As reações de hipersensibilidade a bebidas alcoólicas, principalmente ao vinho tinto, são relativamente frequentes e afetam tapume de 10% da população em universal.
Um caso revelador de intolerância à histamina
Vejamos o caso de Carine, de 51 anos, apreciadora de vinhos da Borgonha. Há alguns anos, cada taça de vinho tinto que ela bebe vem acompanhada de vermelhidão súbita no rosto, dores de cabeça e grande fadiga. Já os vinhos brancos não causam problema qualquer.
Posteriormente exames médicos, o diagnóstico foi oferecido: intolerância à histamina, favorecida por um déficit parcial da enzima diamina oxidase (DAO), responsável por varar normalmente essa molécula no tripa.
A histamina: um constituído proveniente do vinho
A histamina é uma molécula produzida pelo nosso corpo, principalmente durante reações alérgicas. Mas ela também está presente nos víveres, principalmente em produtos fermentados ou envelhecidos, uma vez que queijos curados, embutidos… e vinhos.
No vinho, a histamina vem principalmente de uma segunda levedação, chamada levedação malolática, conduzida por bactérias lácticas. Esse processo, muito valorizado para suavizar os vinhos tintos, também favorece a produção de histamina e de outras “aminas biogênicas” (tiramina, putrescina…).
O vinho tinto: mais risco de hipersensibilidade
O vinho tinto apresenta maior risco de hipersensibilidade à histamina do que o branco, devido ao processo de vinificação. Ele fermenta junto com as cascas da uva, ricas em precursores de aminas. Já o branco é prensado antes da levedação, o que limita a trouxa de histamina. Outrossim, os vinhos tintos quase sempre passam por levedação malolática, ao contrário de muitos vinhos brancos secos ou espumantes.
Resultado: o vinho tinto pode sofrear até dez vezes mais histamina que o branco. Um estudo austríaco, realizado com 100 vinhos tintos de subida qualidade, mostrou que 34% deles ultrapassavam o limite de 10 mg/l de histamina.
Embora nenhuma política solene tenha sido implementada, na Europa a indústria vinícola adotou limites entre 2 e 10 mg de histamina por litro de vinho. Mas, atualmente, não existe regulamentação específica sobre o texto sumo de histamina nos vinhos.
Intolerância à histamina: uma questão de enzima
Normalmente, a histamina ingerida é eliminada no tripa pela enzima chamada DAO (diamina oxidase). A DAO está presente principalmente no trato gastrointestinal (sobretudo no tripa magro), no fígado, nos rins e nos mastócitos. A histamina também pode ser degradada pela histamina N-metiltransferase (HNMT), presente em todos os tecidos.
Mas algumas pessoas têm atividade enzimática reduzida, seja por legado genética (mutação no gene AOC1), seja por doenças digestivas crônicas (uma vez que síndrome do tripa irritável ou doença celíaca), seja devido a medicamentos (antidepressivos, anti-inflamatórios…).
Nelas, mesmo pequenas quantidades de histamina podem desencadear uma série de sintomas em até uma hora posteriormente o consumo:
- ·vermelhidão no rosto, ondas de calor;
- ·nariz entupido, espirros;
- ·urticária, sarna;
- ·dores de cabeça, enxaquecas;
- ·distúrbios digestivos (cólicas, diarreia);
- ·sonolência repentina, queda de pressão.
Segundo o Instituto Internacional de Deficiência em DAO, mais de 10% da população teria essa deficiência.
O álcool inibe a ação da DAO e provoca acúmulo de histamina. Ele também aumenta a permeabilidade intestinal, facilitando a passagem da histamina ingerida para o sangue e seu acúmulo no cérebro. A histamina se liga a receptores H3 nos pequenos vasos cerebrais, causando vasodilatação e dores de cabeça induzidas.
Por tudo isso, se você for intolerante à histamina e estiver diante de uma mesa com álcool e víveres ricos em histamina, uma vez que queijos, pode passar por maus bocados.
Alergia ou intolerância? Uma saliência necessário
Atenção: a intolerância à histamina não é o mesmo que uma alergia. Numa verdadeira alergia, há uma reação do sistema imunológico envolvendo anticorpos IgE — o que não ocorre na intolerância.
