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“Daniel, o Henrique (Jäger) cá, com o presidente (da Petros), tá numa reunião do parecer lá. Ele falou que, saindo de lá, vai me vincular para ver a agenda dele, tá. Mas eu falei para ele que eu quero amanhã ou domingo. Agilizar logo para não permanecer enrolando – o mais tardar segunda-feira. E… Deixa eu te perguntar: se tiver alguma novidade sobre o Banco do Brasil, você me avisa? Porque qualquer coisinha, já estando ok, eu já ponho você na boca do gol na quarta-feira quando você estiver lá, tá”, disse Júlio.
O projecto de captar R$ 10 bilhões
As mensagens indicam que uma reunião cancelada de Vorcaro com integrantes da Instalação Petrobras de Seguridade, a Petros, em fevereiro de 2024, marcou o início da relação do banqueiro com o grupo político de Padilha. O ministro era portanto director das Relações Institucionais da Presidência, e o grupo operava negócios nos fundos de pensão de estatais federais.
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Entrar no grupo
Vorcaro afirma ter usado os serviços do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, do ministro Padilha e do braço-direito dele no Planalto, Olavo Noleto. O objetivo era ser recebido pelos presidentes dos fundos de pensão controlados pelo petismo.
A meta era captar murado de 10 bilhões de reais junto aos fundos de previdência de servidores da Petrobras, dos Correios, da Caixa e do Banco do Brasil, valendo-se de papéis podres do Master. Vorcaro ficaria com 9 bilhões de reais, e os petistas levariam 1 bilhão de reais em propina pelo lobby.
Segundo o banqueiro, quem fazia a ponte entre políticos e dirigentes em nome de Padilha era um consultor até cá espargido exclusivamente porquê “Júlio”. Ele foi identificado porquê Júlio Cezar, possuinte de uma consultoria em Goiânia, no estado de Goiás.
Em 17 de julho de 2023, Padilha recebeu em audiência no Planalto os chefes dos fundos de pensão: Joao Fukunaga (Previ), Camilo Fernandes dos Santos (Postalis), Ricardo Pontes (Funcef) e Henrique Jäger (Petros).
A reunião cancelada na Petros
Segundo as mensagens, o operador chegou ao banqueiro quando uma reunião do possuinte do Master na Petros foi solicitada, em fevereiro de 2024. Naqueles dias, Vorcaro já tinha o espeque de Vaccari, depois de remunerar 30 milhões de reais em moeda vivo ao Instituto Lula e a um filme sobre o presidente da República, para transfixar os cofres dos fundos ao Master.
As investidas na Petros, porém, esbarraram em outro círculo de influência no petismo: o grupo de Padilha, indigitado porquê paraninfo de Henrique Jäguer, o director do fundo.
Quando a reunião foi desmarcada, um operador do mercado chamado Hamilton Buselin apareceu no celular do banqueiro com uma mensagem: “Salve, Daniel. Cá é Hamilton Buzelin, ex-diretor de Finanças Corporativas do Máxima. Há muito não nos falamos. Estou com uma demanda de falar com você com uma certa urgência. O objecto é referente à reunião da última quinta-feira, no Rio de Janeiro, que foi cancelada e está para ser reagendada. Se puder falar, seria ótimo, mas preciso que seja pessoalmente”, disse Buzelin.
“Não sei de que tema estamos falando e nem dessa reunião de quinta”, disse Vorcaro. “Foi uma reunião na Petros, no Rio de Janeiro, que seria na quinta”, disse Buzelin.
Vorcaro percebeu ali que a reunião na Petros teria de seguir um novo caminho para ocorrer. Esse caminho passava pelo gabinete de Alexandre Padilha no Palácio do Planalto.
O encontro no Planalto
Hamilton e Vorcaro se encontraram em São Paulo, na manhã de 28 de fevereiro de 2024. À tarde, Buzelin informou o banqueiro sobre uma reunião marcada para 1º de março, às 14 horas.
