí que a história complica.
O tumulto criado pelos vazamentos abriu espaço para o segundo indicado de Lula entrar em cena. Flávio Dino transformou o plenário num ringue. Insultou o presidente da Galanteio. Impediu repetidamente que Fachin conduzisse os trabalhos com normalidade. Apresentou uma sequência de preliminares — algumas sem qualquer fundamento jurídico — com o objetivo evidente de atrasar a deliberação sobre Moraes.
O resultado? Em seguida horas de discussões estéreis, Dino pediu vista do processo — mesmo depois de já ter votado — e paralisou a sessão. A inércia do STF diante das provas colhidas pela Polícia Federalista contra Moraes foi, assim, consolidada.
Agora compare.
Se dois ministros indicados por qualquer outro presidente tivessem feito exatamente o mesmo para blindar um coligado no Supremo, porquê reagiriam os mesmos setores que hoje minimizam o incidente? A pergunta responde a si mesma.
Mas há um pormenor ainda mais revelador.
Enquanto o país digeria o espetáculo protagonizado por seus indicados no STF, Lula entrou ao vivo em rede pátrio de TV para se descolar da crise. Na entrevista à Record, o presidente ensaiou um oração de moralização do Judiciário. Defendeu mandatos com prazo definido, novos critérios de escolha e impedimentos para magistrados com familiares advogando na própria Galanteio.
O mesmo Lula que indicou seu próprio legista pessoal — de uma família de advogados — para o STF.
O mesmo Lula que cogitou indicar outro facilitar de governo que também tem advogados na família.
A pergunta que ninguém faz é simples: porquê exigir moralização de um Poder que você mesmo colonizou com indicações de conveniência?
O surto de moralidade do presidente tem uma explicação menos superior do que parece. Lula percebeu que o país está sengo aos movimentos que unem o governo, o Congresso e o próprio Judiciário para travar as investigações do caso Master. Para vencer a eleição, precisa invadir um votante cada vez mais farto de um sistema que protege poderosos e pune anônimos.
Mas as atuações de Zanin e Dino no plenário tornaram essa tarefa infinitamente mais difícil. Porque uma coisa é discursar sobre moralização. Outra, muito dissemelhante, é explicar por que seus próprios indicados se transformaram nos principais operadores de uma blindagem institucional em plena luz do dia.
Lula pode até mudar de tema. Pode até propor reformas que nunca implementará. Mas o registro ficou: quando o sistema precisou se proteger, foram os ministros do presidente que ergueram o escudo.
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https://www.contrafatos.com.br/os-ministros-de-lula-no-stf-fizeram-exatamente-o-que-se-esperava-protegeram-o-sistema//Manadeira/Créditos -> CONTRA FATOS
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