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A Associação dos Servidores do IBGE — a Assibge — não economiza nas palavras. Labareda a relação com a presidência de “muito conflituosa e desgastante”. Denuncia decisões “unilaterais” e “autocráticas”. Aponta mudanças no regime de trabalho e na remuneração dos agentes de coleta impostas sem diálogo.
Mas há um pormenor.
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A queixa vai muito além de salários e jornadas. Os servidores estão questionando a própria credibilidade do instituto. E é aí que a história complica.
Dados de big techs no lugar da coleta tradicional
A Assibge manifestou preocupação com o uso de dados fornecidos por grandes empresas de tecnologia em substituição a secção da coleta tradicional. Para os servidores, a medida pode comprometer o sigilo estatístico e a confiabilidade dos indicadores que há décadas orientam decisões econômicas no Brasil.
Pense nisso por um segundo. O órgão que produz o PIB, a inflação, o desemprego — os números que movem mercados e pautam políticas públicas — estaria terceirizando secção de seu trabalho para big techs? Sem discussão pública? Sem transparência?
A pergunta que ninguém faz é simples: quem audita esses dados?
A instauração irregular e o contrato de R$ 80 milhões
Outro ponto explosivo é a geração da chamada IBGE+, uma instauração pública de recta privado que já foi considerada irregular pelo Tribunal de Contas da União. Irregular. Pelo TCU. E mesmo assim foi adiante.
Some a isso um contrato de aproximadamente R$ 80 milhões com o Serpro para serviços de computação em nuvem. O sindicato alerta que o protótipo pode expor microdados protegidos por sigilo estatístico a empresas multinacionais eventualmente subcontratadas.
Agora compare. Quando o ponto é vigilância de cidadãos comuns na internet, o governo não hesita em tutelar o controle totalidade da informação. Mas quando se trata de dados estatísticos estratégicos do país, a porta está escancarada para multinacionais?
Não é coincidência. É padrão.
Um instituto que perdeu a crédito de quem o sustenta
O IBGE já foi sinônimo de credibilidade técnica. Uma ilhota de conhecimento no arquipélago de ineficiência estatal. Seus servidores carregavam esse orgulho — e agora são justamente eles que estão dizendo: um pouco está falso cá.
A gestão Pochmann acumula críticas desde o início. Decisões autocráticas. Projetos barrados pelo TCU. Contratos milionários sem a devida transparência. Substituição de metodologias consagradas por arranjos com empresas privadas de tecnologia.
A Assibge afirma que, até o momento, não há indicação de detido na divulgação dos indicadores econômicos. A direção do IBGE sustenta que o órgão segue funcionando. Pode ser. Mas funcionar não é o mesmo que funcionar muito — e certamente não é o mesmo que funcionar com credibilidade.
Quando os próprios servidores de uma instituição forçoso vão às ruas denunciar que a autonomia técnica está sendo destruída por dentro, o problema não é sindical. É institucional. E num país onde cada décimo de ponto no PIB ou na inflação pode valer bilhões em decisões de mercado, a integridade dos dados não é um luxo.
É a única coisa que importa.
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https://www.contrafatos.com.br/ibge-em-greve-quando-os-proprios-servidores-nao-confiam-nos-numeros-do-governo//Nascente/Créditos -> CONTRA FATOS
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