“Salve Daniel, obrigado por me receber, já está confirmado sexta-feira às 14 horas… Preciso que você e o Júlio se encontrem antes da reunião par que ele possa expor os detalhes que não pudemos conversar hoje. Vocês precisam se saber”, diz Buzelin.
Essa foi a primeira reunião de Vorcaro com Alexandre Padilha. Antes da conversa, Júlio foi apresentado ao banqueiro para estabelecer os termos do encontro, tudo no dia 1º de março, data da reunião no Planalto.
Um áudio de Hamilton mostra a dinâmica que antecedeu o encontro. “Daniel, o Júlio já vai indo para o palácio e vai te esperar lá. O Palácio da Alvorada (na verdade, Planalto, mas ele faz confusão), não tem porquê você errar para chegar lá. Quando você chegar lá, você dá um toque para ele e ele desce para de pegar na portaria. É só porque ele não quer deixar muito estourar a hora. Ele já conseguiu fazer com que vocês cheguem por lá por volta de duas e meia, mas ele já quer ir antes porque ele acha que as pessoas já estão lá há muito tempo e isso não é bom porque nego arranja o que fazer”, disse Hamilton a Vorcaro.
Por volta de 14h10, Júlio avisou Vorcaro de que já estava no Planalto: “Daniel, já estou cá no palácio”. Os dois conversaram por telefone, e a reunião com Padilha se desenvolveu.
Na proposta de delação em que trata do objecto, Vorcaro diz que conheceu Padilha, Olavo Noleto e outros interlocutores nesse encontro.
“Nesse dia, estavam também o assessor Olavo, Fernando, o primo desse Olavo, e o próprio Júlio. Nessa conversa, Padilha mais ouviu do que falou, mas afirmou que ‘o que eu tratasse com Olavo seria porquê se eu estivesse tratando com o próprio Padilha”, diz Vorcaro.
O “preço” de 10% e a reunião relâmpago
Depois da conversa, Vorcaro diz que recebeu Júlio, Olavo e o primo dele para uma reunião reservada em Brasília. “Júlio, Olavo e seu primo foram em minha lar para uma conversa ocasião: ‘só haveria um jeito de entrar na Previ, Petros e Postalis: mediante pagamento de propina também na ordem de 10% de tudo o que o banco captasse’”, diz.
Estabelecido o “preço” pelo aproximação do Master aos fundos, a conversa com Henrique Jäguer, da Petros, que havia sido cancelada, foi remarcada de modo relâmpago. Ela aconteceu três dias depois do encontro com Padilha no Planalto. A reunião com o director do fundo de pensão foi destravada em seguida o encontro no palácio.
Numa série de mensagens, em 4 de março, Júlio enviou o endereço da Petros a Vorcaro e avisou: “Estou no moca ao lado. Aguardando você”, diz. “Estou quase chegando. Preciso falar antes com você”, diz Vorcaro.
“Tapete vermelho” nos fundos
Depois desse dia, o operador de Padilha nos fundos de pensão passou a atuar com seus parceiros para transfixar caminhos a Vorcaro. As mensagens mostram que o banqueiro foi pessoalmente ao Postalis, em Brasília, para se reunir com a cúpula do fundo.
O prestígio da turma de Padilha era tão grande que Júlio avisou que o dirigente do fundo, com uma das agendas mais concorridas de Brasília, iria “travar” todos os compromissos só para receber o banqueiro.
“Boa tarde, Daniel, preciso que você envie o e-mail pro presidente da Postalis… Amanhã ele vai travar a agenda do dia 2 de abril na secção da tarde só pra você!!! Me avisa quando enviar para avisá-lo”, diz Júlio.
Com esse clima de “tapete vermelho” na chegada aos fundos, o banqueiro também conseguiu reuniões na Caixa e no Banco do Brasil.
“O e-mail que pediram Petros”, diz Vorcaro ao operador, em 8 de abril de 2024, sobre o contato que havia feito com a cúpula do fundo.
“Já repassei. Agora é o companheiro com responsabilidade dele. Ontem estive com ele”, disse o operador. “O da Petros já foi? Cobrando?”, insistiu Vorcaro. “Vou te manter informado. Já sim”, disse Júlio.
