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Quem revela o cenário é João Arthur Mohr, superintendente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). “Tem indústrias que já estão se instalando em países vizinhos para conseguir produzir lá, transferir os equipamentos cá do Brasil e, por meio desse país, acessar o mercado americano sem a tarifação”, afirmou em entrevista ao site Times Brasil.
Indústria madeireira paranaense pode perder até 75% do mercado
A indústria de madeira do Paraná é uma das que enfrenta o cenário mais dramático. Segundo estimativas do setor, o impacto pode obter até 75% das operações voltadas aos Estados Unidos. Mohr foi enfático ao descrever a inviabilidade de sorver a tarifa nesse segmento. “Na madeira, é impossível”, disse. “25% é simplesmente impossível tanto para o importador sorver porquê para a indústria madeireira paranaense”.
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A tentativa de dividir o dispêndio da tarifa com importadores e consumidores norte-americanos tem sido considerada por alguns setores, mas essa saída está longe de funcionar para todos. A margem de negociação varia conforme o resultado, e em diversos casos não há espaço financeiro para acomodar um acréscimo dessa magnitude.
Adaptação de fábricas é opção limitada
Outra estratégia avaliada por empresas brasileiras é a reconversão de linhas de produção para atender outros mercados. Uma fábrica que hoje produz molduras destinadas aos Estados Unidos, por exemplo, poderia passar a fabricar madeira serrada voltada à Europa. O problema é que esses mercados alternativos já contam com fornecedores consolidados, o que tende a pressionar preços para inferior e reduzir ainda mais as margens dos produtores brasileiros.
Tarifaço entra em vigor na próxima semana e governo segue sem projecto
Com a novidade tarifa prevista para vigorar a partir de 22 de julho, entidades empresariais acumulam alertas sobre consequências severas: queda nas exportações, erosão de margens de lucro, revisão de contratos já firmados e impactos diretos sobre empregos e investimentos no país. A transferência de operações para o exterior também não sai barata — envolve custos logísticos, tributários e operacionais significativos.
O que labareda atenção, porém, é a privação de uma reação articulada por segmento do governo Lula. Enquanto empresários reorganizam sozinhos suas cadeias produtivas e enviam equipamentos para fora do país, Brasília não sinaliza medidas compensatórias, negociações bilaterais efetivas ou qualquer tipo de suporte estratégico ao setor exportador. O resultado é uma desindustrialização silenciosa que, paradoxalmente, beneficia economias vizinhas em detrimento da competitividade brasileira.
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