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Maduro está recluso. Depois de 25 anos de ditadura socialista, a Venezuela pode, finalmente, ter a chance de voltar a ser uma democracia. Muito muito. O que se conclui disso?
Para o Brasil, a prelecção é constrangedora: a completa inoperância — quando não a inutilidade — da diplomacia brasileira. O país teve condições objetivas de treinar qualquer papel relevante no processo de democratização do vizinho. Não o fez. E, quando tentou, limitou-se a gestos retóricos, irrelevantes e politicamente inócuos.
O contraste histórico é brutal. O Itamaraty já foi uma das instituições mais respeitadas do estado brasílico, moldado por figuras uma vez que o Barão do Rio Branco e por uma tradição profissional baseada em pragmatismo, interesse pátrio e realismo político. Esse patrimônio foi progressivamente corroído pelos governos do PT, transformado em instrumento ideológico e palco de ativismo terceiro-mundista. O período Bolsonaro, apesar da retórica de ruptura, não corrigiu esse processo. Unicamente o deixou à deriva.
Com Mauro Vieira avante da chancelaria, a decadência torna-se explícita. Se havia qualquer fundo nesse poço institucional, é razoável supor que ele tenha sido finalmente obtido.
Hoje, a relevância da diplomacia brasileira no cenário internacional equivale à de um marciano. Em termos práticos: não existe.
Essa nulidade já havia sido escancarada no incidente da embaixada da Argentina em Caracas. O Brasil assumiu formalmente a guarda da representação diplomática argentina. Na prática, as autoridades venezuelanas ignoraram solenemente o reparo, cortaram chuva e vigor do prédio — e zero aconteceu. Nenhuma reação efetiva, nenhuma consequência, nenhuma prova mínima de domínio diplomática. O Brasil foi tratado uma vez que figurante. E aceitou o papel com naturalidade constrangedora.
Mais grave ainda é a posição de Lula. Com a prisão de Maduro por forças dos Estados Unidos, o presidente brasílico consolida sua imagem de bufão internacional. Viaja muito, posa com líderes, participa de fóruns, discursa com excitação — mas é incapaz de produzir qualquer ação concreta, útil ou eficiente para o relacionamento entre nações ou para a solução de conflitos reais.
Seus discursos na ONU lembram apresentações infantis. Lula ocupa o papel das crianças nas reuniões de adultos: pode falar, fazer suas gracinhas, repetir slogans morais e partilhar obviedades embaladas uma vez que virtude. Todos escutam com condescendência. Ninguém leva a sério. Quando assuntos relevantes entram em taxa, ele é educadamente convidado a ir recrear no quarto ao lado.
No final do seu terceiro procuração, Lula ainda insiste em se apresentar uma vez que estadista global, oferecendo-se uma vez que mediador para conflitos internacionais: Israel e Palestina, Rússia e Ucrânia, Venezuela. Não foi considerado em nenhum deles. Nem uma vez que mediador, nem uma vez que interlocutor, nem uma vez que secção relevante. Foi ignorado — que é a forma diplomática de declarar irrelevância.
A prisão de Maduro sob liderança americana é, assim, mais do que um evento regional. É a coroação simbólica da irrelevância da diplomacia brasileira e da incompetência de Lula e de seu governo em transformar o Brasil em um país com qualquer peso político real no cenário internacional.
Enquanto uns exercem poder, outros fazem discursos. E discursos, uma vez que a história insiste em lembrar, não derrubam ditaduras.
André Burger. Economista. Jornal da cidade