“Vamos pressionar pra boletar (enunciar o documento que oficializa o investimento do fundo de pensão no Master). Postalis evoluiu?”, cobrou Vorcaro no mesmo dia.
“Evoluiu. Mandando e-mail também. Do BB essa semana resolve. Semana que vem reunião lá. Aí amanho contigo na sua agenda”, disse Júlio sobre a Previ, o fundo dos servidores do BB. “Mas vamos tentar concluir os que abrimos”, insiste Vorcaro.
Propina de 500.000 reais
Havia, naqueles dias, um tropeço concreto para o aproximação aos fundos controlados pelo petismo. O Banco Master, portanto com nota de risco baixa para tocar captações desse tipo, precisaria entrar na chamada “lista exaustiva”. O documento solene é publicado pela Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social e mostra as instituições financeiras autorizadas a receber recursos dos fundos de previdência estatais.
A inclusão se deu em 29 de abril de 2024. Coube a Augusto Lima, o sócio com ligações no universo petista, anunciar a boa novidade a Vorcaro. “Entramos na lista exaustiva. Resolvido”, disse Lima. “Você é foda”, reagiu Vorcaro, que passou a acionar todos os operadores de fundos do banco para apressar as captações, agora com aval da gestão petista.
As conversas de Vorcaro com o operador ligado ao grupo de Padilha mostram que Júlio cobrou do banqueiro um pagamento de 500.000 reais no mesmo dia em que o Master entrou na lista do governo. Seria um antecipação da propina. Vorcaro pagou e deu um aviso: “Quero ver agora você virar uma boleta de verdade”, disse o banqueiro ao operador. “Pode deixar. É interesse de vida, Daniel, isso”, disse Júlio.
Ao pedir o pagamento, Júlio justificou: “Daniel, desculpa tá apertando, mas é que você é a única pessoa que eu possa falar isso!! Preciso ver se você consegue me ajudar… Pediram cinco dias úteis pra liberar minha conta, te passo na hora que liberar!! Quero ir pro jantar tranquilo”, disse o operador.
O “jantar” foi o primeiro na lar de Vorcaro em Brasília a reunir Padilha, Olavo, Fernando (espargido porquê primo de Olavo) e Júlio. Ocorreu dois dias depois de o governo liberar o Master a operar nos fundos.
Com os negócios nos fundos andando, graças à influência dos petistas, tudo parecia articulado para que o banqueiro salvasse o Master da bancarrota. A estrutura armada pelo petismo nos fundos renderia 8 bilhões, sendo 10% disso para os petistas.
O escândalo na Caixa derruba a fala
A ilusão de que tudo daria visível durou pouco mais de um mês. Em julho daquele ano, um evento não previsto por Vorcaro e seus aliados petistas jogou tudo por terreno. Na primeira tentativa do Master de repuxar 500 milhões de reais em letras financeiras na Caixa Econômica Federalista, a operação vazou para o jornal O Mundo.
A jornalista Malu Gaspar noticiou, em 12 de julho de 2024, que dois gerentes da Caixa haviam sido destituídos de seus cargos em seguida emitirem parecer contra a operação de Vorcaro e do grupo de Padilha. Segundo o banqueiro, o escândalo prejudicou todo o lobby feito pelo grupo de Padilha em obséquio dele nos fundos de pensão.
“Com as matérias difundidas na prelo em julho de 2024 sobre a suposta perda de incumbência de gestores da Caixa Asset que teriam sido contrários ao investimento em LFs do Banco Master, o grupo de Padilha e os dirigentes da Petros, Postalis e BB preferiram segurar a decisão de fazer o investimento”, diz Vorcaro num incluso.
Depois do escândalo da Caixa, Vorcaro continuou em contato com o grupo de Padilha. Conseguiu captar recursos em fundos municipais nos quais Júlio e seus aliados tinham influência. Segundo o banqueiro, a mesma lógica de pagamento de 10% de propina ao ministro de Lula e a seus operadores foi mantida, rendendo alguns milhões de reais ao grupo.
