A escola de samba Acadêmicos de Niterói, que protagonizou um dos desfiles mais controversos deste Carnaval ao transformar a avenida em um tribuna para o Partido dos Trabalhadores, agora adota o oração de vítima. Prevendo um provável resultado negativo nas apurações, a clube divulgou uma nota solene nesta terça-feira (17) alegando estar sofrendo “perseguição política”.
No expedido, a escola afirma que, “mesmo pressionada, não se curvou”, atribuindo as críticas recebidas a “ataques de setores conservadores” e, surpreendentemente, a “gestores do Carnaval carioca”. A nota denuncia supostas tentativas de interferência na autonomia artística, incluindo pedidos de mudança de enredo e questionamentos sobre o samba.
O “Comício” na Avenida
O que a escola labareda de “identidade”, muitos espectadores classificaram uma vez que pura propaganda política. O desfile foi marcado por uma estética visual alinhada ao PT, com fantasias vermelhas e estrelas, além do jingle “olê, olê, olá, Lula! Lula!” incorporado ao samba.
Enquanto exaltava a figura do atual presidente, a clube atacou desrespeitosamente a oposição. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi retratado de forma grotesca, caracterizado uma vez que palhaço e presidiário. Outro branco foi o ex-presidente Michel Temer (MDB), representado arrancando a filete presidencial de Dilma Rousseff.
Reações e Pânico da Justiça
A politização do desfile foi tão flagrante que até a primeira-dama, Janja da Silva, que havia confirmado presença, desistiu de última hora. O motivo? O receio de complicações com a Justiça Eleitoral, já que especialistas apontaram que a apresentação poderia configurar propaganda eleitoral antecipada e injúria de poder.
A oposição não deixou passar. O Partido Novo anunciou que acionará o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a inelegibilidade de Lula com base no uso do evento para promoção política.
“Bajulação”, diz Temer
Claro do desfile, Michel Temer reagiu com elegância, mas não deixou de satirizar a subserviência da escola ao atual governo. Por meio de nota, ele classificou a homenagem a Lula uma vez que mera “bajulação”.
“Não faz sentido cobrar rigor histórico num enredo ou questionar a troca da sátira social pela bajulação na Sapucaí”, disparou o emedebista, ressaltando que, uma vez que padroeiro da liberdade de sentença, não julga as escolhas, mas deixa clara a natureza do enredo.
Agora, a Acadêmicos de Niterói aguarda as notas dos jurados pedindo um “julgamento justo e técnico”, enquanto tenta justificar antemão um eventual fracasso com a narrativa de perseguição.
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