Mesmo assim, algumas pessoas realmente apresentam alergias ao vinho, raras, mas comprovadas:
- ·Alergia à uva: a proteína Vit v 1, semelhante a alérgenos do pêssego ou da cereja, é a principal responsável;
- ·Alergia a agentes de clarificação: alguns vinhos usam proteínas animais (ovo, peixe, leite) no processo de clarificação. Em pessoas alérgicas, traços residuais já podem desencadear reação;
- ·Alergia a mofo ou leveduras: o fungo Botrytis cinerea, que razão a “podridão transcendente” em alguns vinhos doces, também pode ser alergênico;
- ·Alergia a proteínas de insetos: em casos extremos, venenos de vespas ou abelhas presentes no mosto podem motivar choques anafiláticos, principalmente em vinhos jovens não filtrados.
Vale primar que reações de hiperatividade brônquica posteriormente o consumo de álcool também são mais frequentes em pessoas asmáticas com rinite.
E se não for a histamina?
O vinho é um concentrado químico multíplice. Outros componentes também podem estar envolvidos:
- ·Sulfitos (conservantes), principalmente no vinho branco, podem desencadear crises de asma;
- ·Etanol e seus metabólitos (uma vez que o acetaldeído) podem motivar reações pseudoalérgicas;
- ·Flavonoides e taninos, abundantes no vinho tinto, podem proporcionar enxaquecas ao interferirem em enzimas cerebrais.
Além de dar cor ao vinho tinto, os flavonoides inibem enzimas uma vez que a catecol-O-metiltransferase (COMT) e a fenol sulfotransferase (PST). Assim, o corpo não consegue desintoxicar os fenóis que chegam ao cérebro e provocam enxaqueca, semelhantemente ao efeito da histamina. Ou seja, os polifenóis — frequentemente exaltados uma vez que benéficos à saúde — também podem ter efeitos nocivos.
Ainda é provável ingerir vinho?
Se você sofre de intolerância ao vinho tinto, pode optar por outros tipos de vinho… ou aproveitar para transmigrar para bebidas não alcoólicas. Caso escolha vinhos, saiba que o champanhe também contém mais histamina do que o rosé ou o branco.
Também é recomendável evitar refeições que combinem muitos víveres ricos em histamina (queijos, embutidos, frutos do mar…) com vinho tinto.
Em caso de reação de hipersensibilidade, recomenda-se retirar por alguns dias os víveres ou bebidas alcoólicas suspeitos e reintroduzi-los gradualmente para identificar o responsável.
É provável ainda pedir ao médico um vistoria de dosagem de DAO (a enzima que elimina a histamina) no sangue, para investigar melhor a intolerância ao vinho tinto.
Uma questão de genes…
O fenômeno da intolerância já é muito espargido em relação ao álcool e está ligado a mutações no gene da enzima que degrada o acetaldeído, metabólito tóxico do etanol.
De indumentária, tapume de 40% da população do Sudeste Asiático (Japão, China, Coreia) apresenta mutações no gene da ALDH2, que metaboliza o acetaldeído.
O resultado é o acúmulo dessa substância, causando náusea e vermelhidão no rosto logo nas primeiras doses — é a chamada “síndrome do vermelhidão asiático”, uma reação intensa de intolerância ao álcool.
Existe até um medicamento, o dissulfiram (também chamado de antabuse), que inibe a degradação do acetaldeído e é usado no tratamento da sujeição alcoólica, justamente porque impede a ingestão de álcool ao provocar reações fisiológicas desagradáveis.
Não, você talvez não seja alérgico ao vinho tinto. Mas pode ser sensível à histamina, aos sulfitos, aos taninos ou a outros componentes presentes em determinados vinhos.
Graças aos avanços da pesquisa em nutrição, enologia e imunologia, compreendemos melhor essas reações… e podemos ajustar nossas escolhas. Para continuar a reputar — com moderação — sem tolerar. Ou ainda, para ter um motivo a mais para parar de ingerir álcool.
*Mickael Naassila é professor de fisiologia e diretor do Grupo de Pesquisa sobre o Álcool & as Farmacodependências (GRAP) – INSERM UMR 1247, na Universidade da Picardia Jules Verne (UPJV).
https://www.aliadosbrasiloficial.com.br/noticia/vermelhidao-dor-de-cabeca-sonolencia-e-se-voce-for-intolerante-ao-vinho-tinto-saiba-o-que-causa-o-problema/Nascente/Créditos -> Aliados Brasil Solene








