Chanceler relata conversa com mando dos EUA e defende cooperação no combate ao delito
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou nesta quarta-feira (25) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é contrário à classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho porquê organizações terroristas estrangeiras.
A posição foi reforçada durante entrevista à GloboNews, na qual o chanceler relatou uma conversa recente com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
Governo defende atuação conjunta, mas rejeita classificação
Segundo Vieira, o Brasil prefere focar em ações concretas de combate ao delito organizado em parceria com os Estados Unidos, em vez de adotar a classificação de terrorismo.
“Eu falei ao telefone com o secretário Marco Rubio e eu manifestei exatamente o que eu disse… que o governo brasiliano é contra essa classificação. Nós queremos, sim, combater e tomar propostas e iniciativas concretas com o governo americano, inclusive para combater o tráfico de drogas, combater o consumo de drogas em todos os países, inclusive nos Estados Unidos, combater o contrabando de armas dos Estados Unidos que é enorme para vários países da região e para o Brasil.
A grande maioria das armas vem dos Estados Unidos. Logo, precisamos trabalhar juntos para combater esses tipos de crimes, combater os crimes financeiros de organizações criminosas, de lavagem de verba. Essa que foi a conversa do presidente Lula com o presidente Trump e essa conversa recente com o secretário de Estado.”
Atuação internacional das facções preocupa autoridades
A provável classificação das facções porquê terroristas é uma decisão soberana dos Estados Unidos. Há registros de atuação do PCC e do CV em território americano, incluindo investigações conduzidas pelo FBI.
Na Flórida, por exemplo, o PCC é suspeito de utilizar o mercado imobiliário para lavar verba. Em 2024, o traficante Diego Macedo Gonçalves, ligado ao grupo, foi incluído na lista de sanções do Tesouro dos EUA por envolvimento com o tráfico internacional de drogas.
Rotas de armas e drogas entre Brasil e EUA
Investigações da Polícia Federalista indicam que armas e peças são adquiridas por intermediários nos Estados Unidos e enviadas ilegalmente ao Brasil, abastecendo principalmente o Comando Vermelho.
Um caso emblemático ocorreu em 2017, quando 60 fuzis vindos de Miami foram apreendidos no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.
Outrossim, secção do tráfico de drogas operado por essas organizações utiliza portos brasileiros para envio de cargas ilícitas a destinos porquê Estados Unidos, Europa e Ásia.
Conexões com grupos internacionais
De convenção com o profissional Leonardo Coutinho, diretor do Center for a Secure Free Society, o PCC mantém relações com organizações já classificadas porquê terroristas pelos EUA, porquê o Hezbollah.
“O PCC está metido na logística das drogas enviadas pelos portos do Brasil. Na África e no Oriente Médio, o Hezbollah assume a droga, ocultando sua origem. É o que se labareda de convergência do delito”, afirma Coutinho.
Debate sobre noção de terrorismo
O profissional também destaca que o noção de terrorismo não se limita a atentados tradicionais. Segundo ele, ações do PCC no início dos anos 2000 já apresentavam características típicas desse tipo de prática.
“No início dos anos 2000, o PCC realizou uma série de explosões e implantou o terror em São Paulo. Em 2002, tentou explodir a Bolsa de Valores de São Paulo. Terrorismo não é só um homem-bomba se explodir. O principal objetivo é desafiar o Estado. É aterrorizar a população para buscar o termo que eles querem”, afirma.
Tema segue em debate internacional
A discussão sobre a classificação dessas facções envolve não exclusivamente critérios jurídicos, mas também implicações diplomáticas e estratégicas. Enquanto o Brasil mantém posição contrária, autoridades americanas avaliam os impactos da eventual inclusão dos grupos na lista de organizações terroristas.
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