O senador Ciro Nogueira (PP) afirma, em entrevista ao O GLOBO, que definição de quem vai simbolizar a direita em 2026 para concorrer à presidência pela oposição deve ser anunciada em janeiro e que Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, não teria porquê porquê recusar a terebrar mão de disputar a reeleição se for convocado pelo paraninfo político para tentar o Planalto.
Bolsonaro está demorando a determinar quem será o candidato da direita?
Ciro Nogueira: Acredito que ele já decidiu. Defendo que comunique isso em dezembro para ser anunciado em janeiro. Quem vai ser, só ele sabe. Eu imagino, mas quem tem legitimidade e poder para proferir é ele ou o Flávio (um dos filhos) ou até a Michelle (ex-primeira-dama), que tem contato direto com ele.
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É o Tarcísio?
CN: Se fosse hoje, vejo dois candidatos viáveis: Tarcísio e Ratinho Júnior. Eles têm metade da repudiação do Bolsonaro e quase 40% de ignorância, o que é potencial de incremento. Mas só têm viabilidade com o base do presidente Bolsonaro.
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O senhor disse que “extremidade o impossível” Tarcísio não ser candidato se houver base e envolvente na direita. Mas ele resiste a anunciar.
CN: Não extremidade o impossível. É impossível ele não ser candidato se tiver o base do presidente Bolsonaro. Eu acompanhei quando o Bolsonaro o escolheu para disputar em São Paulo. Ele queria ser candidato ao Senado em Goiás, tinha base do Ronaldo Caiado, mas o Bolsonaro disse: “Você vai para São Paulo, vai ser governador e lucrar a eleição”. Ele obedeceu e venceu. Não tenho incerteza de que, se tiver o solicitação do Bolsonaro para a Presidência, ele não vai virar as costas.
O senhor tem falado com Tarcísio? Ele está incomodado com essa subdivisão na direita atual?
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CN: Não, não está incomodado. Ele tem trabalhado para unificar. Tenho falado sistematicamente com ele.
E porquê o Tarcísio vê a atuação do Eduardo Bolsonaro, por exemplo, que se disse pré-candidato à Presidência?
CN: Acho que ele tem reverência pelo Eduardo e por todos. Eu mesmo disse ao Eduardo: está na hora de focarmos em tutorar seu pai e enfrentar o verdadeiro rival, que é o Lula.
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O senhor segue atuando para ser vice de Tarcísio? Há quem prefira a senadora Tereza Cristina.
CN: Nunca atuei para ser vice. Isso será definido depois, de negócio com o perfil do candidato e com os partidos. O vice não pode prejudicar a placa e, se puder ajudar, melhor ainda. A Tereza Cristina seria maravilhosa. Para mim, (seria um nome) até (para) presidente. A Michele também é um nome muito bom, está até adiante em algumas pesquisas. Mas hoje o Bolsonaro me disse que ela é candidata ao Senado, e com chance de vitória larga.
O senhor disse que está faltando “bom siso” para a direita evitar uma itinerário em 2026. Ao se proferir candidato, Eduardo Bolsonaro atrapalha?
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CN: Não. Acho que é legítimo ele colocar seu nome, porquê qualquer brasiliano. Uma pessoa tão representativa porquê ele, já que o pai dele está inelegível, tem toda a legitimidade. Agora, até viabilizar isso tem um caminho muito longo. Nós precisamos de um candidato que unifique a direita e o núcleo, alguém que possa fazer campanha cá no país, preparar um projecto de governo, percorrer o Brasil. Infelizmente, o Eduardo não cumpre esses pré-requisitos porque ele está nos Estados Unidos.
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Na mesma mensagem, o senhor fala da união da direita, centro-direita e seu “extremo”. Quem do seu grupo político o senhor considera de extrema direita? Jair Bolsonaro?
CN: É o bolsonarista. Acho que é muito representada pelo próprio Eduardo. O ex-presidente Bolsonaro está mais para a direita. Acho que, principalmente nos dois anos finais no Palácio do Planalto, ele teve atitudes de núcleo. Ele convidou uma pessoa com perfil mais de centro-direita para ser seu principal ministro.
Nos últimos dias, Eduardo e Carlos Bolsonaro voltaram a ironizar a teoria de “união da direita”. O senhor se sente atingido? Isso atrapalha?
