A equipe econômica de Lula elevou a previsão da dívida bruta e empurrou o pico para 2029 — enquanto finge que tudo está sob controle
A equipe econômica do governo Lula atualizou as projeções da dívida pública brasileira na novidade proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O número é brutal: a dívida bruta deve atingir 87,8% do PIB em 2029. A estimativa anterior falava em 84,2% em 2028. Ou seja, a dívida ficou maior e o pico foi empurrado para mais longe.
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Não é um ajuste técnico. É uma deterioração assumida.
Desde o início do governo Lula, a relação dívida/PIB saltou de 71,7% para 79,2%, segundo o Banco Mediano. Em números absolutos, a dívida bruta cresceu R$ 2,95 trilhões. Trilhões. No plural.
Agora compare: o exposição de campanha prometia responsabilidade fiscal. A prática entrega um Estado que gasta mais do que arrecada, paga juros que já ultrapassam R$ 1 trilhão por ano e não consegue sequer manter suas próprias projeções de pé por mais de um ciclo orçamentário.
O secretário-executivo do Ministério da Herdade, Rogério Ceron, atribuiu o progresso da dívida ao aumento dos juros, ao propagação dos gastos públicos e aos déficits persistentes. Traduzindo: o governo gasta demais, arrecada de menos e culpa a taxa de juros — uma vez que se a Selic fosse um fenômeno climatológico, e não uma resposta direta ao descontrole fiscal que ele mesmo alimenta.
Mas há um pormenor que merece atenção privativo.
A proposta do governo prevê retirar R$ 347 bilhões em precatórios do conta da meta fiscal até 2035. É a velha engenharia contábil: se o número não cabe na meta, mude a meta. Ou, melhor ainda, mude o que entra no conta. Assim, o governo pode fustigar no peito e proferir que cumpriu o busto fiscal — desde que ninguém olhe o que ficou de fora da conta.
E é aí que a história complica.
O Fundo Monetário Internacional não compra essa maquiagem. O FMI projeta que a dívida brasileira pode chegar a 106,5% do PIB em 2031, utilizando metodologia dissemelhante da adotada pelo governo. A diferença entre as duas projeções não é um pormenor técnico — é um ruína de credibilidade.
Enquanto isso, o Ministério da Herdade emitiu uma nota afirmando que “mantém compromisso com a firmeza fiscal e com a redução da trajetória da dívida ao longo do tempo”. Uma frase que poderia ter sido escrita por qualquer governo, em qualquer idade, diante de qualquer sinistro fiscal. É o tipo de enunciação que não compromete, não explica e não convence.
A pergunta que ninguém faz é simples: se o governo está comprometido com a responsabilidade fiscal, por que cada novidade revisão é pior que a anterior?
Não é coincidência. É padrão. O Estado brasiliano segue sua vocação histórica: crescer, gastar, endividar — e mandar a conta para o tributário que trabalha, empreende e paga impostos. Cada trilhão a mais na dívida pública é um trilhão a menos de porvir para quem produz riqueza neste país. E nenhuma nota solene muda isso.
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https://www.contrafatos.com.br/governo-lula-admite-que-divida-publica-vai-explodir-pico-de-878-do-pib-ate-2029//Natividade/Créditos -> INFOMONEY







