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Leia de novo: quase quatro anos depois.
A matemática do desespero
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Lula governa o Brasil desde janeiro de 2023. Teve orçamentos bilionários, maioria no Congresso em boa segmento do procuração, ministérios inflados e toda a máquina do Estado à disposição. Ainda assim, a melhor estratégia que sua campanha encontrou foi mostrar o dedo para o predecessor e manifestar que “reconstruir leva tempo”.
Quanto tempo, exatamente? Porque o votante que faz feira todo sábado não está interessado em aulas de história. Está interessado no preço do arroz.
E é aí que a história complica.
O próprio Lula admite no programa: “Eu sei que ainda não está bom.” Pois muito. Se não está bom depois de quatro anos com a caneta na mão, por que o votante deveria crer que estará bom nos próximos quatro?
A velha silabário requentada
O programa recorreu a imagens de pratos vazios e ossos com sobras de músculos — a famosa “fileira do osso” de 2022. O problema é que reciclar material de campanha de quatro anos detrás não é estratégia. É atestado de que não há zero novo para mostrar.
Lula afirmou que seus adversários “governam para milionários”. Mas não é seu próprio governo que gasta R$ 8,1 bilhões em repúdio fiscal para ampliar o limite do MEI — transformando em “promessa de campanha” um projeto que ele mesmo já enviou ao Congresso uma vez que presidente? Quando a traço entre governar e fazer campanha desaparece, quem paga a conta é o tributário.
A promessa do MEI: governar ou fazer campanha?
A ampliação do limite do MEI para R$ 140 milénio é apresentada uma vez que se fosse uma donativo futura, uma razão para reeleger Lula. Mas o projeto já foi enviado ao Legislativo pelo próprio governo. Logo, é política pública ou moeda eleitoral?
O dispêndio estimado: R$ 8,1 bilhões até 2029. O mesmo governo que fala em responsabilidade fiscal transforma repúdio tributária bilionária em peça de propaganda. Nenhuma termo sobre de onde sairá o quantia. Nenhuma termo sobre o impacto nas contas públicas. Unicamente a promessa — e a esperança de que o votante não faça as contas.
Invocar o contendor de mentiroso não é programa de governo
O programa também dedicou tempo a tentar descreditar Flávio Bolsonaro, com pessoas chamando-o de “mentiroso”, “face de pau” e “Pinóquio”. Pode até ser eficiente uma vez que tática eleitoral. Mas quando a principal resposta de um presidente em treino ao desenvolvimento do contendor nas pesquisas é xingá-lo, isso diz mais sobre quem xinga do que sobre quem é xingado.
Flávio Bolsonaro aparece tecnicamente empatado com Lula nas pesquisas. Na Quaest mais recente, está numericamente primeiro: 42% contra 40%. A campanha petista sabe disso. E o desespero transparece em cada quadro do programa.
O problema de fundo
Lula fala em inflação controlada, isenção de impostos na cesta básica e Imposto de Renda uma vez que “14º salário”. São promessas que custam quantia — muito quantia. E nenhuma delas responde à pergunta que o votante faz todos os dias no supermercado: por que tudo continua tão dispendioso?
Culpar o governo anterior é um recurso que tem prazo de validade. E esse prazo, para um presidente que governa há quase quatro anos, já venceu faz tempo.
A verdade inconveniente é simples: se Lula tivesse resultados para mostrar, não precisaria gastar seu horário eleitoral falando de Bolsonaro. Falaria de si mesmo. Falaria dos números. Falaria do presente.
Mas o presente é justamente o que ele não consegue explicar.
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https://www.contrafatos.com.br/se-a-vida-melhorou-por-que-lula-ainda-precisa-culpar-bolsonaro//Natividade/Créditos -> CONTRA FATOS
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