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Vamos aos fatos. O influenciador Felca anunciou o retorno com um vídeo, e secção dos apoiadores de Lula decidiu por conta própria qual seria o teor: um ataque ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Quando o vídeo saiu, tinha uma hora e tratava da fobia social dele e do bullying que enfrentou. A expectativa virou frustração.
Frustração com o quê, exatamente? Ninguém prometeu o vídeo que a militância queria ver. Ela o encomendou sozinha e, porquê o pedido não chegou, mandou a conta para o responsável.
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E o vídeo saiu no 20 de outubro, Dia de Combate ao Bullying. A data nem fez secção da conta de quem reclamou.
Veja o tom da reação. Uma eleitora de Lula escreveu que, num país em período eleitoral, em que “ninguém fala de outra coisa” e influenciadores e artistas “são cobrados para se posicionarem”, falar de fobia social “não vai ser muito recebido justamente pelo contexto”. Chamou o tema de “um problema sério”, mas acrescentou que a escolha “provavelmente vai piorar a sua fobia social”.
Releia. O sofrimento de alguém é descrito porquê problema sério e, na mesma frase, porquê erro de calendário.
Agora, o proporção de urbanidade. O influenciador Felipe Neto reagiu com um palavrão, seguido de “Uma profundeza dessa. Num fode.” É a eloquência de quem acha que o desabafo alheio chegou fora de hora.
O ator José de Abreu, que segundo o texto original tem pressionado figuras públicas a se posicionar em prol de Lula, foi mais paciente, mas não menos persistente. Primeiro disse que Felca estava fazendo “bait” e pediu para “aguardarmos”. Depois afirmou que alguém com 17 milhões de seguidores não jogaria sua credibilidade no lixo. Na madrugada, marcou o perfil do influenciador: “manda logo o outro vídeo!”
Manda logo. Porquê quem ofídio o garçom por um prato que o cliente decidiu sozinho que estava no cardápio.
Mas há um pormenor. Nenhum cidadão deve a um candidato, a um partido ou a uma militância o teor que publica. Posicionar-se em eleição é recta, não tributo. Influenciador não é cabo eleitoral compulsório, e silêncio sobre política também é uma forma de sentença.
A pressão para que figuras públicas declarem voto virou rotina. Quem declara é aplaudido. Quem não declara é cobrado. Quem prefere falar de outra coisa, ainda que seja uma dor pessoal, é tratado porquê traidor.
É esse o “governo do paixão”? Um paixão que dura enquanto o outro diz o que se espera dele? Que se transforma em desprezo quando alguém usa a própria voz para tratar da própria vida?
Convém não generalizar: o texto original cita algumas reações, não todas. Mas as citadas dizem muito. Em nenhuma delas o problema foi o teor do vídeo. O problema foi o vídeo não ter servido à campanha.
Um país que se diz democrático deveria saber conviver com quem não entrega o que dele se esperava. Quem só tolera a liberdade alheia quando ela serve à própria pretexto não defende a liberdade. Defende a conveniência.
No término, a pergunta é simples: se falar sobre bullying é uma frustração política, quem de vestuário está sendo intimidado?
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https://www.contrafatos.com.br/felca-no-governo-do-amor-afeto-tem-condicoes-e-quem-foge-do-roteiro-vira-alvo-de-odio//Manadeira/Créditos -> CONTRA FATOS
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