A Instauração Perseu Abramo (FPA) – que atua na formação da militância do Partido dos Trabalhadores (PT) – negou a “promoção político-partidária” em um curso oferecido em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sobre “os desafios do desenvolvimento, trabalho e políticas públicas no Brasil’.
A FPA ministrou a lição inicial do curso no dia 18 de março de 2025, e finalizou o treinamento no dia 30 de junho.
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Para participar da formação, os alunos precisaram justificar a desfecho de curso superior em qualquer dimensão e enviar epístola ou vídeo de apresentação e de motivação. A Instauração ofertou centena vagas.
Segundo transmitido da FPA, a seleção dos candidatos levou em conta “critérios de paridade entre gênero, etnia e as cinco regiões geográficas do país”.
Um reportagem publicada pelo jornal Publicação do Povo, na quinta-feira 3, mostrou que o candidato precisava passar por um tipo de filtro ideológico para ser aceito no curso. É que no edital, a FPA pedia aos candidados um vídeo limitado falando sobre sua “trajetória de atuação profissional, sindical e política”.
Procurada pela reportagem, a Instauração Perseu Abramo negou a existência de um filtro ideológico na seleção e disse que “o objetivo das aulas não tem absolutamente zero a ver com promoção político-partidária”.
Presidente da FPA disse que curso ajudaria o PT
Na lição inicial, realizada na sede da Instauração e transmitida pelo Youtube, o presidente da FPA, Paulo Tarciso Okamotto, agradeceu aos “companheiros da Unicamp” que se empenharam nas negociações para viabilizar o convênio e ressaltou a valor do curso para a militância do PT.
“Quero invitar muitos companheiros do PT que possam fazer esse curso também, que eu tenho certeza que vai ajudar o nosso partido”, disse.
Curso teve aulas ministradas por líder do MST e presidente do IBGE
O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, participou da lição inicial porquê professor convidado. Pochmann já presidiu a Instauração Perseu Abramo.
“É um privilégio uma instalação do PT oferecer um curso com a qualidade e com a profundidade num momento decisivo da história brasileira”, disse Pochmann.
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João Pedro Stédile, fundador e principal líder do Movimento Sem-Terreno (MST), ministrou outra lição no curso. Stédile falou da questão agrária e ressaltou a valor da unidade da linguagem usada pela militância.
Segundo o líder invasor, a linguagem correta seria aquela utilizada nos “cursos de formação da militância do MST e da Via Campesina”.
Unicamp não se posicionou sobre convênio
Procurada pela reportagem, a Unicamp direcionou os questionamentos para o Núcleo de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT), responsável pela fala do convênio.
O CESIT defendeu a legitimidade do convênio e disse que o curso não recebe recursos da instituição. Aliás, o Núcleo ressaltou que coube ao Instituto de Economia a oferta técnico-científica.
Unicamp e CESIT não compartilharam a grade curricular do curso, nem informaram quem recebeu os pagamentos dos alunos.
Segundo transmitido da FPA, 50% do curso seria financiado pela Instauração. Com isso, cada aluno deveria remunerar R$ 395,85 divididos em até três parcelas, mais taxa de matrícula de R$ 21 aos aprovados.
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