Prefeito é escopo de denúncia por suposta irregularidade em nomeação ligada a concurso público
A Câmara Municipal do Recife vota nesta terça-feira, 3, a admissibilidade do pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB). A denúncia aponta suposta fraude na nomeação de cargos em concurso público para procurador do município.
O pedido foi protocolado em dezembro de 2025 pelo vereador Eduardo Moura (Novo). Em seguida estudo técnica, a Procuradoria da Câmara definiu os procedimentos e encaminhou a decisão ao plenário, que agora votará se o processo terá ininterrupção.
Para que o impeachment avance, é necessária maioria simples dos vereadores, ou seja, pelo menos 19 votos favoráveis.
Segundo o vereador Thiago Medina (PL), a votação deve ocorrer sem adiamentos.
“Amanhã, vamos votar a rombo do pedido de impeachment do João Campos; precisa da maioria simples de vereadores.”
A enunciação foi dada ao Jornal da Oeste nesta segunda-feira, 2.
Denúncia envolve vaga reservada a pessoas com deficiência
O pedido de impeachment se baseia em alterações feitas no resultado de um concurso público realizado em dezembro de 2022. Na ocasião, o legisperito Marko Venício dos Santos Batista foi o único confirmado nas vagas destinadas a pessoas com deficiência (PCD).
Posteriormente, porém, a gestão municipal nomeou Lucas Vieira Silva, que havia participado da ampla concorrência e terminado na 63ª colocação.
Lucas Vieira Silva é rebento do juiz Rildo Vieira da Silva e de Maria Nilda Silva, procuradora do Ministério Público de Contas de Pernambuco. Em maio de 2025, quase três anos posteriormente o concurso, ele apresentou laudo médico apontando transtorno do espectro autista (TEA) e solicitou mudança de modalidade para concorrer às vagas reservadas.
Três procuradoras concursadas opinaram pelo indeferimento da solicitação. Mesmo assim, o procurador-geral do município, Pedro Pontes — indicado pelo prefeito — aprovou o pedido.
Em seguida a repercussão vernáculo do caso, João Campos voltou detrás e nomeou o candidato originalmente confirmado para a vaga reservada.
Base governista considera pedido inviável
A base do prefeito na Câmara considera que o pedido não deve prosperar. O líder do PSB na Morada, Rinaldo Junior, classificou a iniciativa uma vez que um movimento de caráter político.
Já o presidente da Câmara Municipal, Romerinho Jatobá (PSB), declarou que não vê fundamento na denúncia.
“A bancada do governo está muito segura que esse pedido não tem nenhum cabimento”.
O próprio vereador Thiago Medina reconhece a dificuldade da oposição em reunir os votos necessários.
“Ate a base dele está vendo que o que ele fez está inverídico, mas, mesmo assim, é muito difícil a gente sancionar a recepção do processo de impeachment, porque ele tem 26 vereadores.”
Segundo ele, a estimativa é de que o pedido obtenha entre 11 e 14 votos favoráveis, número subalterno aos 19 necessários.
Mesmo assim, a oposição considera a votação um marco político sítio.
“Sendo muito realista, provavelmente a gente não deve conseguir o número de votos, mas só em ter uma votação para isso e naturalização dessa noticia, já é um tanto sem precedentes cá no Recife com o prefeito Joao Campos.”
Oposição também articula rombo de CPI
Paralelamente ao impeachment, vereadores da oposição trabalham para terebrar uma Percentagem Parlamentar de Interrogatório (CPI) para investigar o caso.
“A CPI eu acredito que vamos conseguir terebrar”, afirmou Medina. “A gente já tem dez assinaturas, até um vereador do PSB assinou, porque ele também quer que investigue. São 13 assinaturas necessárias, nós ja temos dez.”
Prefeito reage e acusa motivação eleitoral
João Campos afirmou que o pedido de impeachment é resultado de disputa política antecipada e demonstrou crédito na repudiação do pedido.
Ele classificou o movimento uma vez que “oportunismo eleitoral” e afirmou ter “absoluta crédito na Câmara de Vereadores”. O prefeito também declarou que a resguardo dos direitos das pessoas com deficiência é “uma desculpa de vida”.
A votação desta terça-feira deve definir se o processo seguirá ou será arquivado ainda na tempo inicial.
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CPI,fraude,Impeachment
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