O ex-embaixador Rubens Barbosa analisou a quesito do Brasil, depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Para o diplomata, a orientação seria buscar diálogo direto com os norte-americanos.
+ Leia mais notícias de Política em Oeste
À CNN, Barbosa defendeu que a negociação é a única saída verosímil. Ele observou, ainda, que o cenário global mudou e que antigas regras do transacção internacional deixaram de vigorar desde a chegada de Trump ao poder.
“Não há mais regras previsíveis do transacção internacional”, disse. “Não há mais a OMC [Organização Mundial do Comércio] para recorrer.”
Motivações políticas e riscos para o Brasil
Na avaliação do ex-embaixador, a tarifa imposta ao Brasil reflete motivações políticas, com questões ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e até pressões das grandes empresas de tecnologia. Ele alerta para eventuais regulamentações brasileiras, que podem gerar atritos com interesses da indústria e do mercado dos EUA.
Barbosa cita exemplos de países e blocos, uma vez que México, Canadá, União Europeia e Coreia, que tentaram inicialmente enfrentar os Estados Unidos, mas acabaram por retomar o diálogo. “Não tem escolha”, afirmou o diplomata, além de realçar que exclusivamente a China conseguiu resistir, por ser grande potência e principal parceira mercantil dos EUA.
Desafios de notícia e propostas de negociação
Outra preocupação de Barbosa é a falta de canais abertos entre Brasil e Estados Unidos, tanto no governo norte-americano quanto no Departamento de Estado.
“Uma vez que você pode imaginar o Brasil, uma potência média, líder na América do Sul, com um transacção de U$ 90 bilhões com os Estados Unidos, não conversar?”, questionou o ex-embaixador.
Leia também: “O desmonte do Itamaraty”, cláusula de Adalberto Piotto publicado na Edição 275 da Revista Oeste
Uma vez que estratégia, ele sugere que o Brasil pode propor cortes tarifários sobre itens uma vez que etanol, atualmente sujeito a tarifa de 18% para importação dos EUA, e remover obstáculos não tarifários sobre mercadorias norte-americanas. Ele ressalta que negociar não implica submissão, mas, sim, a resguardo do interesse vernáculo.
Ao fechar, Barbosa destacou a transformação do transacção internacional desde o governo Trump. “Não existe mais regras estáveis e previsíveis no transacção internacional”, avaliou. “Agora é a lei da selva, a lei do mais potente, e a gente ou entra nessa novidade situação, ou nós vamos suportar muito mais.”
https://revistaoeste.com/politica/ex-embaixador-defende-dialogo-do-brasil-com-eua-depois-de-tarifa-de-trump//Nascente/Créditos -> REVISTA OESTE