CN: Conversei com o Eduardo dois dias detrás. Ele é um grande companheiro meu. Não me sinto atingido. Ele tem o ponto de vista dele, eu costumo proferir que fui contra essa luta dele para sancionar o país, mas também digo: não sei o que eu faria se meu pai estivesse sendo tão injustiçado porquê ele sente em relação ao dele. Portanto, não posso julgar.
Houve ultimato para que André Fufuca deixe o Ministério do Esporte. Qual é o prazo final e qual a sanção partidária se ele não transpor?
CN: Não é ultimato, mas temos a formalidade de que qualquer membro do partido ou da federação que tenha procuração deve deixar os cargos. Demos um prazo razoável, e até a próxima semana isso deve estar definido.
Celso Sabino (ministro do Turismo), que integra a mesma federação, já recebeu um ultimato, mas está alongando a permanência no governo. A situação dele é dissemelhante?
CN: Não. A situação dele e do Fufuca são iguais. Ninguém quer transpor, mas terão de escolher se ficam com a federação ou com o governo. Tenho certeza de que ambos serão fiéis à federação.
Caso o presidente Lula chame o senhor para conversar sobre a permanência no governo, o senhor vai?
CN: Não. Tenho um carinho enorme pelo Lula, principalmente pelo que fez nos dois primeiros mandatos, mas não tem sentido. Não vai sobrevir nenhuma conversa minha com ele antes de deixar o governo. Já tomamos a decisão de não estar com o presidente em 2026.
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Nem para falar de futebol, porquê o senhor brincou?
CN: (risos) Ele não vai me invocar para falar sobre Corinthians e São Paulo. Vai querer base. E isso não vai sobrevir.
Alguém do Planalto ou qualquer coligado seu está tentando fazer essa ponte?
CN: Vários. Mais de uma dezena.
Pesquisas indicam que Lula vem retomando popularidade enquanto a direita sofreu um baque com a pena de Bolsonaro. Acha que Lula passou a concertar mais?
CN: Não. Nós é que erramos muito. Há três meses ele era um candidato inviável, mas por conta da narrativa sobre o tarifaço, colocada de forma equivocada, ele se beneficiou. O Lula é um candidato sem perspectiva, um presidente que olha só para trás. O programa mais novo do governo é o próprio Lula. Novo Bolsa Família, novo Minha Morada Minha Vida… Tudo velho. Ele voltou com o perfil de Chávez, não de Mandela. A volta dele foi um erro, porquê foi a volta de Getulio.
As manifestações da esquerda contra anistia e PEC da Blindagem foram as que reuniram mais gente desde 2022. Hugo Motta errou na avaliação e acabou dando força para o governo?
CN: Foi um erro de todos nós. O Motta não inventou isso, as lideranças quiseram. Eu defendia desde o início que fosse exclusivamente para crimes de opinião, com voto desimpedido. A população reagiu e foi bom. O governo Lula não tem capacidade de mobilizar, pega carona nos movimentos.
Defende que a prioridade do Congresso seja votar uma anistia ampla que contemple Bolsonaro ou um texto restrito à dosimetria?
CN: Defendo a anistia ampla. Mas, no mínimo, precisamos da dosimetria. Essas penas são absurdas. Não dá para alguém que escreveu com batom numa estátua ter pena maior do que quem matou. Existe consenso de que foram elevadas demais. Temos que emendar.
O senhor acha que a votação sobre dosimetria tem que sobrevir logo?
CN: Temos que determinar logo. Botar isso para votar e resolver, de um jeito ou de outro, nos próximos dias.
A Câmara aprovou por unanimidade o projeto que amplia a tira de isenção do Imposto de Renda. Porquê o senhor avalia esse texto?
CN: Defendo que aprovemos (no Senado) do jeito que veio da Câmara, o mais rápido provável. Foi uma votação histórica, que mostrou união de governo e oposição. Foi promessa tanto do Bolsonaro quanto do Lula. E o Hugo Motta, junto com relator Arthur Lira, fez um trabalho de construção de consenso.
O senhor é criticado por não encampar pautas mais radicais. Silas Malafaia, por exemplo, já o chamou de “raposa” por não concordar um impeachment de Alexandre de Moraes. Porquê responde?
CN: É verdade. Eu disse que não ia sobrevir. São pautas exclusivamente para gerar varanda, mas sem viabilidade nenhuma. E eu prefiro trabalhar com o que é viável.
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