Conversas extraídas pela PF indicam repasses de R$ 35 milhões e cobrança direta do possuidor do Banco Master
Mensagens inéditas obtidas pelo Estadão revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, relatou dificuldades e pressões relacionadas a pagamentos destinados ao Tayayá Resort, empreendimento ligado ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federalista (STF).
Os diálogos foram extraídos do celular de Vorcaro pela Polícia Federalista. Segundo o material analisado, os repasses somariam R$ 35 milhões.
Nesta semana, Toffoli negou qualquer relação de amizade com Vorcaro ou recebimento de valores. Procurado neste sábado, 14, o ministro não havia se manifestado. As defesas de Vorcaro e de seu cunhado, Fabiano Zettel, indigitado uma vez que operador financeiro, também não responderam.
“Paga tudo hoje”
As conversas indicam que Zettel organizava os pagamentos. Em maio de 2024, Vorcaro questionou:
“Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”.
Zettel respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.
Na sequência, Zettel apresentou uma lista de transferências, incluindo R$ 15 milhões ao resort. Vorcaro determinou: “Paga tudo hoje”.
Meses depois, em agosto de 2024, voltou a cobrar: “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”.
Zettel informou que havia transferido valores a um intermediário, mas que o aporte final dependia dessa terceira pessoa. Irritado, o banqueiro reagiu: “Faceta, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”.
Zettel respondeu: “No fundo possuidor do Tayayá. Transfiro as cotas dele”.
Em outro trecho, Vorcaro solicitou um balanço completo dos valores já enviados: “Me fala tudo que já foi feito até hoje”. O cunhado respondeu: “Pagamos 20 milhões lá detrás. Agora mais 15 milhões”.
Suspeita de destinatário final
O conjunto de mensagens integra relatório guiado pela Polícia Federalista ao STF e à Procuradoria-Universal da República. A suspeita dos investigadores é que Toffoli seria o destinatário final dos repasses ordenados por Vorcaro.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, recebeu o material e ainda avalia quais medidas poderão ser adotadas.
Menções à ex-esposa do ministro
Além dos aportes ao resort, a Polícia Federalista identificou referências à ex-esposa de Toffoli, Roberta Rangel, em mensagens no celular de Vorcaro.
De convenção com o Estadão, ela é citada nominalmente em conversas com outros interlocutores. O relatório aponta indícios de que Roberta teria prestado serviços jurídicos ao Banco Master quando ainda era casada com o ministro — o par se separou em 2024. A investigação, mas, não confirmou a existência de contrato formal entre ela e a instituição financeira.
Reunião no STF e saída da relatoria
Na quinta-feira, 12, em seguida reunião com os dez ministros do STF, Toffoli decidiu deixar a relatoria do caso, que foi transferida para André Mendonça.
Ao comentar o encontro, o ministro avaliou positivamente o resultado: “Magnífico. Tudo unânime”, afirmou ao final da sessão.
Com a decisão, foi encerrado o processo que analisava eventual suspeição de Toffoli na meio da investigação.
Até o momento, a resguardo de Vorcaro não se manifestou sobre o teor das mensagens reveladas.
Veja também
ministros,Polícia Federalista,STF,Supremo,suspeição
https://www.contrafatos.com.br/vorcaro-relatou-pressao-por-pagamentos-ao-tayaya-resort-ligado-a-toffoli//Manadeira/Créditos -> INFOMONEY






