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O reitor, Alfredo Macedo Gomes, disse que o incidente foi um golpe duro no patrimônio acadêmico e resultou na perda irreparável de anos de dedicação de estudantes e pesquisadores. A Polícia Federalista investiga boatos de possíveis ataques para prescrever se o queimada foi casual ou criminoso.
No RUF (Ranking Universitário da Folha), a UFPE aparece porquê a 1ª colocada entre as universidades do Nordeste em todas as 11 edições. No ano pretérito, ocupou a 11ª posição no ranking vernáculo.
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Para Estêvão Gamba, coordenador do RUF, as consequências do incêndio no campus serão sentidas nos próximos anos, com provável queda na produção científica da universidade. “O Brasil produz muita ciência de impacto sem numerário e infraestrutura”, diz.
Verba para obras e equipamentos é a menor em quase 20 anos
A degradação física acompanha a queda dos recursos do orçamento federalista. Em 2025, o valor talhado a obras, reformas e compra de equipamentos permanentes nas federais chegou a R$ 600 milhões. É o menor patamar em quase 20 anos, segundo o relatório “Quadro do Financiamento das Ifes no Brasil”, do Sindicato Vernáculo dos Docentes, elaborado com dados do Siop (Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento).
O montante é uma fração do pico de R$ 5,32 bilhões, registrado em 2011. Também fica R$ 1 bilhão inferior do valor de 2007 (R$ 1,6 bi), quando teve início o Reuni (Programa de Pedestal a Planos de Renovação e Expansão das Universidades Federais). Todos os valores foram corrigidos pela inflação.
A pesquisadora da Unifesp e integrante do Sou_Ciência Maria Angélica Minhoto observa que a verificação com o pico precisa considerar que segmento dos recursos daquele período serviu para erigir prédios e implantar estruturas que ainda não existiam. Isso não significa, porém, que os investimentos pudessem tombar continuamente depois da expansão. Segundo ela, o orçamento deveria ter se estabilizado em um patamar capaz de prometer a conservação do que foi construído.
De conciliação com a pesquisadora, a queda dos investimentos se aprofundou com o contingenciamento decorrente da crise fiscal no governo Dilma Rousseff, com a promulgação do Teto de Gastos na gestão Michel Temer e com a falta de priorização orçamentária durante o governo Jair Bolsonaro.
“Precisaríamos seguir numa política de financiamento das instituições federais de tal forma que elas não dependessem da boa vontade dos congressistas. A gente está submetido a um Congresso que muitas vezes é negacionista e avesso ao funcionamento das instituições científicas”, diz Minhoto.
MEC diz que recompõe o orçamento desde 2023
Procurado, o MEC (Ministério da Instrução) afirmou que mantém diálogo estável com as reitorias e faz um esforço consistente para restabelecer o orçamento das federais desde 2023, em seguida as perdas sofridas entre 2020 e 2022.
Segundo a pasta, a dotação autorizada de orçamento discricionário (custeio e investimento) passou de R$ 6,1 bilhões em 2020 para R$ 8,2 bilhões em 2026. O valor é 43,8% superior ao hipotecado em 2022.
Congresso e editais no núcleo do problema
A professora Helena Nader, presidente da ABC (Ateneu Brasileira de Ciência), aponta que o problema de financiamento das federais está atrelado às demandas do Congresso. “A definição do orçamento da União está centralizada no Congresso, que costuma promover cortes nas propostas enviadas pelo Executivo. Esses recursos das universidades acabam redirecionados para emendas parlamentares”, diz.
Segundo ela, houve retomada dos investimentos no setor no governo Lula, depois de anos de cortes na gestão Bolsonaro. Ainda assim, as universidades federais continuam dependendo de editais do FNDCT (Fundo Vernáculo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) para projetos de infraestrutura.
Sucesso na pesquisa aumenta custos de manutenção
O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, afirma que o sucesso na pesquisa acaba pesando no caixa da universidade. Pesquisadores conseguem verbas do CNPq e do exterior para comprar grandes equipamentos, porquê o tanque oceânico voltado ao pré-sal. Já a conta de luz, chuva e manutenção cai no orçamento discricionário, que não para de encolher.
“Quanto mais a gente cresce na pesquisa, mais orçamento para custeio precisamos, e esse orçamento não vem.”
Em 2023, um relatório da editora científica Elsevier e da Filial Bori mostrou que a publicação de artigos científicos no Brasil caiu pela primeira vez em 2022, último ano da gestão Bolsonaro. A produção voltou a subir em 2024, segundo o relatório mais recente.
Sabine Righetti, pesquisadora da Unicamp na superfície de produção e circulação de conhecimento, lembra que o Brasil ainda se mantém entre os 15 países com maior número de artigos científicos publicados. “Você não consegue remunerar a luz, você não consegue remunerar o bolsista que é quem produz a ciência de roupa no país, e o governo fica falando que você é ruim, que você não produz. Portanto o combo é muito difícil.”
Museu Vernáculo: o precedente de 2018
Minhoto afirma que desastres porquê o incêndio na UFPE são a revelação tardia de um esvaziamento orçamentário iniciado há uma dez. “A gente vai sentir as consequências desta queda de 2014 para cá agora. É o Museu Vernáculo pegando queimada, é a UFPE pegando queimada por falta de recurso para manutenção.”
Em setembro de 2018, o Museu Vernáculo, vinculado à UFRJ e considerado a instituição científica mais antiga do país, foi atingido por um incêndio que destruiu 80% de seu montão.
Segundo a vice-diretora, Juliana Sayão, pouco antes da tragédia a instituição havia ratificado junto ao BNDES um projeto de R$ 21 milhões para adequações de prevenção a incêndio e pânico. Os recursos chegaram a ser liberados na véspera do sinistro, mas não houve tempo para realização.
Hoje, o projeto de reconstrução e restauro está estimado em R$ 520 milhões, mais de 24 vezes o valor que teria evitado a perda. Até o momento, a instituição captou tapume de R$ 350 milhões por meio do Projeto Museu Vernáculo Vive, que reúne UFRJ, MEC, BNDES, Vale e parceiros da iniciativa privada.
“Ainda falta um terço da verba para concluirmos tudo. Se conseguirmos captar o restante até o final deste ano, o planejamento é terminar as obras e entregar o museu pronto com exposições em 2029”, diz a vice-diretora.
O reitor da UFRJ lembra que a integração do museu à universidade, na dez de 1950, nunca foi acompanhada por um repasse de custeio harmonizável com a dimensão do palácio. “Reconstruir custa meio bilhão de reais, mas o montão científico acabou.”
Doações e expedições de campo estão recompondo coleções biológicas e etnográficas, mas peças históricas e paleontológicas únicas foram destruídas.
“Equipamentos e laboratórios você compra de novo, instala de novo. Mas o material histórico que estava lá nunca mais se recupera”, afirma Sayão. “Com o incêndio do Museu Vernáculo, asseguro que retrocedemos 300 anos de pesquisa. Quando o país não enxerga a relevância de preservar esses espaços, está condenando o próprio porvir.”
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https://www.contrafatos.com.br/sem-verba-para-manutencao-universidades-federais-veem-predios-e-pesquisas-em-risco//Manadeira/Créditos -> CONTRA FATOS
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