O ministro da Rancho, Fernando Haddad, tentou nesta semana perfurar um via de diálogo com o governo dos Estados Unidos para evitar a emprego de uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, mas a tentativa não obteve sucesso. A iniciativa, segundo relato do próprio ministro a integrantes do governo Lula, ocorreu na última segunda-feira (21) por meio de sua assessoria, que procurou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.
Em resposta, a equipe de Bessent informou que o objecto não está sob responsabilidade do Tesouro, mas sim da Mansão Branca, que centraliza as decisões sobre a política mercantil americana neste caso específico. Com isso, os canais formais de negociação entre os dois governos continuam fechados, deixando o Brasil em alerta diante do impacto potencial da medida nas exportações nacionais.
Na semana anterior, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Negócio e Serviços, Geraldo Alckmin, também havia buscado interlocução direta com o governo americano. Ele chegou a conversar com o secretário de Negócio dos EUA, Howard Lutnick, mas recebeu resposta semelhante: a definição está sob controle da Presidência americana.
Clima de tensão
A prenúncio de sobretaxa acendeu um sinal de alerta no Palácio do Planalto e entre empresários brasileiros. A medida, se confirmada, poderá afetar setores estratégicos da economia brasileira, uma vez que agronegócio, siderurgia e bens manufaturados, aumentando custos e comprometendo a competitividade internacional de produtos nacionais.
Apesar da negativa americana em perfurar canais de negociação, o governo Lula avalia continuar buscando interlocução por vias diplomáticas. O Itamaraty acompanha o caso e poderá acionar organismos multilaterais, uma vez que a Organização Mundial do Negócio (OMC), caso as sobretaxas sejam aplicadas de forma considerada arbitrária ou discriminatória.
Retaliação?
Nos bastidores, fontes do governo não descartam que a atitude americana seja uma retaliação indireta ao posicionamento do Brasil em temas geopolíticos recentes, uma vez que a resguardo de uma multipolaridade global e críticas à transporte de conflitos internacionais. No entanto, oficialmente, os Estados Unidos não justificaram a medida nem apontaram publicamente os motivos que levaram à prenúncio da sobretaxa.
Próximos passos
Com os canais tradicionais bloqueados, a equipe econômica brasileira considera intensificar contatos com setores empresariais e diplomáticos nos EUA, numa tentativa de edificar pontes alternativas para evitar a escalada da tensão mercantil.
Enquanto isso, setores produtivos no Brasil aguardam com expectativa — e preocupação — o desfecho da disputa. Uma sobretaxa de 50% teria efeitos diretos sobre preços, empregos e exportações, podendo afetar negativamente o desempenho da economia brasileira no segundo semestre.
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