Movimento ganha novas assinaturas e pressiona Davi Alcolumbre a encaminhar processo no Senado
O encolhimento de Dias Toffoli da relatoria da investigação sobre a compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), anunciado na quinta-feira, 12, não encerrou a pressão política contra o ministro do Supremo Tribunal Federalista (STF). Pelo contrário: parlamentares intensificaram a fala por um pedido de impeachment.
Uma lista que reúne assinaturas de senadores e deputados favoráveis à início do processo segue crescendo. O objetivo é pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a encaminhar o pedido à Advocacia do Senado e, caso haja parecer favorável, levá-lo à votação no plenário.
Pressão no Senado
Entre os defensores da medida está o senador Styvenson Valentim (PSDB-RN). Ele afirmou que o conjunto de informações reveladas pela Polícia Federalista é suficiente para justificar a início do processo.
“Assinamos o pedido de impeachment e acredito que diante de tanta prova robusta que está sendo levantada pela Polícia Federalista (PF) o ministro Toffoli não tem a exigência de se manter mais neste função”, declarou à Oeste. “Portanto ele poderia evitar o impeachment e renunciar, porque a situação está impossível, e ele vai tolerar pressão popular para trespassar e responder esse processo na Justiça. Há informação suficiente para iniciar o processo, e vamos focar uma quebra de sigilo.”
Styvenson também criticou a relação entre o ministro e empresas ligadas ao caso Master. “Vejo uma relação promíscua entre o ministro Dias Toffoli com a empresa, o resort, envolvido com o Banco Master, uma relação que expõe até onde vão esses tentáculos, esse envolvimento dos Poderes”, afirmou. “No caso, veio à tona o nome do ministro do STF, porquê tem também rastros no Parlamento, que ainda vão ser descobertos; tenho certeza disso, tudo isso mostra a relação apodrecida dos poderes.”
Mensagens e resort no Paraná
O movimento ganhou força posteriormente investigadores da PF encontrarem mensagens no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que teve liquidação decretada pelo Banco Mediano por, entre outras razões, negociação de títulos fraudulentos.
As informações constam de relatório enviado ao presidente do STF, Edson Fachin, na segunda-feira 9. O documento cita conversas entre Vorcaro e Toffoli, além de mensagens trocadas entre o banqueiro e o cunhado, Fabiano Zettel, relacionadas ao pagamento pela compra de segmento do Tayayá Resort, empreendimento da família do ministro no Paraná.
A Polícia Federalista admite que pode ter havido descumprimento da Lei da Magistratura, embora não tenha pedido o encolhimento de Toffoli da relatoria.
Resguardo do ministro
Em nota divulgada também na quinta-feira, 12, o gabinete de Toffoli negou que o ministro tenha recebido “qualquer valor” de Vorcaro ou de Fabiano Zettel. O transmitido confirmou que a empresa Maridt, da qual o ministro participava, vendeu sua segmento no Tayayá Resort ao fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e outra parcela à PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025. O texto ressalta que todas as operações foram declaradas à Receita Federalista.
Para Styvenson, isso não altera a seriedade do caso. “Não vejo nenhum atenuante no traje de ele ter informado a Receita Federalista; ele tinha conhecimento das fraudes do Banco Master por ter envolvimento com o Daniel Vorcaro, por ter mensagens cobrando verba desse empresário, portanto não tem atenuante nenhum”, afirmou.
O senador também considera irrelevante o traje de Toffoli ter deixado a relatoria. “E o que agrava é ele tomar para si mesmo, diante do silêncio dos outros ministros do STF, o processo e todas as provas e permanecer conduzindo aquele processo. Entendeu? Isso é inadmissível para a República brasileira ter esse envolvimento de um ministro, um banco nesse escândalo, e ele ser o julgador. Já passou do limite.”
Ceticismo sobre progresso
O senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) informou que pretende assinar o pedido ao retornar a Brasília. Ele avalia que a saída de Toffoli da relatoria não deve esfriar a mobilização para afastá-lo do função. Ainda assim, demonstra descrença quanto ao desfecho.
“Davi Alcolumbre nunca colocará um pedido de impeachment para ser votado”, afirmou. “Mesmo que o cheiro de podre se espalhe por toda a República.”
Para que um ministro do STF seja réprobo e longínquo definitivamente, são necessários 54 votos favoráveis no Senado, o equivalente a dois terços da Mansão.
Parlamentares que assinaram o pedido
Senadores
- Magno Súcia — PL-ES;
- Jaime Bagattoli — PL-RO;
- Marcos Pontes — PL-SP;
- Hamilton Mourão — REPUBLICANOS-RS;
- Plínio Valério — PSDB-AM;
- Carlos Portinho — PL-RJ;
- Eduardo Girão — NOVO-CE;
- Styvenson Valentim — PSDB-RN;
- Cleitinho — REPUBLICANOS-MG;
- Luis Carlos Heinze — PP-RS;
- Vanderlan Cardoso — PSD-GO;
- Izalci Lucas — PL-DF;
- Marcos do Val — PODEMOS-ES;
- Alessandro Vieira — MDB-SE;
- Flávio Bolsonaro – PL-RJ;
- Damares Alves — REPUBLICANOS-DF;
- Marcio Bittar — PL-AC;
- Marcos Rogério — PL-RO;
- Esperidião Amin — PP-SC;
- Sergio Moro — UNIÃO-PR.
Deputados
- Rodolfo Nogueira — PL-MS;
- Marcel van Hattem — NOVO-RS;
- Marcio Intestinal — PL-SP;
- Rosana Valle — PL-SP;
- Rodrigo da Zaeli — PL-MT;
- Procurador Caveira — PL-PA;
- Zé Trovão — PL-SC;
- Carla Dickson — UNIÃO-RN;
- Cabo Gilberto Silva — PL-PB;
- Luiz Philippe de Orleans e Bragança — PL-SP;
- Luiz Lima — NOVO-RJ;
- Girão — PL-RN;
- Procurador Fabio Costa — PP-AL;
- Junio Amaral — PL-MG;
- Sargento Fahur — PSD-PR;
- Dr. Frederico — PRD-MG;
- Evair Vieira de Melo — PP-ES;
- Adriana Ventura — NOVO-SP;
- Pedro Westphalen — PP-RS;
- Helio Lopes — PL-RJ;
- Sargento Gonçalves — PL-RN;
- Gilvan da Federalista — PL-ES;
- Rosangela Moro — UNIÃO-SP.
As informações são da Revista Oeste.
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