Mapeamento indica publicações próximas em tema e tempo posteriormente liquidação do Banco Master
Um monitoramento realizado pela Federação Brasileira de Bancos identificou uma sequência de postagens feitas por influenciadores digitais que, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, apresentaram semelhança de abordagem e sincronia temporal ao tratar do Banco Master. O levantamento levanta a hipótese de uma ação coordenada contra o Banco Medial do Brasil e a própria Febraban.
De convénio com a entidade, diversos perfis publicaram conteúdos com temática convergente logo posteriormente a liquidação do Banco Master, reforçando críticas ao Banco Medial e questionando a velocidade e os critérios adotados pelos órgãos reguladores no caso.
Narrativas repetidas e carência de identificação publicitária
Embora cada influenciador tenha adotado linguagem própria, as publicações compartilham pontos centrais: suspicácia sobre decisões regulatórias, críticas diretas ao BC e menções à possibilidade de revisão do processo de liquidação do Master. A Febraban ressalta que, na maioria dos casos, não havia indicação de publicidade ou de teor patrocinado.
O levantamento destaca ainda que essas mensagens ganharam força principalmente posteriormente a peroração da liquidação, reforçando o caráter concentrado das manifestações.
Suspeita de pronunciação ligada a Daniel Vorcaro
As apurações avançaram com informações do sindicância levado pela Polícia Federalista, que aponta para uma verosímil orquestração do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Recluso em novembro durante a Operação Compliance Zero, Vorcaro é suspeito de ter orientado influenciadores a tutorar a instituição financeira e guerrear autoridades públicas envolvidas no processo.
Mensagens localizadas no celular do empresário indicam instruções para que auxiliares sem vínculo formal com o banco disseminassem conteúdos positivos sobre o Master e críticas direcionadas a seus opositores.
Esses indícios surgiram antes mesmo da liquidação, decretada pelo Banco Medial em 18 de novembro, período em que já se observavam ataques virtuais ao órgão regulador pela vagar na estudo da venda do banco ao BRB, operação barrada no início de setembro. Os influenciadores citados negam qualquer atuação coordenada.
Quem são os influenciadores mencionados
Entre os nomes citados estão Carol Dias e André Dias, responsáveis pelo Irmãos Dias Podcast, voltado a temas de investimentos. Os demais perfis atuam majoritariamente em teor de entretenimento e celebridades, sem relação direta com o mercado financeiro.
Carol Dias publicou, em 9 de dezembro, um vídeo alertando para possíveis impactos do caso Master sobre municípios e aposentadorias. Já em 29 de dezembro, voltou ao tema com tom crítico à decisão do BC.
Outro nome citado é Paulo Cardoso, que se apresenta porquê hipnoterapeuta e neuropsicanalista. Em 19 de dezembro, afirmou que a ingresso do Tribunal de Contas da União no caso indicaria irregularidades.
“Quando um órgão porquê o Tribunal de Contas da União (TCU) entra no caso, é porque tem coisa errada”.
No dia 6 de janeiro, Cardoso declarou que “não recebeu zero” e não assinou contrato “com banco nenhum”, sustentando que suas opiniões são “100% livres”.
Repercussão, páginas de fofoca e queda no volume
O influenciador Marcelo Rennó também comentou o incidente em vídeos publicados em 26 e 29 de dezembro, classificando a decisão do BC porquê “muito suspeita” e “estranha”. Em seguida a repercussão negativa, divulgou novo vídeo negando ter recebido qualquer valor para tratar do tópico.
Além de perfis pessoais, páginas de fofocas porquê Babadeira, Alfinetei e Diferentona repercutiram a liquidação do Banco Master e a saída de Renato Gomes do Banco Medial. Os administradores dessas páginas — entre eles João Guilherme Chagas Gabriel e Marcos Almeida de Lima — controlam uma rede que soma quase 40 milhões de seguidores.
Dados compilados pela Febraban mostram que o pico de publicações ocorreu em 27 de dezembro, com mais de 4,5 milénio posts relacionados ao tema. Já nas 24 horas até 5 de janeiro, o volume caiu para 132 publicações, todas na plataforma X, indicando redução expressiva do engajamento.
Em nota, a federação informou que monitora continuamente conteúdos sobre o sistema financeiro e segue avaliando se houve, de indumento, um ataque coordenado ao setor bancário.
Veja também
Banco Medial,Brasil,sindicância
https://www.contrafatos.com.br/conteudo-de-influenciadores-contra-o-bc-seguiu-padrao-semelhante-aponta-febraban//Manadeira/Créditos -> INFOMONEY







