O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), adiou a votação do projeto de lei antifacção proposta pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a próxima terça-feira, 18, em seguida pedido do próprio relator, Guilherme Derrite (PP-SP), em razão de divergências ainda existentes sobre o texto.
“Atendendo a demanda de vários colegas parlamentares, eu peço a Vossa Primazia, encarecidamente, que a gente possa pautar definitivamente esse debate na terça-feira da semana que vem para que essas correções possam ser ajustadas para que a gente não corra o risco de perder essa grande oportunidade”, disse Derrite.
O governo ainda é crítico do texto do relator e fala que o parecer de Derrite fragiliza a Polícia Federalista, causando uma “fragmentação orçamentária”. Foi o que disse, por exemplo, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT).
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O texto é visto com maus olhos também no Ministério da Justiça. “Se esse texto for autenticado do jeito que está, vamos jogar uma petardo para o sistema existente para o combate a organizações criminosas”, afirmou Marivaldo Pereira, secretário de assuntos legislativos da pasta.
Derrite apresentou a quarta versão do seu relatório substitutivo na noite desta quarta-feira, 12, atendendo a mais uma demanda do governo, e incluiu previsão de recursos para a Polícia Federalista no caso de bens apreendidos em operação contra organizações criminosas.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse mais cedo que o relatório anterior de Derrite promovia uma “descapitalização” da PF ao direcionar recursos de fundos federais e destiná-los aos Estados.
“O relator voltou detrás em não retirar as atribuições da Polícia Federalista, mas deixou a descapitalização da Polícia Federalista. Ao esvaziar todos os fundos federais, ao repartir esses fundos, distribuí-los entre os estados e não deixar zero para o federalista. Isso nos preocupa muito, porque a Polícia Federalista precisa de recursos para as suas operações”, afirmou.
No novo parecer, Derrite diz que a destinação de bens apreendidos devem ir ao Fundo de Segurança Pública do respectivo Estado, se o transgressão estiver investigado pelas autoridades locais; ao Fundo para Aparelho e Operacionalização das Atividades-Término da Polícia Federalista (Funapol), se o delito for investigado pela Polícia Federalista. Se houver atuação conjunta, o recurso é dividido também.
Para petistas, essa “descapitalização” continua no texto. Marivaldo aponta, por exemplo, que a maior segmento dos recursos obtidos pela Polícia Federalista vieram do Fundo Vernáculo Antidrogas (Funad), e não do Funapol.
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Apontam também que a concorrência com a Lei de Organizações Criminosas também causaria um “caos jurídico”. “Criminosos vão poder questionar, entrar com inúmeros recursos e protelar processos. O que é essa ‘organização ultraviolenta’? Qual a diferença dela para uma organização criminosa generalidade? Isso não está no texto”, pondera Marivaldo.
Lindbergh também criticou esse ponto. “O relator insiste em inventar categorias sem fundamento jurídico, porquê a tal ‘organização ultra violenta’, numa tentativa de extinguir a terminologia rigorosa de ‘partido criminosa’ introduzida no texto original do governo federalista. Esse tipo de improvisação conceitual enfraquece a política criminal, confunde operadores do recta e mascara o objetivo real: desfigurar a proposta técnica e consistente do Executivo, substituindo-a por um amontoado de conceitos vazios e dispositivos contraditórios”, argumentou.
Ao longo desta quarta, Derrite visitou salas de lideranças partidárias para coletar sugestões de alterações na redação do projeto. As principais indicações de mudança vieram do governo.
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Além da conversa com o líder do governo, José Guimarães (PT-CE), Motta conversou com deputados do Republicanos, PSD, PP e União Brasil.
Depois o fechamento da sessão na Câmara, o presidente da Morada elogiou o relator do projeto, afirmando que Derrite demonstrou “maturidade” ao pedir que a votação do projeto de lei antifacção só ocorra na próxima terça-feira, 18.
“A discussão se dá no dia a dia. Relator conversou com lideranças e governo. Demonstrou que está sincero ao diálogo, à construção política”, disse.
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