Gilmar Mendes avalia que parlamentar eleito com promessa de impeachment de ministro do STF enfrentará obstáculos enormes para concretizar a proposta
Por ContraFatos 19/08/2026 Atualizado em 19/08/2026
Decano do Supremo classifica promessas de retraimento de magistrados porquê apelo eleitoral sem viabilidade prática
Candidatos ao Senado que levantam a bandeira do impeachment de ministros do STF vão se deparar com obstáculos praticamente intransponíveis caso tentem colocar o projecto em prática. A avaliação é do próprio Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federalista, que se manifestou sobre o matéria nesta quarta-feira (19).
Intervalo entre oração de campanha e ação legislativa
Ao refletir sobre as bandeiras de renovação política que têm ganhado força no cenário eleitoral, o ministro reconheceu o apelo popular da proposta, mas ressaltou o abisso que separa a retórica da realização concreta. “Eu acho que é um equívoco, mas é um equívoco compreensível, porque certamente algumas pesquisas indicam que isto tem um apelo eleitoral. Entre o pensamento e a ação, o pensamento e o gesto, vai uma intervalo enorme. E, certamente, se alguém com essa bandeira se tornar senador, terá imensas dificuldades de implementá-la”, afirmou o decano.
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O magistrado também foi indagado se o oração bolsonarista de postulantes ao Senado representaria alguma ameaço pessoal a ele. Gilmar Mendes tratou a questão com serenidade e descartou preocupação. “Todo institucional caminhará talvez num outro sentido. Eu não fico preocupado com essa temática, mas entendo”, disse. “É aquilo que se faz unicamente para fins de comercialização ou, no caso eleitoral, para fins eleitorais. Eu sou o enfermeiro que já viu sangue. (risos) Portanto, não me impressionam essas promessas de campanha”.
Urnas eletrônicas e possíveis sanções internacionais
Outro ponto abordado pelo decano foi a robustez do sistema eleitoral brasílio diante de suspeitas de interferência estrangeira. Gilmar Mendes fez questão de sobresair a confiabilidade das urnas eletrônicas, que funcionam há mais de duas décadas no país. “Eu espero que não. E, porquê vocês sabem, o Brasil tem uma democracia sólida. Um dos pilares de crédito é o sistema eletrônico de votação. Vocês todos acompanham as eleições há mais de 20 anos com a fidelidade que se tem. Às 5 horas se encerram as sessões, às 7 horas da noite nós já temos os resultados. E continuamos tendo essa credibilidade”.
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Sobre eventuais ameaças de sanções internacionais contra integrantes da Incisão, amparadas em legislações de outros países, o ministro destacou a solidez institucional do Brasil e a capacidade de reação do governo. “Nós temos sabido mourejar com a resguardo das nossas posições. O país tem instituições fortes que sabem dar respostas adequadas. Agora, recentemente, voltou-se à questão do tarifaço e o país começa a responder também com as chamadas medidas de reciprocidade.”
Situação dos pagamentos e penduricalhos no Judiciário
Ao fechar suas declarações, Gilmar Mendes também comentou a polêmica envolvendo benefícios e verbas retroativas pagos no Poder Judiciário. O decano avaliou que houve avanços significativos no enfrentamento do problema. “Estamos no bom caminho. Vocês se lembram, vocês noticiavam problemas sérios nesta espaço e pagamento de retroativos e muitas questões ligadas aos penduricalhos. Desde o ano pretérito, nós começamos a nos posicionar e acredito que chegamos a um bom termo”.