Grupo Dolly acumula dívida ativa de R$ 15,7 bilhões e enfrenta pedido de falência apresentado pela PGFN e pela PGE-SP em seguida 25 anos de inadimplência
Por ContraFatos 02/07/2026 Atualizado em 02/07/2026
Procuradoria da Quinta Vernáculo e Procuradoria do Estado de São Paulo uniram forças para solicitar a falência do conglomerado de refrigerantes
Um passivo de R$ 15,7 bilhões levou o Grupo Dolly, conglomerado brasílico famoso pela produção de refrigerantes, ao núcleo de uma disputa judicial que pode estatuir o termo de suas atividades. O pedido de falência foi apresentado de forma conjunta pela Procuradoria-Universal da Quinta Vernáculo (PGFN) e pela Procuradoria-Universal do Estado de São Paulo (PGE-SP).
Elaboração da dívida bilionária
A dívida ativa acumulada pelo Grupo Dolly distribui-se entre três frentes. Conforme apontam a PGFN e a PGE-SP, R$ 8,3 bilhões estão inscritos em dívida ativa da União. Outros R$ 7,4 bilhões correspondem a débitos com o Estado de São Paulo. Já o montante relacionado ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) gira em torno de R$ 15 milhões.
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Alegações de blindagem patrimonial
Os dois órgãos argumentam na ação judicial que a inadimplência do grupo se arrasta por mais de 25 anos. Segundo a PGFN e a PGE-SP, o endividamento não resulta simplesmente de dificuldades financeiras. A querela médio é de que a empresa recorreu a mecanismos de “blindagem patrimonial” — estratégias jurídicas e financeiras destinadas a proteger bens contra processos judiciais, dívidas ou falências — para se esquivar do pagamento de tributos.
Essa conduta, de consonância com o pedido de falência, teria prejudicado concorrentes do setor, que arcam regularmente com suas obrigações fiscais.
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Quase oito anos em recuperação judicial
O Grupo Dolly ingressou com pedido de recuperação judicial em 2018. A recuperação judicial é um instrumento jurídico que possibilita a empresas renegociar dívidas, preservando postos de trabalho e evitando o fecho totalidade das operações. Por meio dele, as companhias ficam temporariamente desobrigadas de determinados pagamentos enquanto buscam renovação.
Porém, a PGFN e a PGE-SP sustentam que, ao longo de quase oito anos sob esse regime, o grupo não quitou seus débitos fiscais. Pelo contrário: teria criado “novas estruturas de blindagem patrimonial e planejamento tributário”, aprofundando a inadimplência em vez de solucioná-la.
O que está em jogo
Caso a Justiça acate o pedido, o Grupo Dolly poderá ter a falência decretada, o que significaria a liquidação de seus ativos para quitação parcial da dívida de R$ 15,7 bilhões. A decisão representa um marco na atuação conjunta entre os fiscos federalista e estadual para cobrar devedores de grande porte.
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