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Mas há um pormenor.
Quem carrega um pouco nas costas, em universal, pegou o peso em qualquer momento. A frase de Lula trata o desgaste do STF uma vez que uma fatalidade que caiu sobre a campanha, e não uma vez que um tema que o governo viu de perto. O presidente critica a promiscuidade uma vez que se fosse testemunha. Mas o governo e o tribunal dividiram o mesmo cenário institucional durante todo esse período. A sátira só aparece quando a conta política chega.
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E é aí que a história complica.
Lula defendeu um debate com a sociedade sobre os critérios de escolha dos ministros e a possibilidade de mandatos. A discussão é legítima. Mas a legitimidade de um tema depende também do momento e de quem o propõe. Trazer a questão no meio de uma campanha, a 20 dias do segundo vez, em reunião de estratégia eleitoral, cheira mais a manobra de marketing do que a persuasão republicana. Reformas institucionais sérias não nascem de reunião de comitê.
Agora compare.
O presidente afirma que “ninguém está supra da lei, nem os ministros da Suprema Golpe”. Perfeito. Logo por que a invenção veio só agora? Se a promiscuidade é grave, por que ela só se tornou um fardo quando virou um problema eleitoral? Princípio que só aparece quando é útil tem outro nome.
O mesmo oração pede “autocrítica” à equipe. “A gente não tem que permanecer procurando defeito que os outros cometeram”, disse Lula. É um bom juízo. Que o próprio presidente talvez devesse utilizar ao capítulo STF: antes de indicar a promiscuidade, olhar com franqueza para o seu lugar nela.
Há ainda a ironia estrutural. O candidato que encarna o poder mediano, com a máquina federalista à disposição e décadas de vida pública, quer o rótulo de outsider. O “antissistema” é, nesse caso, um figurino de segundo vez. Serve para disputar secção dos mais de 33,4 milhões de eleitores que não foram às urnas, 21,08% do eleitorado capaz, e para ampliar votos no Nordeste, uma vez que disse o ministro José Guimarães. O presidente do PT, Edinho Silva, resumiu: “o segundo vez é uma outra eleição”. Ao que parece, também é outro oração.
Do ponto de vista de quem defende a separação entre os Poderes, o problema é mais fundo. Quando o Executivo e o Judiciário se aproximam demais, o cidadão perde dos dois lados. Quando um se afasta publicamente do outro só porque a federação ficou rostro, a prelecção é pior ainda: a intervalo é calculada em votos, não em princípios.
O votante não precisa de uma encenação de ruptura. Precisa saber, com nitidez, o que o presidente pensa do Supremo quando não há urna avante.
Porque quem rompe por persuasão rompe em qualquer estação. Quem rompe por conveniência rompe quando as pesquisas mandam. A pergunta que fica é simples: Lula descobriu o problema ou exclusivamente descobriu que o problema deixou de render voto?
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https://www.contrafatos.com.br/candidato-antissistema-ha-quatro-mandatos-no-sistema-a-conversao-tardia-de-lula//Manancial/Créditos -> CONTRA FATOS
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