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Coincidência de calendário? Pode ser. Mas é uma coincidência muito profíquo.
Na rede X, Lula escreveu: “Conquistamos o termo da graduação 6×1 e agora é hora de continuar ainda mais!”. Seguir, no caso, significa ampliar a lista de promessas, não explicar porquê ela será paga.
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O pormenor que o presidente não informou
Lula não disse quanto custará a gratuidade. Não disse porquê será financiada. Não disse nem se o governo federalista vai assumir as despesas das prefeituras.
Três perguntas básicas, nenhuma resposta. É logo que se governa? Ou é logo que se faz campanha?
Uma proposta que mexe com o transporte de todas as cidades do país chega ao sufragista sem preço, sem manadeira de recursos e sem subdivisão de responsabilidades entre União e municípios. Um cheque em branco assinado em horário eleitoral. E cheque em branco tem um direcção publicado: é descontado, mais cedo ou mais tarde, do bolso do tributário.
A fileira de promessas
O passe livre não chegou sozinho. Chegou em companhia de outras medidas anunciadas nas últimas semanas de campanha:
- o reajuste do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691, com pagamento previsto para principiar seis dias antes da votação;
- o perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas de microempreendedores individuais (MEIs);
- a proposta de conceder até R$ 5 milénio a pequenos negócios;
- a ampliação do Pé-de-Meia para universitários, com R$ 700 mensais durante dez meses, a partir de 2027;
- uma medida provisória, assinada em setembro, para proibir as apostas esportivas e os jogos de contratempo on-line.
Todas foram anunciadas durante a campanha presidencial. Todas, em maior ou menor proporção, têm dispêndio. E o presidente ainda não apresentou a conta de nenhuma delas de forma conjunta ao país.
Some os valores que o próprio noticiário já traz. Depois pergunte onde está o numerário. A pergunta incomoda porque a resposta é sempre a mesma: no imposto de hoje ou no imposto de amanhã.
Quem paga a farra
Cá está o ponto meão. Gasto público sem lastro não desaparece. Vira mais tributo, mais dívida ou mais inflação. Em qualquer das três hipóteses, quem paga é o tributário. E, quando a conta vem em forma de preços mais altos, é o mais pobre quem sente primeiro, porque é o que tem menos margem para sorver o golpe.
O oração diz que o mercê é para o trabalhador e a trabalhadora. A fatura, porém, será emitida em nome deles. A nobreza é eleitoral. O dispêndio é permanente.
Há ainda um uso evidente da máquina pública. Na reta final da campanha, o presidente em manobra transforma o poder de anunciar em instrumento de persuasão do sufragista. Medidas lançadas com data, dia e hora para render voto não se confundem com planejamento de Estado. São vitrine.
O freio que ainda existe
Por ser PEC, a proposta ainda precisa ser encaminhada ao Congresso. Precisará do suporte de pelo menos três quintos dos parlamentares: 308 dos 513 deputados federais e 49 dos 81 senadores, em dois turnos de votação em cada Vivenda. Secção das demais medidas também depende de aprovação ou regulamentação.
Ou seja, o Congresso terá a chance de perguntar o que o presidente não respondeu. Quanto custa? Quem paga? E as prefeituras, entram na conta?
Se os parlamentares não perguntarem, o sufragista deveria. Porque o problema não é a teoria de transporte mais barato. O problema é prometer a gratuidade sem manifestar o preço, a dez dias de uma eleição.
Qualquer governo que precisa esconder o dispêndio da própria nobreza já deu a resposta. E o brasílico, que sempre paga, merece pelo menos saber de antemão o valor da nota.
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