Segundo jantar e tentativa de encontro com Lula
A parceria fez Vorcaro lucrar créditos no Planalto, levando Padilha e seu secretário-executivo a atuarem para que Lula recebesse o banqueiro. Em 23 de outubro de 2024, Vorcaro deu um segundo jantar para Padilha, Olavo e seus operadores em Brasília.
“Daniel, acordado!!!! Padilha e Olavo amanhã, às 22 horas, um jantar contigo em bsb (sic)… Vai 5 pessoas… Padilha, Olavo, o Fernando (primo), um assessor do Padilha e eu”, escreveu Júlio ao banqueiro na véspera.
No dia seguinte ao encontro, a influência dos petistas no governo rendeu novos frutos a Vorcaro, que estava com as captações nos fundos bloqueadas devido a reportagens sobre ilegalidades no Master. O verosímil encontro com Lula chegou a ser articulado sem sucesso.
“Daniel, liga pro Olavo… O Pr vai te receber…”, escreveu Júlio no dia 24 de outubro, por volta de 14h. “Daniel, tô insistindo cá porque já conversaram com PR e ele gostou da conversa! Olavo pediu pra retornar para ele para fazer agenda contigo”, complementou o operador.
Vorcaro, por qualquer motivo, demorou a responder sobre a reunião com Lula, e Júlio insistiu: “Daniel, não esquece do Olavo. Ele vai te passar informações. E fazer agenda. Porque semana que vem é sua reunião importante”, disse Júlio.
O encontro com Lula só aconteceu em dezembro, a partir de uma fala do jurista Walfrido Warde junto ao portanto director de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana, o Marcola, no mesmo mês de 2024. As mensagens obtidas pela reportagem sugerem, porém, que o petista pode ter tido outro encontro com o banqueiro, ainda não revelado.
O término da parceria
As mensagens do celular de Vorcaro revelam que o banqueiro seguiu sem conseguir captar recursos nos fundos federais, apesar de toda a fala de Júlio no governo. Em meados de 2025, com a crise do Master escalando e sem sucesso na empreitada, Vorcaro perdeu a paciência com o operador petista.
“Estamos já há mais de 12 meses tentando uma boleta (um investimento de fundo no banco). Não dá pra mobilizar a equipe para novos temas sem concluir nenhum”, disse Vorcaro em junho de 2025. “Falhou de novo o negócio?”, insistiu o banqueiro.
O operador alegou que as “fake news” sobre as fraudes do Master atrapalhavam as possíveis captações junto aos fundos.
No início de agosto, depois de emprestar um avião para que o operador viajasse para tentar mais uma vez liberar verbas nos fundos ao Master, sem sucesso, Vorcaro decidiu fechar as conversas.
“Rosto, essa é a última chance. Se não entrar zero até final da semana que vem, eu gostaria que você encerrasse o trabalho. Já consumiu muito tempo, moeda e recursos nossos”, disse o banqueiro.
“Concordo!”, afirmou Júlio.
“Sexta que vem — não entrando — vida que segue. Lá na frente bolamos outra coisa juntos”, disse o banqueiro.
A última mensagem de Júlio a Vorcaro foi registrada no celular um mês antes da prisão do banqueiro, em novembro de 2025. Era um novo esquema:
“Bom dia Daniel, tudo muito? Daniel, quero falar contigo… Tenho uma estruturação para comprar suas ‘LFs’ (letras financeiras) dos RPPS (fundos de pensão municipais) que você vendeu pra te pacificar. Faço dentro dos fundos e ajudar na capitalização (sic). Consigo capitalizar através de fundos que tenho cá”, disse Júlio.
Vorcaro não respondeu.
Negativas
Alexandre Padilha, Augusto Lima, Olavo Noleto e o presidente Lula negaram qualquer relação com negócios de Vorcaro no governo e refutaram, em notas, as acusações do banqueiro. A reportagem tentou contato com os demais citados e aguarda retorno para registrar as manifestações.
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